Aporte #9/360 e Minhas Sardinhagens

Desculpem a ausência. Estou estudando muito para os concursos de auditor fiscal. Sinto que meu cérebro sairá por algum buraco no meio da minha cabeça. Depois que meu patrimônio aumentou, meu nível de ansiedade aumentou bastante. Fico com a sardinhagem de achar que vou ganhar mais com determinado papel e giro.

Sinto que fiz boas trocas até o momento e que agora a carteira está se estabilizando, ficando em um formato que me agrada. Sei analisar as demonstrações contábeis e, então, consigo perceber se uma empresa é saudável ou não, bem como sou capaz de alisar indicadores financeiros. Conjugo essa análise com os critérios do Bazin: empresas com dívidas em níveis aceitáveis e consistência na distribuição de dividendos. Também por isso gosto de FIIs: proventos.

Neste mês, meu aporte foi de pouco mais de R$ 600,00. Fiz a reserva do VISC11, que é um FII de shopping que possui participação em vários imóveis e uma boa diversificação geográfica. Com a queda da taxa de juros e uma boa perspectiva da economia, ainda que meramente subjetiva, espero bons proventos e um bom cap. rate. Estou ansioso para saber o quanto o fundo conseguiu captar e o que irá fazer com o recurso: se vai pagar dívidas ou adquirir mais imóveis. Caso performe bem, deve ser um dos principais ativos da carteira nos próximos anos.

Ativo Quantidade Preço Unitário(R$)
VISC11 6 100,10

É certo que estamos em um bull market, mas o problema é resolver a questão: até quando? A renda variável vem apresentando um desempenho amplamente superior ao CDI. Então, estou aumentando minha exposição paulatinamente, quando vejo oportunidades. Gostei bastante de Sanepar e quando caiu por causa da desmontagem de posição de tubarões, ele caiu e eu comprei. Afinal, a sardinha pode se alimentar dos restos dessas criaturas imensas e ainda sim se dar bem.

Até o próximo post, provavelmente, terei zerado minha exposição à renda fixa. Pretendo não me expor mais a esse tipo de ativo: é muito monótono para mim. No futuro, no máximo papéis atrelados ao IPCA. Selic servirá apenas para capitalizar o suficiente para comprar ativos de um valor incompatível com meus aportes.

Outrossim, percebo que venho performando bem. Acredito que o próximo passo é cotificar a carteira, pois utilizar a taxa interna de retorno daria um trabalho muito grande, coisa que não quero pra mim. Investir não só nos aproximas da liberdade real, como também nos diverte e nos entretêm. A cada dia aumenta a minha satisfação com investimentos.

Talvez alguém possa dizer: ele só pensa assim por que estamos em um bull market. Na verdade, não. Atualmente, foco em duas coisas: aumentar o número de papéis e a renda média mensal. Claro, ninguém aprecia ver seu patrimônio ser diminuído e adorei quando em questão de minutos minha carteira aumento R$ 2.000,00 pela subida de +8% de sapr3, mas não é o meu principal foco. De fato, mal posso esperar a próxima crise. Comprar papéis como GRND3 e QUAL3 próximos do valor patrimonial, já pensou?

Lembro quando GRND3 estava valendo a metade de agora: eu não tinha nenhum real no bolso e ficava olhando e orando para ter algum dinheiro antes que subisse, pois eu sabia do potencial. Infelizmente, não deu tempo. Ano retrasado, salvo engano, eu também olhava QUAL3 com olhos brilhantes. Não deu. Acredito, sem muita objetividade, que estamos em um bull market que permanecerá por alguns anos. Então, vamos surfando.

A carteira agora é o que está a baixo. Como disse, ainda estou formatando a carteira. Atualmente minhas dúvidas são: Pesando todos os fatores que acredito serem importantes, GEPA3 pode valer a pena? SAPR3 realmente é a opção que eu penso que é? Será que o EBITDA da UNIP3 vai explodir? Será que UNIP3 merece maior participação na carteira? Introduzo HGBS11 e HGLG11? Enfim, desculpe a minha sinceridade, mas é que sou sardinha todo.

Ativo Quantidade
Tesouro SELIC 2,51
ABCP11 59
FFCI11 16
FIGS11 24
FIIP11B 23
GEPA3 200
GGRC11 30
ITSA3 1.000
KNRI11 14
SAPR3 1.200
UNIP3 200
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Aporte #8/360

Olá! Quem acompanha o blog sabe que eu dei uma sumida. Estou resolvendo várias questões pessoais. Meu filho começou a ir pra escola, minha filha nasceu e agora está doentinha. Estou aprendendo a investir com um volume maior de dinheiro na marra, uma vez que recebi parte de uma ação que movi contra a seguradora Sul América por ter pagado o seguro, que eu era beneficiário, para a outra pessoa. Enfim, muita coisa acontecendo. Não estou conseguindo estudar, nem ir pra academia, nada…

A carteira aumentou um pouco justamente pela grana que recebi. Seguindo o Plano de Ação de 2017, paguei várias dívidas e deixei outras para serem finalizadas. Estou bem com o orçamento bem mais estável. Tenho ciência de que não consegui isso sozinho, essa ação judicial, fruto de um seguro que meu falecido pai me deixou me ajudou tremendamente. Entretanto, sei que se eu tivesse esse dinheiro antes, eu o teria gastado em vão.

Aporte #8

Como equilibrei minhas finanças, aumentei meu aporte para 10% da minha renda. Dessa forma, acredito conseguirei acelerar a chegada à terra prometida.

Ativo Quantidade Preço Unitário(R$)
FFCI11 3 176,51
ABCP11 5 17,20

Meu racional, no FFCI11, foi o simples fato de ele ter sido o único ativo da carteira que teve uma queda no dia. Já o ABCP11, eu o utilizo como uma espécie de reserva de valor. O que sobra, coloco lá. Quando preciso de algum trocado para inteirar a compra de algum ativo, recorro a essa reserva.

Agora a carteira está mais recheada. Já fiz o que todos recomendam não fazer: girei várias vezes. É quase inevitável. É mais forte que eu. Quando vejo uma valorização logo penso que vai desabar e realizo o lucro.

Segue a carteira simplificada. Não tenho tido tempo para firulas. No futuro, pretendo cotificar meu patrimônio, comparar com a inflação e fazer mais melhorias no post de aporte/fechamento.

Ativo Quantidade Preço Unitário (R$)
Tesouro SELIC 4,02 9.058,13
ABCP11 44 17,38
FFCI11 16 178,50
FIGS11 17 80,20
FIIP11B 23 187,99
GGRC11 30 119,29
KNRI11 14 150,55
EGIE3 190 36,94
GRND3 200 28,00
ITSA3 630 10,29
SAPR3 500 9,21

Outra coisa, resolvi tirar meu imóvel daqui por não ser um ativo financeiro. Abraço! Sigamos com fé!

Dívida Líquida/EBITDA. Um estudo sobre o nível de endividamento de empresas – DRE #9/10

Quando analisamos empresas, um ponto chave é o seu nível de endividamento, uma vez que o resultado financeiro pode transformar um bom desempenho operacional em prejuízo. Veremos um pouco de história para entender o porquê de  o múltiplo dívida líquida por EBITDA é o mais importante indicador endividamento. Coloquei este tópico junto com outros sobre DRE por utilizar o conceito de EBITDA.

Com a Revolução Industrial (1.760-1.840), tivemos uma revolução na produção de bens de consumo. Anteriormente, a produção era artesanal e acabava que cada um era dono do que produzia e podia comercializar por si. A partir da revolução, os donos do capital puderam adquirir maquinário e contratar pessoas para trabalhar. Só havia duas opções: produzir artesanalmente e vender por si, o que ensejaria uma renda imprevisível, ou trabalhar para os capitalistas.

Nessa época, o valor da empresa estava intrinsecamente ligada a seu ativo imobilizado: suas máquinas, galpões destinados à produção e veículos de transporte e, portanto, para se estudar o endividamento dessas indústrias, bastava comparar seu nível de endividamento com o seu valor patrimonial (VPA).

Entretanto, a última revolução transformou o patrimônio em algo, por vezes, secundário. Vivemos na era da revolução da informação. Uma época em que comumente a informação é o próprio patrimônio, a própria fonte de renda e o próprio recurso. Comparar a dívida de uma entidade com o seu patrimônio pode ser algo tolo de se fazer em certos contextos.

Nesses casos, o indicador mais utilizado certamente é o (Dívida Líquida)/EBITDA. No livro FAÇA FORTUNA COM AÇÕES, pág. 61, Décio Bazin afirma que aprendeu duas grandes lições em um livro chamado AÇÕES & PRECAUÇÕES – de Gerard Haentzschel:

  1. Para investir no mercado acionário ninguém precisa saber mais do que as quatro operações aritméticas; e
  2. Um investimento vale pelo rendimento que proporciona.

O indicador de endividamento proposto atende justamente essa ideia. Pois bem, vamos analisar a fórmula. A forma como se calcula o EBITDA já foi detalhada no post sobre o tema. No entanto, o cálculo da dívida líquida será explicado a seguir.

Dívida Líquida = Dívida Bruta – Caixa ou equivalente de caixa

Dívida Bruta é, em termos simples, tudo que entidade deve a seus fornecedores, investidores, debenturistas, empregados e outros interessados e é caixa ou equivalente todo dinheiro em caixa, valores em conta corrente, títulos imediatamente convertidos em dinheiro e similares. Ou seja, a dívida líquida é a dívida bruta menos as disponibilidades imediatas da empresa em termos matemáticos.

Não significa que para o conceito de dívida líquida ter validade, a empresa terá que realmente amortizar parte de suas dívidas com o seu caixa, mas apenas uma avaliação que atenua a dívida, pois há recursos para isso.

Como o próprio nome do múltiplo sugere, para se calcular esse indicador basta dividir a dívida líquida pelo EBITDA.

Nível de Endividamento = Dívida Líquida / EBITDA*

O EBITDA representa o resultado operacional da empresa, ou seja, o que ela conseguiu gerar de valor agregado. Então, o indicador representa quantos exercícios seriam necessários para pagar a dívida desconsiderando outros fatores, notadamente, os impostos. Agora, aplicaremos esse indicador a algumas empresas para fins de consolidação do entendimento. Alguns dos dados serão retirados do site OCEANS14, enquanto que outros do Fundamentus.

*Considera-se o EBITDA acumulado dos últimos 12 meses.

Estudo de endividamento de TRPL4 e TAEE11

É interessante ressaltar que os múltiplos são melhor aplicado na comparação intrassetorial, uma vez que comparar empresas de setores diferentes pode gerar um entendimento problemático do nível de endividamento da empresa. TRPL4 e TAEE11 foram os papéis escolhidos nesta seção e ambos são do subsetor de transmissão de energia elétrica.

Código Dív. Brt. Disp. Dív. Líq. EBITDA* Nv. End.
TRPL4 1.288 259 1.029 7.967 0,13x
TAEE11 3.412 84 3.328 883 3,76x

*Por questão de praticidade, utilizei o EBIT no lugar do EBITDA (não precisei fazer cálculos para obter).

No quesito endividamento, fica evidente que TAEE11 está em um nível de endividamento superior ao da TRPL4. Entretanto, sabe-se que ela não está em uma situação muito grave devido o seu contexto. Ademais, utilizamos o EBIT no denominador, que é menor que o EBITDA. Caso utilizado o EBITDA, o múltiplo de ambas as empresas seriam menores. Entretanto, para fins de comparação, mantivemos a simetria.

Considerações Finais

 É muito comum o entendimento de que um múltiplo dívida líquida / EBITDA se situa em faixas:

  • O endividamento <= 2x é confortável;
  • O endividamento > 2x e < 3,5x é aceitável; e
  • O endividamento > 3,5x é considerado preocupante.

No entanto, cada empresa tem o seu contexto, mais do que avaliar o nível de endividamento da empresa que está sendo estudada com as concorrentes do setor, é acompanhar o endividamento, os motivos dele, as aplicações dos recursos, bem como a composição da dívida.

No mundo dos investimentos, não há fórmulas infalíveis. Utilize o indicador com parcimônia. Abraço!

Imposto de Renda em FIIs – Como declarar e pagar

Recentemente, vendi o fundo BRCR11 por R$ 106,00 quando o  havia comprado por R$ 96,66. Os fundamentos do FII, na minha visão, estavam péssimos. Senti um alívio, mas veio a ressaca: como declarar e pagar o IR da venda desse fundo de investimento imobiliário?

Encontrei várias alternativas na internet, das mais extensas, que chegavam a criar um monstro para vender solução, às mais concisas, que eram concisas demais. Então, optei por fazer um resumo, nem tão resumido assim, que me ajudasse nessas tarefas. Aqui vai.

Como declarar o Imposto de Renda nos FIIs

Eu conheço 3 formas de se ganhar dinheiro com FIIs: recebendo proventos, recebendo amortizações e vendendo a cota por preço superior ao de compra. Detalharei cada uma dessas formas. Porém, antes disso, acentuo que deve ser registrada a propriedade de FIIs quando da declaração anual do imposto de renda. No programa de declaração da Receita, declare as cotas com o código 73 – Fundo de Investimento Imobiliário no menu “Bens e Direitos”.

bens e direitos

Os rendimentos mensais, quando houver, devem ser declarados no menu Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Os valores e seus códigos serão encontrados nos informes de rendimento de cada fundo imobiliário enviados pelo administrador do fundo. O ideal é que o investidor destine algum tempo a essa atividade, pois esse é um ponto sensível e requer certa precisão.

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Já no caso de amortizações, o administrador do fundo retém o imposto de renda, mas ainda sim é preciso declarar. Para declarar, o contribuinte deve acessar o menu “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”. O código é o 6, “Rendimentos de aplicações financeiras”. Basta clicar naquele botão com um cifrão. Há dois campos para se preencher: Especificação e Valor. Especificação pode ser “Amortização do fundo tal”, enquanto que valor o montante amortizado.

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Como pagar o DARF na venda com lucro

No caso de venda com lucro, há a incidência de IR de 20% sobre o lucro independente de quanto ele seja. A União recolhe esses valores por meio de DARF cujo código é 6015. Para fazer o cálculo, faça o preço médio de venda menos o preço médio de compra. O valor, se positivo, deve ser declarado.

Em linhas gerais, o procedimento é o seguinte:

  1. Acessar a aplicação da receita;
  2. Selecione a opção “Pagamento”;
  3. Insira o código 6015;

No formulário há um campo de nome Principal. Aqui deve ser preenchido com o valor de imposto de renda devido. Para ter um detalhamento de como pagar o imposto, clique no link: http://blogdouo.blogspot.com.br/2014/07/como-preencher-darf-venda-de-fiis.html.

 

PEG Ratio – Quando comprar uma ação?

Primeiramente, quero registrar que este é um dos posts deste blog que valem a pena ser lidos. Então, leia até o final e, se possível, comente. Isso faz muita diferença. Seja avançado ou novato, dê uma forcinha comentando ou compartilhando. Gosto muito desse indicador e acho que pode ser útil pra você também. Vamos lá.

Eu, como estudante de ciências contábeis e amante do mundo financeiro, venho analisando demonstrações financeiras há um tempo razoável. Estou contabilidade há 2 anos e há um ano e meio estudo para ser auditor fiscal. Então, tenho uma noção, ainda que pequena, sobre demonstrações.

As demonstrações financeira dizem muito sobre a saúde financeira de uma empresa. Se as demonstrações são boas, a empresa deve ter feito o que é certo. Todavia, notei uma grande deficiência no meu conhecimento. Se você quer entender bem e não comprar errado é preciso ter a capacidade de entender de economia, do setor em que a empresa atua, analisar as demonstrações financeiras e, com isso, saber o que e quando comprar.

Quando percebi isso, até um comentário do Mestre dos Dividendos no post sobre preço médio (leia depois) acentuou essa percepção. Certo, sei avaliar se uma empresa é boa ou não, mas e por que preço comprar??? Sabe, mesmo que se compre um excelente ativo, se o preço for alto, você fez um péssimo investimento, haja vista o seu retorno ser pequeno.

Quando encontrei o PEG Ratio fiquei bastante feliz. Pela primeira vez tive a noção de um indicador que me mostrasse a luz no fim do túnel. Basicamente ele vai fazer uma avaliação sobre o potencial de retorno de uma ação, ou seja, se está na hora de comprar ou não.

O que é o PEG Ratio

PEG Ratio significa razão preço por lucro por crescimento. O famoso P/L (Preço/Lucro), em inglês, é P/E (Price/Earnings). Em outras palavras, o PEG leva em consideração três parâmetros: o preço, o lucro E a taxa de crescimento da receita e isso faz toda a diferença.

PEG = Cotação da ação / Lucro por ação / Taxa de Crescimento da Receita

Resumindo, um preço sobre o lucro baixo é interessante, mas é muito interessante levar em conta o crescimento ou decréscimo da receita. Ora, obviamente, quanto maior a taxa de crescimento da receita, maior tende a ser o lucro.

Veja, nem sempre um P/L de 10 vai ser interessante. Se a taxa de crescimento anual da receita for 0,5%, talvez essa ação não seja um bom negócio. Agora, se a taxa de crescimento for de 35%, essa pode ser uma grande compra. Veja, esse indicador não prevê o futuro, mas pode ajudar bastante.

Estudo de caso

Avaliei algumas empresas que acredito estarem saudáveis e depois apliquei esse indicador. Percebi que algumas empresas saudáveis seriam boas compras, outras nem tanto. Então, elaborei alguns exemplos. Interessante observar que todos os valores foram tirados do site fundamentus.com.br.

 Código Preço (R$) Lucro (LPA-R$) Tax. Cresc. (%) PEG Ratio*
 KROT3 14,75  1,08  39,5  0,34
 ABEV3  18,02 0,76 2,8  8,47
 ITUB3 32,28 3,10 10,2  1,02
 BBDC3 27,28 2,46 21,3  0,52
 WIZS3 18,90 0,99 16,6  1,15
 ALUP3 6,49 0,38 5,4 3,16

* O PEG foi calculado como exposto no tópico anterior.

Apenas para fins de estudo deste indicador e considerando apenas seu funcionamento e nada a mais, as melhores compras seriam KROT3 e BBDC3. Já ABEV3 e ALUP3 seriam as piores compras. Cabe registrar que escolhi somente empresas que considero excelentes. Porém, nem sempre o que queremos está no preço que acreditamos ser justo e é ai que o PEG pode ajudar na identificação dessas oportunidades.

Interessante é que quinta-feira o ITUB3 apresentava uma margem de segurança quase tão boa quanto a do BBDC3, porém essa margem desapareceu, restando apenas pagar o valor justo pela ação: quando o PEG está próximo de 1.

Enfim, enquanto não começo a estudar o valuation, pretendo fazer uso ostensivo desta ferramenta. Claro que utilizarei apenas em empresas excepcionais, ou seja, após um filtro aplicado nas demonstrações financeiras. Era isso, espero que tenha gostado. Deixe seu comentário!

Preço Médio no Mercado de Capitais

Comecei a investir esse ano e o que mais me chamou atenção foi a constante necessidade de buscar conhecimento. Cada coisa que eu aprendo indica que devo aprender mais para tomar decisão de forma consciente. Então, tento escrever sobre assuntos que estão na minha linha de aprendizado. Esta semana, escrevo sobre a estratégia do preço médio e seus impactos.

A preocupação de não comprar no topo e de não vender no fundo é fustigante. Com isso em mente, observei vários professores como o Bastter e o Tetzner afirmando como nunca se deve entrar ou sair bruscamente de um ativo; a compra e a venda de um ativo deve ser paulatina, sistemática. Sempre me perguntei o porquê disso. Depois de muito refletir, achei a resposta: justamente para evitar a compra no topo ou a venda no fundo.

Todo iniciante acredita na ideia de comprar na baixa e vender na alta. Esse é um pensamento óbvio. Porém, de difícil execução, pois nunca se sabe qual o real valor de um ativo e, portanto, nunca se sabe se este título está caro ou barato. Veja, nem o próprio contador tem com precisão o valor patrimonial da entidade que controla, imagine o pequeno investidor.

Nesse contexto, entra a estratégia de compra conhecida como preço médio. Tal método consiste na compra sistemática de títulos mobiliários por valor e intervalo de tempo pré-determinados. Utilizando a estratégia do preço médio, seria bastante improvável que tanto a compra seja realizada sempre no topo, quanto a venda, sempre no fundo. Assim, essa técnica auxilia investidor que não possuem conhecimento suficiente para detectar os melhores momentos de entrar ou sair de um ativo.

O preço médio é calculado como a média aritmética dos preços pagos nas diversas compras de determinado título. Por exemplo, se uma cota foi comprada por R$ 10,50, outra por R$ 15,00 e outra por R$ 20,50, o seu preço médio é de cerca de R$ 16,00. Com essa informação, é possível verificar a rentabilidade da carteira, pois se o valor de mercado da cota for R$ 17,60, significa que houve uma rentabilidade de 10% sobre os R$ 16,00. Assim, fica fácil notar que a partir do preço histórico, obtém-se o preço médio e é possível aferir a rentabilidade da aplicação.

A avaliação do Dividend Yield (DY) pode ser calculado com base no preço médio e com base na cotação atual. Ao aferir o DY frente ao preço médio, temos uma avaliação de rentabilidade da ação. Entretanto, ao calcular o DY do papel frente à cotação atual, temos um indicador que nos possibilita uma reflexão sobre manter ou não a posição no papel: há papéis que me oferecem melhor retorno? Para aqueles que focam nos dividendos, esses dois DYs são relevantes para reavaliar a posição.

No que tange ao Imposto de Renda, tributo de competência da União, a sua base de cálculo é justamente o valor da venda dos papéis que forem vendidos acima do preço médio (no caso das vendas ultrapassarem R$ 20.000,00 no mês). Embora seja interessante a utilização do preço médio na avaliação da rentabilidade e no cumprimento de obrigações fiscais, tal estratégia deve ser refutada como forma de reduzir o prejuízo na aquisição de títulos que caem de valor.

Há pessoas que acreditam que comprar papéis de sua carteira que estão se desvalorizando irá diminuir o prejuízo, o que não é verdade. De fato, o preço médio irá cair, uma vez que os papéis estão sendo adquiridos por um preço abaixo que antes, porém o prejuízo na compra dos primeiros papéis será mantido. Não há mágica, apenas um problema de interpretação dos números.

Enfim, dos vários pontos analisados, o mais importante é ir se posicionando ou se desfazendo da posição vagarosamente, seja observando o preço médio ou não. Deixo um vídeo do Bastter descrevendo cada um dos aspectos de aplicação do preço médio. Como sempre, drástico, ele afirma que o preço médio não serve para nada além do IR. Enfim, vale a pena conferir.

 

Dividendos, Dividend Yield e Payout. Vantagens e Desvantagens.

Tenho recebido vários e-mails da Suno Research, que vem fazendo uma bela campanha de marketing. Apropriando-se da imagem de Luiz Barsi para incutir a ideia de que os dividendos são a cereja do bolo, de que investindo em empresas de dividendos o retorno é bem maior. O interessante é que o trabalho não é só marketing, acredito ter aprendido coisas interessantes em seus materiais gratuitos. Para os mais avançados, no final das contas, talvez seja só mais “material de manada”. Enfim, li e gostei de algumas coisas que li. Talvez eu assine.

Conforme fui avançando nos estudos sobre empresas, negócios, ações, fundos e outros títulos privados ou públicos, fui deixando essa tara de dividendos de lado e fui atrás de entender como formar uma carteira. Trabalho cujo esforço ainda é inicial, mas um dia alcanço o nirvana.

Agora, “depois de velho”, voltei a me interessar pelo assunto de dividendos, DY, payout etc. A minha incipiente carteira é formada, atualmente, por FIIs. Isso, por si só, já é um bom indicador de que prezo por uma renda mensal, de que sou rentista. Acho que é natural a dúvida de quem inicia no mundo dos investimentos: qual aplicação? qual prazo? qual índice? Quanto diversificar? O certo é que a chama dos dividendos reacenderam em mim, assim como a dúvida: é possível viver de dividendos?

O desempenho de uma empresa é o resultado da confrontação de todas as receitas, despesas e custos. Após a tributação do resultado, temos o lucro líquido antes do IR, que será tributado pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e, por fim, temos o lucro líquido do exercício. A legislação obriga as empresas de capital aberto a distribuírem, no mínimo, 25% desse lucro. Se essa for a política de dividendos da entidade, diz-se que o seu payout é de 25%. Por exemplo, se a empresa lucrar R$ 1.000.000,00 e distribuir R$ 500.000,00, o seu payout é de 50% e os acionistas recebem esse valor a título de dividendos.

A política de dividendos revela a decisão dos controladores sobre o efeito da distribuição dos dividendos e o futuro da entidade. Alguns acreditam que quanto maior o payout, maior será o preço de suas ações e menor será o custo do capital próprio no caso de novas emissões.Outros acreditam que os dividendos não influenciarão o preço dos ativos. Alguns distribuirão mensalmente, outros trimestralmente, semestralmente ou, comumente, uma vez por ano.

A TAEE11 distribui, com certa frequência, payout superior a 100% inclusive se endividando para isso. Por ser uma transportadora de energia, creio não haver muito o que fazer com os lucros retidos além de distribuí-los. Essa postura, que considera até mesmo o endividamento, mostra a preocupação da Taesa com seus acionistas.

O Bastter, um cara que admiro e aprendo muito com ele, em um de seus vídeos afirma que o dividendo representa um pedaço do valor da empresa sendo distribuído. Nada além disso. Embora eu não concorde com isso, tenho que respeitar a visão desse cara. Pelo nome do vídeo, dá pra entender sua visão sobre o assunto.

Na prática, na fase de acumulação de patrimônio, qualquer investidor abriria mão de um grande payout para ter um aumento da receita, o que enseja a valorização dos papéis. Todavia, as vezes, não é possível aumentar essa receita. Nesse contexto, cabe a análise do controlador sobre qual a melhor destinação do recurso: aplicar em ativos financeiros ou distribuir para aplicação direta por parte do investidor.

Um dos arduos defensores de empresas com alto yield está Luiz Barsi Filho cuja opinião, também não devemos descartar. Ele acumulou toda a sua riqueza escolhendo empresas saudáveis que possuem alto yield.

Alguns teóricos indicam a busca por empresas ditas High Yield, Low Payout como a mais vantajosa, uma vez que evidenciam o comportamento das empresas que regularmente trazem os melhores benefícios aos acionistas. Isso posto, falemos de DY (Dividend Yield). Enquanto o payout representa a proporção dos lucros que será distribuído, o yield representa a proporção entre o preço pago pela ação e o dividendo recebido. Por exemplo, se eu pagar R$ 20,00 por uma cota e receber R$ 10,00 por ano, meu yield é de 50%. Assim, em tese, empresas que apresentam um grande yield e um pequeno payout, são vantajosas para o investidor. Além de estar retendo o lucro com a finalidade de crescimento futuro da receita, ainda trazem um bom retorno financeiro ao investidor.

O  payout e os dividendos são definidos na política de dividendos da entidade, mas o yield sofre uma forte influência do investidor, haja vista quanto maior o preço pago pela cota, menor será o yield e quanto menor, maior será o yield. O yield de uma ação que retorna R$ 10,00 anuais vai depender do preço pago por ela. Se pagar R$ 100,00, temos um yield de 10%. Se pagar R$ 50,00, teremos um yield de 20%. Com esses conceitos, uma possível estratégia seria encontrar empresas com um payout razoável por um preço justo (deixar a ordem de compra até ser fisgada).

Considero que os dividendos são um retorno mais seguro que um futuro aumento do valor da cota, já que o prazo influencia o risco de mercado: quanto maior o prazo, maior o risco. Todavia, não desejo ser sócio de entidades com a receita estagnada. Entre uma empresa com uma boa distribuição de dividendos com a receita estagnada e um fundo de investimento imobiliário, prefiro um FII. Dessa forma, “sigo os relatores” e tenho preferência por ações de grande yield e pequeno payout. Ou seja, empresas que mantêm o equilíbrio entre a distribuição e a retenção dos lucros, mas que me tragam um bom retorno frente ao valor justo pago.