Sai BRCR11, entra KNRI11: Quando é hora de vender

Embora o meu patrimônio financeiro seja minúsculo, já estudei bastante o perfil do investidor e tenho alguns dogmas em mente. Uma das principais regras é “girar o patrimônio te deixa mais pobre”. Isso certamente é verdade devido aos custos incorridos com as operações e o pagamento de tributos. Mesmo assim, não resisti e dei o primeiro giro.

Eu estava muito insatisfeito com a gestão do BRCR11 e precisava algum pra substituí-lo. Estava sondando o KNRI11 e resolvi vender. Conheci pessoalmente o stop de valor. Chega. Grande parte da vacância do fundo vem do Torre Almirante, localizado no Rio de Janeiro, que não passa por uma boa fase, e do CENESP, que dizem que é um investimento para o futuro. O problema do Torre é conjuntural, mas investir no CENESP é investir no futuro, porque a cidade crescerá para aquelas bandas pra mim, não passa de especulação. Chega.

A alta vacância e a minha péssima impressão do CENESP foram os principais fatores para a saída, mas o atual preço do BRCR também foi um fator. Eu havia comprado em dezembro $ 96,66 por cota, vendi por mais de R$ 100,00 depois de ter recebido seis meses de proventos. Ora, eu estava insatisfeito, já estava planejando a venda e, naquele momento, eu estava lucrando. Vendi. Saiu BRCR.

Entra KNRI. Gostei dos imóveis e da gestão. Os contratos são majoritariamente típicos, mas a vacância não chega à 2%, indicando uma boa gestão. Tenho achado cada vez mais interessante a gestão da Rio Bravo. Até me espantei com o valor da cota frente ao valor patrimonial, mas as coisas são assim: “quem quer rir, tem que fazer rir”.

Quis fazer um post específico por que esta foi a minha primeira venda. Um dia depois, ainda acredito ter feito a coisa certa, o que normalmente é bom. Não foi uma questão emocional, mas racional. O emocional estava me pedindo para vender até que o racional concordou com base em questões subjetivas e objetivas. O primeiro stop de valor.

A minha próxima aquisição provavelmente será o ABCP e aqui percebo uma vitória do conhecimento fruto do estudo e da leitura dos textos dos colegas: estou me coçando para vender o DIVO11 e comprar o ABCP11. A ansiedade não dá tréguas. No próximo aporte, certamente comprarei a cota do Plaza, mas já quero adiantar logo, mas qual seria o ponto? Nesse caso sim, seria algo totalmente irracional. Seria o tal de “comprar no topo e vender no fundo”. Então, vou esperar.

Monto minha carteira devagar, quero distribuir em partes iguais de escritórios, shoppings, logística, papel, fundos de fundos e talvez varejo. Acredito que nos próximos meses a justiça deve dar algum retorno sobre a minha ação de indenização, é só esperar pra dar um aporte mais volumoso. Até! Abraço!

Níveis de Governança Corporativa – B3

Os níveis de governança corporativa são um conjunto de mecanismos que visam proteger os acionistas de arbitrariedades dos diretores, conselheiros e executivos, uma vez que nem sempre seus interesses estão alinhados com os de seus acionistas. Em outras palavras, os interesses pessoais dos agentes administradores e gestores podem estar em conflito com os dos acionistas e há uma tendência das pessoas se beneficiarem em detrimento dos outros.

O último post falou sobre o caso Enron, que talvez seja o mais emblemático do mercado americano. Em terras brasileiras, exemplo é o que não falta, sendo o mais recente o caso Petrobrás. O problema nacional não é gestor corrupto, mas o governo corrupto. Quando uma empresa tem participação governamental, normalmente, considera-se um sinal de alerta.

Na B3, há vários níveis de governança corporativa, desde os de transição, até níveis mais efetivos. Este post tem como escopo tratar das empresas que estão com ações negociadas no mercado e, portanto, trataremos do Bovespa Mais, Nível I, Nível II e o Novo Mercado.

O Bovespa Mais é um nível transitivo e é incorporado por empresas que desejam abrir o seu capital (Initial Public Offering – IPO), mas necessitam diluir seus custos e se adaptar, uma vez que a abertura de capital faz com que as empresas sofram mais cobrança por parte dos novos proprietários da empresa, além de uma intensa e transparente comunicação. Nessa modalidade, os investidores podem ir monitorando os resultados da empresa, enquanto a empresa consegui abrir o capital em etapas.

O Nível I de governança corporativa é relativamente simples, pois exige apenas uma maior comunicação com os investidores e que, no mínimo, 25% das ações estejam disponíveis para free float, inicialmente, por IPO e, depois, no mercado secundário. Essas garantias trazem mais segurança ao investidor, uma vez que tendem a ter acesso às informações com mais facilidade. Os 25% mínimos de ações em circulação, no entanto, não asseguram volume de negociação. Há empresas que estão listadas na bolsa meramente por questões tributárias ou legais, mas seus proprietários simplesmente não negociam os títulos na bolsa.

O Nível II de governança corporativa tem as mesmas exigências do Nível I acrescido de outros requisitos. Um ponto que deve ser atendida é a convergência das demonstrações contábeis às normas internacionais, que são discutidas mundo afora e já estão bem maturadas. Um dos itens mais interessantes é o direito que os acionistas minoritários se igualar ao dos controladores na troca de controle acionário. O tag along garante ao minoritário valor idêntico ao recebido pelo controlador caso seja de 100%, bem comum no caso de ações ordinárias.

O Novo Mercado, mais alto nível de governança corporativa brasileiro, é formado por empresas que excedem as exigências da legislação, no que tange à governança corporativa, e que garantem o direito dos acionistas. Um ponto interessante é que as empresas listadas no Novo Mercado somente podem emitir ações ordinárias, o que por si só já dá certa segurança aos acionistas no caso de venda do controle acionário.

 

Documentário Enron – Os Mais Espertos da Sala

Este documentário é muito interessante para os investidores, uma vez que evidenciam as fragilidades dos sistemas contábeis e de auditoria. Os administradores fraudaram várias transações e as auditorias falharam na detecção. Enron era a sétima maior empresa dos EUA, que, inclusive, possui ações de várias empresas brasileiras.

Os administradores, por meio de fraude, faziam parecer que os resultados e o crescimento da Enron fossem admirados por todos, o que fez com que as ações ficassem constante ascensão. Quando as ilicitudes vieram à tona, a empresa deixou um rombo de US$ 180 bilhões em dívidas com os investidores, empregados e fornecedores.

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O consenso entre os especialistas era quase unânime. As recomendações eram de compra em qualquer casa de análise. Acima, a prova do impacto do escândalo no preço das ações da Enron.

Aporte #5/360

Cada vez mais vem a minha mente a saudável estrutura financeira de orçamento equilibrado, reserva de emergência e investimentos. Sou pai de família e tenho entre 30 e 40 anos. Não posso mais vacilar. Não posso mais deixar o orçamento se desequilibrar um mês sequer. Porém, anos de desajustes comportamentais fruto de ansiedade e da ignorância financeira não são reparados de uma hora para a outra.

Eu já tenho o conhecimento, agora estou pondo em prática a missão de organizar as finanças da minha família. O endividamento das famílias cresce e atinge 58,2%. Está certo, eu não deveria estar nesse meio, mas estou. Como sempre, temos duas escolhas: aumentar as receitas ou diminuir os gastos. Não é possível diminuir os gastos, pois a maioria deles é financeiro e o consumo propriamente dito é diminuto.

Parece óbvio que quanto mais nos endividamos, mais nos endividamos, mas não só é possível sentir os efeitos do endividamento sobre as famílias passando pela situação, que é o meu caso. Só me restou aumentar as receitas. Neste mês, pedi o adiantamento do meu décimo terceiro. O interessante é que não há desconto algum, ou seja, é lucro solicitar o adiantamento, uma vez que temos um valor nominal futuro já no presente.

Dessa forma, a minha receita este mês foi bem maior que a normal. Paguarei todas parcelas e empréstimos atrasados, exceto as da minha faculdade e PAGUAREI O CARTÃO DE CRÉDITO. Todos os meses eu pago a fatura do cartão, mas dessa vez é especial, já que com o excedente deste mês poderei consumir sem utilizar a função crédito, mas apenas débito. Resumindo, em tese as coisas melhorarão muito. Sigo o meu plano de ação.

Sinto-me piloto de uma aeronave com o motor em pane, mas com a fé de que o pouso será seguro. Já possuo conhecimento para sair dessa Matrix que a cultura e os bancos me impuseram. Outra coisa que seguirei à risca é a regra 50-15-35. Como vou equilibrar, ainda que tropegamente, as finanças, preciso mantê-las saudáveis.

Estipulei (50-15-35) R$ 2.800,00 para as despesas “essenciais”, R$ 1.400,00 para despesas financeiras/investimentos e R$ 2.800,00 com despesas de “estilo de vida”. Hoje, pagarei as despesas essenciais: água, energia, telefone, academia, aluguel e etc. Pago também os empréstimos. Enfim, as coisas estão melhorando.

Recebi uma carta da Rio Bravo convocando para uma Assembléia cuja finalidade é a contração de 100:1 nas cotas. Como tenho apenas 190, compro mais 10 para inteirar as 200. Compro também 5 cotas do FIGS.

Ativo Qtde Preço (R$) Total (R$)
FFCI11 10 1,85 18,50
FIGS11 5 67,00 335,00

Acho o FFCI muito interessante, mas o FIGS é para especular e aproveitar a RMG. Meu atual objetivo é atingir proventos mensais suficientes para comprar pelo menos uma cota a mais por mês dos FIIs que giram em torno dos R$ 100,00. Então, meu patrimônio está em:

Neste mês estou pondo à prova meus conhecimentos adquiridos nessa highway financeira. Adoro a blogsfera. Ontem li um post em algum dos blogs vizinhos e me lembrei de algo muito importante. O DINHEIRO NÃO É REAL. Eu entendo, o dinheiro não é real. O que existe é produção, consumo e patrimônio. Eu acredito nisso. Nos próximos meses, espero ter tido sucesso com o novo cargo que almejo. Nos vemos.

Ativo Quantidade Vl. Total (R$) Participação %
Sala Comercial 1 120.000,00
DIVO11 10 358,70 26,2%
BRCR11 3 307,68 22,4%
FFCI11 200 370,00 27%
FIGS11 5 335,00 24,4%

Espero controlar as finanças e receber minha herança. Com as finanças controladas, sairei da corrida dos ratos. Com a minha herança, darei volume ao patrimônio. Abraço!

Risco de Mercado: Uma introdução. Brasil e ETFs.

Risco significa que é possível que algo indesejado ocorra. Quando o investidor aplica o seu dinheiro, ele espera ter um retorno daquele investimento. Assim, no contexto dos investimentos, risco é a possibilidade de que as expectativas do investidor não se confirmem.

No mercado, os analistas analisam, normalmente, cinco riscos: mercado, crédito, liquidez, operacional e legal. O escopo deste post é tecer comentários sobre o risco de mercado.

Basicamente, o volume (quantidade) e a amplitude da variação do preço e o prazo do investimento perfazem o risco do mercado. Se um ativo tem seu preço alterado a todo momento, há risco de mercado. O câmbio, por exemplo, varia diariamente, ainda que alguns centavos.

Sobre a amplitude, temos o exemplo recente da JBS. Em outubro de 2016, JBS chega a cair 20% e lidera quedas do dia na Bovespa. Há 7 dias, ação da JBS cai mais de 25%. Já há 3 dias, JBS sobe 22%. Além do volume da variação ser grande, a amplitude também é acentuada. Tais fatos caracterizam esse ativo e, portanto, extremamente volátil, arriscado.

Essa volatilidade, aliás, é característica da bolsa brasileiras, que é considerada especulativa por algumas agências, basta colocar no Google Rating Mood’s Brasil: Moody’s rebaixa perspectiva de rating do Brasil para negativa. Ou seja, boa parte das empresas do país variam demais o preço, tem muita volatilidade, muito risco, são pura especulação. O risco de mercado ou volatilidade é, aliás, característica da B3, a antiga BM&FBovespa.

Nesse contexto é que os ETFs entram no Brasil: especulação. Ora, uma empresa pode cair até não valer mais nada, vide Eternit. Até o ponto de não conseguir mais recuperar o seu preço. Já os ETFs, podem cair, cair e cair que não vão quebrar, pois não são empresas. Em cenários baixistas, compra. Em altistas, vende e realiza o lucro. Simples assim.

O prazo do investimento também deve ser levado em consideração. Quanto maior o prazo, maior tende a ser a volatilidade. Nesse contexto, se torna interessante ressaltar que nem todos os títulos públicos são seguros sob o ponto de vista do risco de mercado.  Veja aqui o quanto o preço dos títulos Tesouro IPCA+ variam. É por isso que, pelo menos num curto prazo, depois de ter ajustado as minhas finanças, não pretendo aplicar em Tesouro IPCA. Certa vez vi o Bastter comentando que não existe investimento no curto prazo (Tesouro Selic), mas só no longo (Tesouro IPCA+). Discordo, ambos são investimentos, o Selic menos arriscado por ter menor risco de mercado, o IPCA+ mais arriscado pelo motivo inverso.

 

Kroton – Estudo de Caso – Como funciona a demonstração de resultado de exercício #6/10

Bom dia. Seguindo no ICON, temos a Kroton com 7,6% da composição do índice. Depois de passarmos por vários posts explicando a teoria e aplicações em estudos de caso, chegou a hora de dar uma geral no resultado do exercício de alguma empresa. Aqui, para facilitar, utilizarei os gráficos do site Fundamentos, haja vista ter um certo grau de confiança e já exibir os gráficos de maneira instantânea. Segue o link.

Receita Líquida

Entre 2008 e 2009 a receita se manteve estável e, em 2011 inicia o crescimento que explode 2014, se mantendo estável desde 2015. No primeiro trimestre de 2017 segue estável em mais de 5 bilhões de reais. Aparentemente, a crise não afetou muito o setor de educação.

kroton_receita

Margens

As margens bruta e EBIT cresceram de 2010 até 2014 e seguem estáveis. Acompanhando a queda da receita no terceiro trimestre de 2016, as margens também caíram. Em tese, mesmo com uma menor quantidade de alunos, os custos de uma instituição de ensino não cai muito, uma vez que são mantidas as estruturas físicas e o pessoal, implicando diminuição das margens. A margem bruta atingiu 60%, exibindo a viabilidade do negócio. Descontando os gastos operacionais e administrativos, temos a margem EBIT com 30%.

kroton_margem

EBIT

O resultado operacional também se mantém estável acima do R$ 1,5 bilhão de reais. O resultado EBIT em si não é tão interessante para se olhar quando não se conhece a instituição ou a empresa, haja vista não ser possível identificar se os valores são interessantes ou não. Todavia, as margens acima suprem essa lacuna. O EBIT se mantém estável, com a receita e as margens. Além disso, as margens estão interessantes. Uma dica é comparar com as margens da Estácio. Adianto que a margem EBIT dessa instituição está em 15%.

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Financeiro

O resultado financeiro da Kroton também está agradando, ainda mais se comparado com a Estácio, que tem uma piora progressiva nesse resultado. A Kroton, desde 2016, vem tendo uma grande performance financeira. Crescimento bem interessante. No entanto, será que continuará com esse pique? Pouco provável. Todavia, se não tendo dívida, já está em um bom patamar.

kroton_financeiro

Lucro Líquido

O lucro líquido da entidade tem se mantido, como a maior parte dos indicadores, estável. Os proventos, talvez por não se ter muito onde investir, continuam a crescer. Alguns investidores têm como primeiro ponto o lucro líquido. Não se importando muito com as operações da entidade, nem se o lucro é mais financeiro ou operacional. Selecionam empresas que possuem bons lucros para posteriormente fazerem uma segunda peneirada.

kroton_lucro

Comentários

Como empresa, a Kroton me parece muito saudável. Agora, didaticamente não mostrou muita surpresa, pois seus números são bons e constantes. Não vejo do que reclamar. Analisando unicamente o desempenho, eu teria duas preocupações: a) a taxa de crescimento da Kroton e de sua receita, que não apresenta recuperação; b) O preço que se vai comprar a ação se for o caso de comprar tudo de uma vez e não fazer preço médio. Enfim, espero ter sido útil para se aprender.

Documentário HBO Warren Buffett 2017

Pessoal, desculpe-me por não ter postado na quinta e não ter preparado um post pra hoje. Esse fato se deve à recente correria: estudo pra concursos, família, academia e, principalmente, por que estou trabalhando duro para alcançar um novo cargo em meu trabalho. Isso tem me desgastado bastante e me deixado bem estressado. A única coisa que fiz ontem pela noite foi assistir um documentário para relaxar. Vale muito a pena.

Segue o documentário a baixo. Ele relata a vida de Warren Buffet. Não vou adiantar o texto. Só recomendo você a assistir. Grande lição. O doc tem a assinatura da HBO.