Imposto de Renda em FIIs – Como declarar e pagar

Recentemente, vendi o fundo BRCR11 por R$ 106,00 quando o  havia comprado por R$ 96,66. Os fundamentos do FII, na minha visão, estavam péssimos. Senti um alívio, mas veio a ressaca: como declarar e pagar o IR da venda desse fundo de investimento imobiliário?

Encontrei várias alternativas na internet, das mais extensas, que chegavam a criar um monstro para vender solução, às mais concisas, que eram concisas demais. Então, optei por fazer um resumo, nem tão resumido assim, que me ajudasse nessas tarefas. Aqui vai.

Como declarar o Imposto de Renda nos FIIs

Eu conheço 3 formas de se ganhar dinheiro com FIIs: recebendo proventos, recebendo amortizações e vendendo a cota por preço superior ao de compra. Detalharei cada uma dessas formas. Porém, antes disso, acentuo que deve ser registrada a propriedade de FIIs quando da declaração anual do imposto de renda. No programa de declaração da Receita, declare as cotas com o código 73 – Fundo de Investimento Imobiliário no menu “Bens e Direitos”.

bens e direitos

Os rendimentos mensais, quando houver, devem ser declarados no menu Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Os valores e seus códigos serão encontrados nos informes de rendimento de cada fundo imobiliário enviados pelo administrador do fundo. O ideal é que o investidor destine algum tempo a essa atividade, pois esse é um ponto sensível e requer certa precisão.

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Já no caso de amortizações, o administrador do fundo retém o imposto de renda, mas ainda sim é preciso declarar. Para declarar, o contribuinte deve acessar o menu “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”. O código é o 6, “Rendimentos de aplicações financeiras”. Basta clicar naquele botão com um cifrão. Há dois campos para se preencher: Especificação e Valor. Especificação pode ser “Amortização do fundo tal”, enquanto que valor o montante amortizado.

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Como pagar o DARF na venda com lucro

No caso de venda com lucro, há a incidência de IR de 20% sobre o lucro independente de quanto ele seja. A União recolhe esses valores por meio de DARF cujo código é 6015. Para fazer o cálculo, faça o preço médio de venda menos o preço médio de compra. O valor, se positivo, deve ser declarado.

Em linhas gerais, o procedimento é o seguinte:

  1. Acessar a aplicação da receita;
  2. Selecione a opção “Pagamento”;
  3. Insira o código 6015;

No formulário há um campo de nome Principal. Aqui deve ser preenchido com o valor de imposto de renda devido. Para ter um detalhamento de como pagar o imposto, clique no link: http://blogdouo.blogspot.com.br/2014/07/como-preencher-darf-venda-de-fiis.html.

 

PEG Ratio – Quando comprar uma ação?

Primeiramente, quero registrar que este é um dos posts deste blog que valem a pena ser lidos. Então, leia até o final e, se possível, comente. Isso faz muita diferença. Seja avançado ou novato, dê uma forcinha comentando ou compartilhando. Gosto muito desse indicador e acho que pode ser útil pra você também. Vamos lá.

Eu, como estudante de ciências contábeis e amante do mundo financeiro, venho analisando demonstrações financeiras há um tempo razoável. Estou contabilidade há 2 anos e há um ano e meio estudo para ser auditor fiscal. Então, tenho uma noção, ainda que pequena, sobre demonstrações.

As demonstrações financeira dizem muito sobre a saúde financeira de uma empresa. Se as demonstrações são boas, a empresa deve ter feito o que é certo. Todavia, notei uma grande deficiência no meu conhecimento. Se você quer entender bem e não comprar errado é preciso ter a capacidade de entender de economia, do setor em que a empresa atua, analisar as demonstrações financeiras e, com isso, saber o que e quando comprar.

Quando percebi isso, até um comentário do Mestre dos Dividendos no post sobre preço médio (leia depois) acentuou essa percepção. Certo, sei avaliar se uma empresa é boa ou não, mas e por que preço comprar??? Sabe, mesmo que se compre um excelente ativo, se o preço for alto, você fez um péssimo investimento, haja vista o seu retorno ser pequeno.

Quando encontrei o PEG Ratio fiquei bastante feliz. Pela primeira vez tive a noção de um indicador que me mostrasse a luz no fim do túnel. Basicamente ele vai fazer uma avaliação sobre o potencial de retorno de uma ação, ou seja, se está na hora de comprar ou não.

O que é o PEG Ratio

PEG Ratio significa razão preço por lucro por crescimento. O famoso P/L (Preço/Lucro), em inglês, é P/E (Price/Earnings). Em outras palavras, o PEG leva em consideração três parâmetros: o preço, o lucro E a taxa de crescimento da receita e isso faz toda a diferença.

PEG = Cotação da ação / Lucro por ação / Taxa de Crescimento da Receita

Resumindo, um preço sobre o lucro baixo é interessante, mas é muito interessante levar em conta o crescimento ou decréscimo da receita. Ora, obviamente, quanto maior a taxa de crescimento da receita, maior tende a ser o lucro.

Veja, nem sempre um P/L de 10 vai ser interessante. Se a taxa de crescimento anual da receita for 0,5%, talvez essa ação não seja um bom negócio. Agora, se a taxa de crescimento for de 35%, essa pode ser uma grande compra. Veja, esse indicador não prevê o futuro, mas pode ajudar bastante.

Estudo de caso

Avaliei algumas empresas que acredito estarem saudáveis e depois apliquei esse indicador. Percebi que algumas empresas saudáveis seriam boas compras, outras nem tanto. Então, elaborei alguns exemplos. Interessante observar que todos os valores foram tirados do site fundamentus.com.br.

 Código Preço (R$) Lucro (LPA-R$) Tax. Cresc. (%) PEG Ratio*
 KROT3 14,75  1,08  39,5  0,34
 ABEV3  18,02 0,76 2,8  8,47
 ITUB3 32,28 3,10 10,2  1,02
 BBDC3 27,28 2,46 21,3  0,52
 WIZS3 18,90 0,99 16,6  1,15
 ALUP3 6,49 0,38 5,4 3,16

* O PEG foi calculado como exposto no tópico anterior.

Apenas para fins de estudo deste indicador e considerando apenas seu funcionamento e nada a mais, as melhores compras seriam KROT3 e BBDC3. Já ABEV3 e ALUP3 seriam as piores compras. Cabe registrar que escolhi somente empresas que considero excelentes. Porém, nem sempre o que queremos está no preço que acreditamos ser justo e é ai que o PEG pode ajudar na identificação dessas oportunidades.

Interessante é que quinta-feira o ITUB3 apresentava uma margem de segurança quase tão boa quanto a do BBDC3, porém essa margem desapareceu, restando apenas pagar o valor justo pela ação: quando o PEG está próximo de 1.

Enfim, enquanto não começo a estudar o valuation, pretendo fazer uso ostensivo desta ferramenta. Claro que utilizarei apenas em empresas excepcionais, ou seja, após um filtro aplicado nas demonstrações financeiras. Era isso, espero que tenha gostado. Deixe seu comentário!

Preço Médio no Mercado de Capitais

Comecei a investir esse ano e o que mais me chamou atenção foi a constante necessidade de buscar conhecimento. Cada coisa que eu aprendo indica que devo aprender mais para tomar decisão de forma consciente. Então, tento escrever sobre assuntos que estão na minha linha de aprendizado. Esta semana, escrevo sobre a estratégia do preço médio e seus impactos.

A preocupação de não comprar no topo e de não vender no fundo é fustigante. Com isso em mente, observei vários professores como o Bastter e o Tetzner afirmando como nunca se deve entrar ou sair bruscamente de um ativo; a compra e a venda de um ativo deve ser paulatina, sistemática. Sempre me perguntei o porquê disso. Depois de muito refletir, achei a resposta: justamente para evitar a compra no topo ou a venda no fundo.

Todo iniciante acredita na ideia de comprar na baixa e vender na alta. Esse é um pensamento óbvio. Porém, de difícil execução, pois nunca se sabe qual o real valor de um ativo e, portanto, nunca se sabe se este título está caro ou barato. Veja, nem o próprio contador tem com precisão o valor patrimonial da entidade que controla, imagine o pequeno investidor.

Nesse contexto, entra a estratégia de compra conhecida como preço médio. Tal método consiste na compra sistemática de títulos mobiliários por valor e intervalo de tempo pré-determinados. Utilizando a estratégia do preço médio, seria bastante improvável que tanto a compra seja realizada sempre no topo, quanto a venda, sempre no fundo. Assim, essa técnica auxilia investidor que não possuem conhecimento suficiente para detectar os melhores momentos de entrar ou sair de um ativo.

O preço médio é calculado como a média aritmética dos preços pagos nas diversas compras de determinado título. Por exemplo, se uma cota foi comprada por R$ 10,50, outra por R$ 15,00 e outra por R$ 20,50, o seu preço médio é de cerca de R$ 16,00. Com essa informação, é possível verificar a rentabilidade da carteira, pois se o valor de mercado da cota for R$ 17,60, significa que houve uma rentabilidade de 10% sobre os R$ 16,00. Assim, fica fácil notar que a partir do preço histórico, obtém-se o preço médio e é possível aferir a rentabilidade da aplicação.

A avaliação do Dividend Yield (DY) pode ser calculado com base no preço médio e com base na cotação atual. Ao aferir o DY frente ao preço médio, temos uma avaliação de rentabilidade da ação. Entretanto, ao calcular o DY do papel frente à cotação atual, temos um indicador que nos possibilita uma reflexão sobre manter ou não a posição no papel: há papéis que me oferecem melhor retorno? Para aqueles que focam nos dividendos, esses dois DYs são relevantes para reavaliar a posição.

No que tange ao Imposto de Renda, tributo de competência da União, a sua base de cálculo é justamente o valor da venda dos papéis que forem vendidos acima do preço médio (no caso das vendas ultrapassarem R$ 20.000,00 no mês). Embora seja interessante a utilização do preço médio na avaliação da rentabilidade e no cumprimento de obrigações fiscais, tal estratégia deve ser refutada como forma de reduzir o prejuízo na aquisição de títulos que caem de valor.

Há pessoas que acreditam que comprar papéis de sua carteira que estão se desvalorizando irá diminuir o prejuízo, o que não é verdade. De fato, o preço médio irá cair, uma vez que os papéis estão sendo adquiridos por um preço abaixo que antes, porém o prejuízo na compra dos primeiros papéis será mantido. Não há mágica, apenas um problema de interpretação dos números.

Enfim, dos vários pontos analisados, o mais importante é ir se posicionando ou se desfazendo da posição vagarosamente, seja observando o preço médio ou não. Deixo um vídeo do Bastter descrevendo cada um dos aspectos de aplicação do preço médio. Como sempre, drástico, ele afirma que o preço médio não serve para nada além do IR. Enfim, vale a pena conferir.

 

Dividendos, Dividend Yield e Payout. Vantagens e Desvantagens.

Tenho recebido vários e-mails da Suno Research, que vem fazendo uma bela campanha de marketing. Apropriando-se da imagem de Luiz Barsi para incutir a ideia de que os dividendos são a cereja do bolo, de que investindo em empresas de dividendos o retorno é bem maior. O interessante é que o trabalho não é só marketing, acredito ter aprendido coisas interessantes em seus materiais gratuitos. Para os mais avançados, no final das contas, talvez seja só mais “material de manada”. Enfim, li e gostei de algumas coisas que li. Talvez eu assine.

Conforme fui avançando nos estudos sobre empresas, negócios, ações, fundos e outros títulos privados ou públicos, fui deixando essa tara de dividendos de lado e fui atrás de entender como formar uma carteira. Trabalho cujo esforço ainda é inicial, mas um dia alcanço o nirvana.

Agora, “depois de velho”, voltei a me interessar pelo assunto de dividendos, DY, payout etc. A minha incipiente carteira é formada, atualmente, por FIIs. Isso, por si só, já é um bom indicador de que prezo por uma renda mensal, de que sou rentista. Acho que é natural a dúvida de quem inicia no mundo dos investimentos: qual aplicação? qual prazo? qual índice? Quanto diversificar? O certo é que a chama dos dividendos reacenderam em mim, assim como a dúvida: é possível viver de dividendos?

O desempenho de uma empresa é o resultado da confrontação de todas as receitas, despesas e custos. Após a tributação do resultado, temos o lucro líquido antes do IR, que será tributado pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e, por fim, temos o lucro líquido do exercício. A legislação obriga as empresas de capital aberto a distribuírem, no mínimo, 25% desse lucro. Se essa for a política de dividendos da entidade, diz-se que o seu payout é de 25%. Por exemplo, se a empresa lucrar R$ 1.000.000,00 e distribuir R$ 500.000,00, o seu payout é de 50% e os acionistas recebem esse valor a título de dividendos.

A política de dividendos revela a decisão dos controladores sobre o efeito da distribuição dos dividendos e o futuro da entidade. Alguns acreditam que quanto maior o payout, maior será o preço de suas ações e menor será o custo do capital próprio no caso de novas emissões.Outros acreditam que os dividendos não influenciarão o preço dos ativos. Alguns distribuirão mensalmente, outros trimestralmente, semestralmente ou, comumente, uma vez por ano.

A TAEE11 distribui, com certa frequência, payout superior a 100% inclusive se endividando para isso. Por ser uma transportadora de energia, creio não haver muito o que fazer com os lucros retidos além de distribuí-los. Essa postura, que considera até mesmo o endividamento, mostra a preocupação da Taesa com seus acionistas.

O Bastter, um cara que admiro e aprendo muito com ele, em um de seus vídeos afirma que o dividendo representa um pedaço do valor da empresa sendo distribuído. Nada além disso. Embora eu não concorde com isso, tenho que respeitar a visão desse cara. Pelo nome do vídeo, dá pra entender sua visão sobre o assunto.

Na prática, na fase de acumulação de patrimônio, qualquer investidor abriria mão de um grande payout para ter um aumento da receita, o que enseja a valorização dos papéis. Todavia, as vezes, não é possível aumentar essa receita. Nesse contexto, cabe a análise do controlador sobre qual a melhor destinação do recurso: aplicar em ativos financeiros ou distribuir para aplicação direta por parte do investidor.

Um dos arduos defensores de empresas com alto yield está Luiz Barsi Filho cuja opinião, também não devemos descartar. Ele acumulou toda a sua riqueza escolhendo empresas saudáveis que possuem alto yield.

Alguns teóricos indicam a busca por empresas ditas High Yield, Low Payout como a mais vantajosa, uma vez que evidenciam o comportamento das empresas que regularmente trazem os melhores benefícios aos acionistas. Isso posto, falemos de DY (Dividend Yield). Enquanto o payout representa a proporção dos lucros que será distribuído, o yield representa a proporção entre o preço pago pela ação e o dividendo recebido. Por exemplo, se eu pagar R$ 20,00 por uma cota e receber R$ 10,00 por ano, meu yield é de 50%. Assim, em tese, empresas que apresentam um grande yield e um pequeno payout, são vantajosas para o investidor. Além de estar retendo o lucro com a finalidade de crescimento futuro da receita, ainda trazem um bom retorno financeiro ao investidor.

O  payout e os dividendos são definidos na política de dividendos da entidade, mas o yield sofre uma forte influência do investidor, haja vista quanto maior o preço pago pela cota, menor será o yield e quanto menor, maior será o yield. O yield de uma ação que retorna R$ 10,00 anuais vai depender do preço pago por ela. Se pagar R$ 100,00, temos um yield de 10%. Se pagar R$ 50,00, teremos um yield de 20%. Com esses conceitos, uma possível estratégia seria encontrar empresas com um payout razoável por um preço justo (deixar a ordem de compra até ser fisgada).

Considero que os dividendos são um retorno mais seguro que um futuro aumento do valor da cota, já que o prazo influencia o risco de mercado: quanto maior o prazo, maior o risco. Todavia, não desejo ser sócio de entidades com a receita estagnada. Entre uma empresa com uma boa distribuição de dividendos com a receita estagnada e um fundo de investimento imobiliário, prefiro um FII. Dessa forma, “sigo os relatores” e tenho preferência por ações de grande yield e pequeno payout. Ou seja, empresas que mantêm o equilíbrio entre a distribuição e a retenção dos lucros, mas que me tragam um bom retorno frente ao valor justo pago.

LPA, P/L e PSR: como analisar dre #8/10

Estamos rumo ao final da séria ligada ao desempenho das ações. Estamos no oitavo post sobre o tema. Pulei um número na sequência por que não numerei o primeiro post da série. Portanto, não se preocupe em achar o post de análise de DRE número 7. Os conceitos que se seguem são fruto de pesquisa. Durante as pesquisas para escrever este post, aprendi bastante. Leia até o final, pois deve haver algo útil.

Os investidores no afã de tomar decisões de investimento de forma racional buscam indicadores para dar suporte as suas decisões. O LPA, o P/L e o PSR são alguns deles, que serão apreciados neste post. A sequência é a mesma da apresentação.

LPA

O LPA ou lucro por ação é, como o nome sugere, o lucro da entidade dividido pelo seu número de ações. Se uma entidade possuir o lucro de R$ 1.000,00 e seu capital for composto por 1000 ações, a entidade possui um LPA de R$ 1,00. Esse valor, em si, não é bom, tampouco ruim. Significa única e exclusivamente o LPA é de R$ 1,00.

LPA = Lucro Líquido do Período / Número de Ações da Empresa

Uma ação com LPA maior que outra é uma opção melhor? Não. Reflita que se cada entidade tivesse o dobro de ações que possui, o LPA cairia pela metade. Resumindo, não serve nem mesmo para comparar empresas de um mesmo setor por esse indicador, haja vista cada empresa emitir o número de ações que achar mais interessante. Abaixo, o LPA de alguns bancos.

ITUB3 BBAS3 BBDC3 SANB3
R$ 3,10 R$ 2,80 R$ 2,46 R$ 0,81

O lucro por ação, normalmente, é utilizado como parâmetro para outros indicadores como o próprio P/L.

P/L

O P/L ou preço por lucro é a atual cotação de uma ação dividida pelo LPA. A atual cotação da BBAS3 é de R$ 27,84. Então, o seu P/L é de 9,94 (=27,84/2,80). Quase a totalidade dos investidores interpretam que tal indicador representa a quantidade de exercícios que levará para obter o retorno do que foi investido. No caso da compra da BBAS3, seria de quase 10 anos.

P/L = Preço da Ação / LPA

Cabe registrar que, embora seja  a ideia seja plausível, esse indicador utiliza dados do passado e, portanto, não reflete, de fato, o prazo em que o investidor terá o retorno do que foi investido. Além disso, não é por que a entidade obteve determinado LPA que irá distribuir tudo para os acionistas ou mesmo que as cotas serão corridas proporcionalmente pelo mercado, questão completamente imprevisível.

Isso posto, encontrei um artigo interessante do Instituto Assaf (http://www.institutoassaf.com.br/downloads/ANALISE_24_NOVEMBRO_2010_v2.pdf) que traz uma visão interessante sobre o indicador. Afirma que embora o indicador P/L não possa ser utilizado como payback (tempo que o investimento levará para trazer o retorno para o acionista), fornece duas informações interessantes:

  1. Quanto maior o P/L, menor é o risco. O indicador representa a inversão da rentabilidade frente o preço e, portanto, é um indicador de risco invertido. Segundo o instituto, “O P/L, em verdade revela duas importantes conclusões. Quanto mais
    baixo for o índice, mais alto é o seu risco. P/L mais alto revelam menor risco ao investidor”. Assim, para indicar o risco de forma direta podemos utilizar o L/P;
  2. Em um determinador setor, quanto maior for o P/L de uma empresa com relação às suas concorrentes, maior é a projeção da capacidade de criação de valor que o mercado atribui para a entidade.

Então o indicador oferece duas grandes informações: RISCO e CAPACIDADE DE GERAÇÃO DE VALOR, o que vai de encontro com o pensamento de vários investidores. Quando comecei a investir, um colega me disse: é o “prazo para a ação se pagar”. Além disso, em pesquisas mais frágeis, foi o que encontrei na internet. Portanto, talvez valha a pena comprar ações de empresas com um P/L alto se ela demonstrar, por exemplo, crescentes market share, lucro, patrimônio líquido, ativos etc.

Dentre várias diferenças, as mais marcantes entre ações ordinárias e preferenciais, temos que as ações ordinárias possuem TAG ALONG, enquanto que as ações preferenciais possuem um direito superior em relação à dividendos. Gurus como o Bastter dão preferencia a ações do tipo ON, porém, isso deve ser avaliado pelo investidor, uma vez que as ações PN podem ter um TAG ALONG tão alto quanto às ações ON.

ITUB3 ITUB4 ITSA3 ITSA4
10,51 11,52 7,9 8,12

Acima, o P/L de alguns empresas do setor bancário. Levando em conta a posição do Instituto Assaf, percebe-se que o mercado dá preferência as ações preferenciais nos casos acima (P/L mais altos). Analisando mais atentamente, os quatro títulos acima possuem TAG ALONG de 80%, porém divergem no Dividend Yield: as ações preferenciais apresentam um yield maior. Ou seja, as ações PN levam vantagem quando observados esses dois quesitos.

Enfim, não é por que o P/L está baixo ou alto que a ação está barata ou cara, haja vista algo ser caro ou barato vai depender do referencial, do investidor (Like Dilma). A ideia que se deve ter em mente é a de que se esta comprando um pedaço de uma grande infraestrutura com um potencial de geração de capital. Cabe a cada investidor avaliar avaliar a liquidez, o retorno e o risco.

PSR

O Price to Sales Ratio (PSR) representa o preço de aquisição da cota pelas vendas da entidade, sua receita líquida. Funciona similar ao P/L, mas utiliza a receita líquida no lugar do lucro. Algo como P/R, onde R representa a receita líquida. Cabe ressaltar que esse indicador não é utilizado em empresas do setor financeiro, uma vez que não há receita líquida.

GRND3  LAME3 WEGE3 EZTC3
3,61 1,1 3,23 5,69

Quem acompanha os posts da série análise de DRE já tem conhecimento razoável da estrutura desse relatório. É uma demonstração vertical na qual a primeira linha é a receita bruta e a última, o lucro líquido. Entre essas linhas há uma séria de deduções e acréscimos como custos, despesas e receitas até se chegar ao lucro. Ao final, dividi-se o lucro líquido do exercício pelo número de ações emitidas para se chegar ao LPA.

Embora o PSR seja menos popular que o P/L, acredito ser mais confiável, haja vista sofrer menos influência de questões pontuais como a venda de algum ativo de valor relevante. Hipoteticamente, se a Coca-cola vender a própria marca, certamente terá um dos maiores resultados da história em números absolutos, ensejando um P/L tendendo a zero (considerando um preço estático).

Por outro lado, a receita advinda da comercialização de seus produtos permanecerá inalterada. Dessa forma, o PSR é um indicador mais constante e confiável que o P/L. Todavia, não pode ser utilizado de forma isolada, pois desconsidera o efeito financeiro no resultado, que fica em linhas intermediárias da demonstração. Ou seja, uma empresa pode apresentar um PSR pequeno (ótimo), mas um gigantesco P/L.

Considerações

Além dessas há outros indicadores que serão vistos em outros posts. Porém, estes já auxiliam bastante na tomada de decisão. Outros indicadores interessantes são os ligados ao endividamento da entidade, resultados financeiros, indicadores de crescimento e outros. Se tiver ciência de algum indicador interessante, pode deixar uma comentário que poderemos fazer alguns comentários e, quem sabe, sai um outro post.

Obrigado pela visita!

Níveis de Governança Corporativa – B3

Os níveis de governança corporativa são um conjunto de mecanismos que visam proteger os acionistas de arbitrariedades dos diretores, conselheiros e executivos, uma vez que nem sempre seus interesses estão alinhados com os de seus acionistas. Em outras palavras, os interesses pessoais dos agentes administradores e gestores podem estar em conflito com os dos acionistas e há uma tendência das pessoas se beneficiarem em detrimento dos outros.

O último post falou sobre o caso Enron, que talvez seja o mais emblemático do mercado americano. Em terras brasileiras, exemplo é o que não falta, sendo o mais recente o caso Petrobrás. O problema nacional não é gestor corrupto, mas o governo corrupto. Quando uma empresa tem participação governamental, normalmente, considera-se um sinal de alerta.

Na B3, há vários níveis de governança corporativa, desde os de transição, até níveis mais efetivos. Este post tem como escopo tratar das empresas que estão com ações negociadas no mercado e, portanto, trataremos do Bovespa Mais, Nível I, Nível II e o Novo Mercado.

O Bovespa Mais é um nível transitivo e é incorporado por empresas que desejam abrir o seu capital (Initial Public Offering – IPO), mas necessitam diluir seus custos e se adaptar, uma vez que a abertura de capital faz com que as empresas sofram mais cobrança por parte dos novos proprietários da empresa, além de uma intensa e transparente comunicação. Nessa modalidade, os investidores podem ir monitorando os resultados da empresa, enquanto a empresa consegui abrir o capital em etapas.

O Nível I de governança corporativa é relativamente simples, pois exige apenas uma maior comunicação com os investidores e que, no mínimo, 25% das ações estejam disponíveis para free float, inicialmente, por IPO e, depois, no mercado secundário. Essas garantias trazem mais segurança ao investidor, uma vez que tendem a ter acesso às informações com mais facilidade. Os 25% mínimos de ações em circulação, no entanto, não asseguram volume de negociação. Há empresas que estão listadas na bolsa meramente por questões tributárias ou legais, mas seus proprietários simplesmente não negociam os títulos na bolsa.

O Nível II de governança corporativa tem as mesmas exigências do Nível I acrescido de outros requisitos. Um ponto que deve ser atendida é a convergência das demonstrações contábeis às normas internacionais, que são discutidas mundo afora e já estão bem maturadas. Um dos itens mais interessantes é o direito que os acionistas minoritários se igualar ao dos controladores na troca de controle acionário. O tag along garante ao minoritário valor idêntico ao recebido pelo controlador caso seja de 100%, bem comum no caso de ações ordinárias.

O Novo Mercado, mais alto nível de governança corporativa brasileiro, é formado por empresas que excedem as exigências da legislação, no que tange à governança corporativa, e que garantem o direito dos acionistas. Um ponto interessante é que as empresas listadas no Novo Mercado somente podem emitir ações ordinárias, o que por si só já dá certa segurança aos acionistas no caso de venda do controle acionário.

 

Risco de Mercado: Uma introdução. Brasil e ETFs.

Risco significa que é possível que algo indesejado ocorra. Quando o investidor aplica o seu dinheiro, ele espera ter um retorno daquele investimento. Assim, no contexto dos investimentos, risco é a possibilidade de que as expectativas do investidor não se confirmem.

No mercado, os analistas analisam, normalmente, cinco riscos: mercado, crédito, liquidez, operacional e legal. O escopo deste post é tecer comentários sobre o risco de mercado.

Basicamente, o volume (quantidade) e a amplitude da variação do preço e o prazo do investimento perfazem o risco do mercado. Se um ativo tem seu preço alterado a todo momento, há risco de mercado. O câmbio, por exemplo, varia diariamente, ainda que alguns centavos.

Sobre a amplitude, temos o exemplo recente da JBS. Em outubro de 2016, JBS chega a cair 20% e lidera quedas do dia na Bovespa. Há 7 dias, ação da JBS cai mais de 25%. Já há 3 dias, JBS sobe 22%. Além do volume da variação ser grande, a amplitude também é acentuada. Tais fatos caracterizam esse ativo e, portanto, extremamente volátil, arriscado.

Essa volatilidade, aliás, é característica da bolsa brasileiras, que é considerada especulativa por algumas agências, basta colocar no Google Rating Mood’s Brasil: Moody’s rebaixa perspectiva de rating do Brasil para negativa. Ou seja, boa parte das empresas do país variam demais o preço, tem muita volatilidade, muito risco, são pura especulação. O risco de mercado ou volatilidade é, aliás, característica da B3, a antiga BM&FBovespa.

Nesse contexto é que os ETFs entram no Brasil: especulação. Ora, uma empresa pode cair até não valer mais nada, vide Eternit. Até o ponto de não conseguir mais recuperar o seu preço. Já os ETFs, podem cair, cair e cair que não vão quebrar, pois não são empresas. Em cenários baixistas, compra. Em altistas, vende e realiza o lucro. Simples assim.

O prazo do investimento também deve ser levado em consideração. Quanto maior o prazo, maior tende a ser a volatilidade. Nesse contexto, se torna interessante ressaltar que nem todos os títulos públicos são seguros sob o ponto de vista do risco de mercado.  Veja aqui o quanto o preço dos títulos Tesouro IPCA+ variam. É por isso que, pelo menos num curto prazo, depois de ter ajustado as minhas finanças, não pretendo aplicar em Tesouro IPCA. Certa vez vi o Bastter comentando que não existe investimento no curto prazo (Tesouro Selic), mas só no longo (Tesouro IPCA+). Discordo, ambos são investimentos, o Selic menos arriscado por ter menor risco de mercado, o IPCA+ mais arriscado pelo motivo inverso.