Fórmula CAGR • Lucro, EBITDA e Receita • O mais importante indicador para a análise de investimentos

CAGR é o acrônimo de Compound Annual Growth Rate, em português, Taxa Composta de Crescimento Anual. Como o próprio nome indica, é uma taxa que indica o crescimento ano a ano de determinada característica: mercado, receita, EBITDA, lucro, etc. Em outras palavras, é um indicador fundamentalista macro e será detalhadamente explicado a seguir.

Normalmente os responsáveis pela gestão das empresas fazem afirmações sobre metas a serem alcançadas, que são chamadas de guidelines – linhas guias. Essa guideline é quase que invariavelmente anual. Dessa forma, é possível avaliar a CAGR passada, bem como outros atributos da empresa e do mercado para avaliar se a guideline é factível.

No contexto empresarial, algumas empresas vêm fornecendo em seus relatórios anuais guidelines que evidenciam excelentes CAGRs. Isso quer dizer que há uma excelente expectativa, normalmente, conforme o lucro vai crescendo e atendendo as expectativas, a cotação acompanha e também cresce.

A fórmula passo a passo

CAGR = (((VF/VI) ^ 1/n) -1) * 100

  1. Substituir o VI pelo valor inicialmente aplicado;
  2. Substituir o VF pelo valor atual;
  3. Substituir o n pelo número de meses; e
  4. Realizar o cálculo.

Por exemplo, investi cerca de R$ 9.000,00 em IRBR3 há 2 anos (2.017) e hoje tenho cerca de R$ 32.300,00 nesse investimento. Substituindo na fórmula temos: (((32300/9000) ^ 1/2) -1)*100. Utilizando o auxílio de uma calculadora temos como resultado o CAGR de 89,44%. Ou seja, o investimento quase dobrou em cada um dos anos do investimento.

Uma crítica à fórmula

A CAGR é apenas uma fórmula matemática e, portanto, deve ser analisada com cuidado. Se o CAGR for utilizado durante prazos inconstantes de valorização, isso pode confundir o investidor.

Por exemplo, em um prazo de 10 anos, o crescimento pode estar concentrado nos 3 primeiros anos e vir diminuindo e zerar no último ano. Essa inconsistência não é revelada. Assim, após encontrar um investimento com um CAGR de lucro interessante, depois é extremamente importante verificar o crescimento ano a ano.

O Preço sobre o lucro (P/L) e a sua importância na avaliação do preço de ações.

Dando uma pausa nos meus estudos para o ICMS-GO para escutar o jogo do Palmeiras, decidi aproveitar o momento e escrever sobre um indicador muito interessante: O preço sobre o lucro, que para os íntimos é o P/L (leia-se Pê éle).

O Majestoso Lucro

A melhor indicação de que uma empresa é boa é ter seu lucro crescente e consistente. Existem empresas que seu lucro está crescente, existem algumas que o lucro varia – as chamadas empresas cíclicas – e existem empresas cujo lucro está caindo.

 

Nessas imagens temos um exemplo de cada situação. A Grendene possui lucro crescente e consistente; A Vale mantém seu lucro acompanhando a demanda de seus produtos, que varia por demais; A Eternit, depois de uma série de problemas jurídicos, financeiros e operacionais apresenta um lucro decadente.

O comportamento do lucro representa o nível de dificuldade de avaliação do investimento. Avaliar o investimento na Grendene, que possui lucros crescentes e consistentes, é de simples avaliação, na medida em que há mais chances de seu lucro se manter crescente e consistente que nas outras empresas.

Agora, investir em Vale e Eternit exige um grau de conhecimento muito superior. Enquanto que no primeiro caso há apenas uma avaliação contábil dos indicadores da empresa, neste caso o lucro, nos outros casos exige-se conhecimento em economia e administração.

Se, economicamente, vislumbre-se o aumento da demanda de minérios da Vale, há uma tendência de seu lucro subir, bem como o seu preço. Normalmente, quando há essa situação, o mercado tende a se adiantar com relação ao mercado real e já subir o preço de suas ações. Resumindo, o investidor precisa ter um conhecimento muito maior para comprar ações desta empresa no mercado secundário.

O caso da Eternit é de dificuldade muito superior, haja vista investir nessa empresa representa a visão de uma recuperação dramática para voltar a ter lucro, o que parece ser improvável no momento. Em outras palavras, uma avaliação de que a Eternit vai se recuperar operacionalmente e financeiramente.

Preço – Chato, mas importantíssimo

Há sempre a discussão sobre a importância ou não do preço. A resposta é depende. Em caso de sistemáticas compras mensais, há uma tendência da importância do preço diminuir, haja vista que ao se adquirir o mesmo papel todos os meses, o investidor o comprará de vários preços: as vezes caro, as vezes barato. Assim, o preço não faria tanta diferença.

No entanto, no caso de se investir uma soma maior, faz-se importante avaliar se a ação se encontra em um patamar de preços adequado, pois se o preço cair muito, como no caso da Hering, que já caiu 40% ou mais este ano, o investidor sentirá uma forte pressão para “realizar o prejuízo”.

Há ainda uma terceira visão. Mesmo no caso de aporte sistemático mensal, pode ser interessante avaliar a empresa que apresenta um patamar de preço mais atrativo. Em tese, caso mensalmente o aporte seja destinado a papéis com melhores preços, acaba sendo razoável acreditar em um retorno maior no longo prazo. Mas como saber se o patamar de preços é bom? O P/L pode ser a solução de seus problemas!

P/L Histórico – A chave do negócio

Analisar uma empresa é diferente de analisar uma ação, uma vez que se determinada empresa, por exemplo, aumenta o número de ações por meio de um desdobramento, a quantidade de ações aumenta, mas a empresa continua a mesma em valor de mercado e em todas suas outras características.

É como se cada fatia de uma pizza fosse cortada ao meio. A pizza (empresa) continuaria sendo a mesma, mas o número de fatias (ações) teria aumentado. O ponto é que o conteúdo de cada ação foi alterado para menos em tal evento. Assim, se uma empresa desdobrar suas ações de 1 para 3, o conteúdo que cada ação possui em seu bojo também diminuirá.

Dessa forma, há pessoas que avaliam a empresa em si e há pessoas que avaliam as ações. Do ponto de vista da empresa, o indicador mais importante é o lucro, enquanto que do ponto de vista das ações, o mais importante é o LPA (lucro por ação), que consiste em dividir o lucro da empresa pelo o número de ações emitidas.

LPA = Lucro / Número de ações emitidas

A fim de exemplificar, caso a empresa Maestro possua um lucro de R$ 5.000.000,00 e possua 1.000 ações, o LPA será de R$ 5.000,00, haja vista 5.000.000 dividido por 5.000 ser 5.000. Depois de entendida a importância do lucro para a empresa e do LPA para a ação, chegamos ao link desses valores com o preço da ação por meio do P/L.

P/L = Cotação / LPA

Esse indicador revela o quanto está se pagando pelo lucro da empresa em determinado momento. Quanto menos pagamos pelo lucro da empresa, melhor negócio estamos fazendo se a empresa possuir lucros constantes e crescentes. Em outras palavras, se comprarmos uma ação como a da Grendene, há a tendência do que tenhamos um excelentes retorno, porque com o LPA crescendo, o P/L vai cair em relação ao preço pago.

plwege
P/L histórico

Nessa imagem podemos observar o comportamento do P/L de uma empresa fictícia. É deveras interessante observar o confronto entre o LPA e o P/L. Quem adquiriu tais ações em 2011, viu o LPA crescer consistentemente e, portanto, o seu P/L próprio cair. Mais interessante ainda é observar que com o lucro baixo, o P/L era alto e esses valores variam viabilizando o estudo histórico desses famigerados indicadores. No momento atual, observa-se um lucro por ação crescente (Vermelho) e P/L baixo, ou seja, um aparente ótimo negócio.

Resumindo, um P/L 9 não necessariamente é caro ou barato, pondera asseverar que observar o comportamento do lucro da empresa em termos de recorrência, consistência e tendência é importantíssimo para a aferição. O P/L histórico também: quanto menor, melhor. Um P/L que é historicamente de 6, que se apresenta em 9, pode ser uma indicação de que é melhor esperar para a aquisição. Entretanto, não utilize indicadores de forma isolada, pois eles são cegos no que se refere ao negócio e ao mercado real. Use com moderação.

 

Os 3 pilares do Value Investing de Warren Buffet

Hoje recebi uma sintética missiva do analisa Bruce Barbosa (ex-Empíricus), que aprecia sobremaneira o value investing. Em suas cartas Os Superinvestidores de Graham-Doddsville de hoje, disse que o value investing possui três pilares que eu gostaria de “republicar” utilizando minhas próprias palavras.

1. Ações são mais que ações

Ações são empresas. Temos que ter em mente que uma ação representa uma pequena parte de uma empresa. Mais interessante que avaliar uma ação é ser capaz de valiar a empresa: entender seu negócio, vantagens competitivas, lucros, gestão de dívida, governança e outros.

Acredito que boa parte dos investidores analisam ações por meio de seus múltiplus, mas quantos de nós tenta entender a empresa? Para avaliar qualquer ação, temos que avaliar a empresa para entender quanto uma ação vale.

2. Margem de Segurança

Basicamente, margem de segurança é comprar uma ação por um preço inferior ao seu valor intrínseco. Como Buffet dizia, comprar uma ação de forma segura é comprar R$ 1,00 por R$ 0,50 centavos. Dessa forma, o investidor estaria protegido de uma eventual queda. Quanto menor o preço pago por uma ação, maior será a margem de segurança.

“Mesmo com uma margem de segurança agindo a favor do investidor, uma ação individual ainda pode sair mal. De fato, a margem só garante que a chance de o investidor ter lucro é melhor que a chance de perder – ela não significa que perder é impossível. Mas na medida em que o número de ações individuais na carteira, possuindo margens positivas, aumentar, mais certo é que o total dos lucros excederão o total dos prejuízos. A constatação é a base da indústria de seguros.” – Benjamin Graham

Voltamos ao ponto inicial: avaliar empresas, porque somente assim poderemos estimar uma margem de segurança. É verdade, avaliar uma empresa não é para qualquer pessoa, na medida em que é preciso experiência. Não me refiro ao fluxo de caixa descontado, mas à avaliação da empresa para estimar um valor intrínseco. Na minha opinião, a base do Value Investing é a capacidade de avalir a empresa, porque somente assim será possível estimar seu valor intrínceco e, depois, sua margem de segurança.

3. O mercado é maníaco-depressivo

Este conceito foi o primeiro que aprendi e junto com o anterior. O mercado tende a exagerar seus movimentos perante fatos. Percebemos que algumas notícias levanto o ibovespa e outras derrubam. A mesma coisa acontece com ações individuais. Lembro que HYPE3 estava custando cerca de R$ 37,00 e, depois da notícia do envolvimento de algum figurão da companhia nos escandalos da Lava-Jato, caiu para cerca de R$ 25,00.

Isso acontece com várias empresas e não só com notícias ligadas a crimes. Por exemplo, por não sabermos quem será o presidente, no últimos mês, havia várias empresas que haviam caído cerca de 40%. Outras caíram igualmente por ter tido uma queda nos lucros ou mesmo por obsolescência. Este é o momento ideal para se comprar se conhecermos a companhia e avaliarmos que estamos com preço abaixo de seu valor intrínseco.

De maneira inversa, quando saem boas notícias ou bons resultados, há a tendência dos preços se elevarem mais do que a empresa realmente vale. Momento de se distanciar das respectivas ações.

Resumindo, a volatilidade é benéfica para quem compra ativos abaixo de seu valor intrínseco.

Como se dividem os Ativos no BP – Balanço Patrimonial Parte 2

Quando as pessoas se reúnem com um objetivo específico, formam um grupo e seguem um ideal. Esse grupo possui uma organização. Com o desenrolar da economia, alguns grupos se especializaram em produzir benefícios aos seus participantes. Tais grupos são chamados de empresas ou organizações. Hoje, podemos ser sócios dessas empresas praticamente por meio do mercado de capitais.

Como visto no primeiro post desta série sobre o Balanço Patrimonial,  o patrimônio das empresas se divide em ativo e passivo. Os passivos representam a origem dos recursos, que podém advir dos próprios sócios, que subscrevem ações, ou por meio de endividamento (empréstimos). Tais recursos entram no caixa ou em algum item patrimonial e depois são distribuídos, comumente, na aquisição de ativos que manterão as atividades produtivas da entidade.

A estrutura ou A parte chata…

Em que pese os passivos evidenciarem muito sobre a perpetuidade do negócio, pondera acentuar que são os ativos que geram o valor para os proprietários, usuários, funcionários, diretores e todos que possuem participação no empreendimento. Basicamente, a legislação prevê a seguinte estrutura básica para o ativo:

1. ATIVO
1.1. ATIVO CIRCULANTE
1.2. ATIVO NÃO CIRCULANTE
1.2.1. REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
1.2.2. INVESTIMENTO
1.2.3. IMOBILIZADO
1.2.4. INTANGÍVEL

Essa enumeração funciona como uma grande estrutura de diretórios. Os seus usuários podem colocar subdiretórios dentro desses estabelecidos sem infringirem a legislação, mas entendendo o que está posto, entende-se o todo.

O ativo, como foi dito, é aplicação do rescursos: o maquinário, as marcas, os direitos ligados a propagandas, a concessões e a patentes, insumos, estoques, dinheiro em caixa, imóveis. Tudo que a empresa se utiliza para rodar.

O ativo divide-se em ativo circulante e ativo não circulante. Basicamente, a diferença é que o circulante é de curto prazo, enquanto que o não-circulante é de longo prazo. Veja, a marca Coca-cola é de longo prazo, mas o produto depende da marca. De outro lado, um dinheiro em caixa pode servir para pagar o salário mensal dos funcionários, evidenciando a sua natureza de curto prazo.

Dentro do ativo não circulante temos quatro sub-grupos: o realizável a longo prazo, o investimento, o imobilizado e o intangível. O realizável a longo prazo são, de forma genérica, direitos realizáveis após o exercício sub-sequente (depois do final do ano seguinte).

O intangível é todo ativo incorpóreo destinado à produção de riquezas da entidade como marcas e patentes. O ativo imobilizado possui a mesma função que o intangível, que é produzir riqueza, tendo como característica distinta o seu corpo, físico. Ou seja, o que produz riqueza é o imobilizado e o intangível.

A conta investimentos registra os investimentos em outras empresas, em lotes, imóveis não utilizados na produção de riquezas (não imobilizados), alguns ativos financeiros de longo prazo e outros itens que se espera uma rentabilidade real.

O caixa (Cash is king!!!)

O nome desta seção deveria ser disponibilidades, mas acho que caixa é muito mais clickbait. Sigo. Disponibilidade é todo o caixa e o equivalente ao caixa, que, em outras palavras, significa todo o recurso com liquidez imediata.

Deste modo, a denominação dada pela lei 6.404 de 1976, é usada para indicar dinheiro em caixa e em bancos, bem como valores equivalentes, como cheques em mãos e em transito, sendo estes recursos livres para aplicação imediata nas atividades da empresa. -Iudícibus

A conta caixa registra o dinheiro que há no caixa, mas há também a conta bancos, a conta títulos públicos e qualquer outra que se encaixe no conceito, pois, como visto, basta obedecer à estrutura básica. No caso do caixa e equivalentes, devem ser criadas estruturas próprias dentro do grande grupo de ativo circulante. Exemplo:

1. ATIVO
1.1. ATIVO CIRCULANTE
1.1.1. CAIXA
1.1.2. TÍTULOS PÚBLICOS
1.1.3. CONTAS CONRRENTES

Grande parte da movimentação da empresa gira em torno das disponibilidades. As disponibilidades são utilizadas para aquisição de mercadorias, de imóveis, veículos, pagar funcionários e honrar as obrigações com os credores. Literalmente, cash is king!

O estoque

Falei do caixa e agora das mercadorias por que a partir desses dois conceitos será possível introduzir uma série de posts ligados a indicadores. Estou ansioso para isso.

Acho até bobagem falar o que registra a conta estoques, mais vai lá. A conta estoques registra  o valor patrimonial das mercadorias disponíveis para venda e também pertence ao ativo circulante, pois é considerada de curto prazo.

O estoque representa o custo das mercadorias possuídas por uma empresa numa data especifica. – Álvaro G. de Oliveira

É na conta estoques que estão registrados todos os custos ligados a aquisição de insumos para produção, recursos para aquisição de produtos acabados, frete para transportá-los etc. Em suma, todos os custos incorridos na aquisição das mercadorias.

Como vimos nos estudos de DRE no site, o lucro bruto se dá da seguinte forma:

Receita Líquida
(Custo das Mercadorias Vendidas)
=Lucro Bruto

Como já dito anteriormente, o principal fundamento de uma empresa é o seu lucro e, se é pelo custo que, normalmente, conseguimos obtê-lo, é interessante entender seu conceito.

O preço orbita o valor!!!

Estava vendo um vídeo na internet que abordava a velha questão da importância ou não do preço. Tive um insight e resolvi escrever este pequeno post.

Acredito que seja de conhecimento de todos que o fluxo define o preço no curto prazo. O livro do Bazin (FALA FORTUNA COM AÇÕES) trata bem exaustivamente o assunto.

Isso significa que se um grande fundo resolver vender sua posição, uma ação ou fundo imobiliário pode cair algo como 10%, 20% e etc. Obviamente, não significa que a empresa piorou, perdeu fundamento, mas apenas que há um maior interesse pela venda que pela compra por parte do mercado naquele momento.

Recentemente, várias empresas tiveram queda em sua cotação: KROT3, UGPA3, RADL3. O fato é que algumas já se recuperaram o seu preço, outras estão em processo de recuperação de seu preço. Afinal, o valor não mudou drasticamente em nenhum dos cases.

Também entendo que todos têm ciência que, no longo prazo, o preço segue o lucro. Ou seja, quanto mais a empresa lucra com o passar do tempo, mais a cotação sobe. Caso comece a ter sucessivos prejuízos, a cotação tenderá a cair (Eternit que o diga).

Resumindo, no curto prazo o fluxo dita o preço, enquanto que no longo, lucros sucessivos ditam o preço.

Porém, no longo prazo, o preço não vai acompanhando o lucro de forma linear. O preço varia para cima e para baixo constantemente tendo como centro de atração o valor, que ninguém sabe qual é de fato. Ou seja, o fluxo SEMPRE DITA O PREÇO.

Todavia, o fluxo tende a não descasar totalmente do valor.

Quando o futuro chega, torna-se presente e, nesse presente, o fluxo domina refletindo de alguma forma o valor.

Tendo como exemplo as ações do banco Itaú, todo ano há valorização de suas ações, bem como todos os anos há lucro.

Seria possível detectar um desconto?

Ora, se os lucros se mantêm, mas o preço cai 40% como ocorreu com a KROT3. O lucro da Kroton foi um pouco menor, mas a queda em 2018 até ontem eram esses 40%. Está com desconto ou não está?

Eu entendo que sim.

NÃO SOU ANALISTA.

ISSO NÃO É UMA RECOMENDAÇÃO DE COMPRA.

ESTE TEXTO NÃO PASSA DE ELUCUBRAÇÕES DE UM PEQUENO INVESTIDOR.

 

ROI: Um estudo sobre o retorno sobre o patrimônio líquido e ao acionista

Estive pensando em investimentos e acho que agora é uma boa hora para me distrair escrevendo algo no blog, uma vez que meu filho foi internado e não posso sair de casa: estou cuidando de minha filha menor. Vou falar de algo interessante que aprendi apenas pensando sobre ROE. Isso vai me ajudar e pode servir ao entendimento de todos.

Sempre preferi empresas de alto ROE e, quanto maior o ROE, melhor eu achava que a empresa remuneraria o seu patrimônio. O ponto é que isso é de fato verdade. Qual a discussão então? O problema dessa ideia é que nem sempre pagamos o valor do patrimônio líquido no papel, ou melhor, praticamente nunca.

Estudo EGIE3 vs. SAPR11

Sempre uso o Fundamentus quando quero fazer uma análise inicial do papel e, quando quero aprofundar, utilizo os últimos releases. Estudemos o caso de EGIE3. Neste momento, a cotação é de R$ 37,64, o VPA é de R$ 11,21 e o ROE é de 27,9%. Wow! Mas que belo ROE!

Só que há um problema nessa tara por altos ROEs: o retorno é sobre o VPA e não sobre o preço que pagamos. Então, podemos acompanhar a sequência e analisar:

engie

Ano 1 -> VPA de R$ 14,34 (11,21×1,279)
Ano 2 -> VPA de R$ 18,34
Ano 3 -> VPA de R$ 23,45
Ano 4 -> VPA de R$ 30,00
Ano 5 -> VPA de R$ 38,37 (recuperamos o dinheiro em termos nominais)
Ano 6 -> VPA de R$ 49,07
Ano 7 -> VPA de R$ 62,76
Ano 8 -> VPA de R$ 80,27
Ano 9 -> VPA de R$ 102,66
Ano 10 -> VPA de R$131,31 (multiplicamos o nosso patrimônio em 11,7x)

Quando compramos uma ação por determinado preço, deixamos de possuir o dinheiro e passamos a possuir um patrimônio e o ideal é que esse patrimônio seja bem remunerado como o acima. Todavia, devemos perceber que, nominalmente, só tivemos o payback em 5 anos, uma vez que o P/VPA foi maior que 3x.

Agora vamos ver o caso de uma boa empresa que possua um ROE bem menor. Pokemom Cachorro, eu escolho você!!! (copiado do Viver de Construção). Brincadeiras a parte, escolho SAPR11 para comparar com EGIE3. A Sanepar está cotada a R$ 59,48, tem o VPA de 51,14 e possui um ROE de 13,3% (menos da metade de Engie).

sanepar

Ano 1 -> VPA de R$57,94 (51,14×1,133)
Ano 2 -> VPA de R$65,65 (recuperamos o dinheiro no início do ano 2)
Ano 3 -> VPA de R$ 74,37
Ano 4 -> VPA de R$ 84,27
Ano 5 -> VPA de R$ 95,47
Ano 6 -> VPA de R$ 108,18
Ano 7 -> VPA de R$ 122,57
Ano 8 -> VPA de R$ 138,87
Ano 9 -> VPA de R$ 157,33
Ano 10 -> VPA de R$  178,26 (multiplicamos o nosso patrimônio por x3,5)

O P/VPA (preço sobre valor patrimonial) de Sanepar (1,26x) é infinitamente menor que o de Engie (3,35x) e a consequência é que o payback da companhia de saneamento se dá pouco mais de 1 ano, enquanto que o da geradora, dá-se em 5. Percebemos que, matematicamente, há uma tendência de termos o retorno de um  investimento em tempo muito menor quando o múltiplo P/VPA é menor.

Todavia, no longo prazo, há uma tendência do retorno ser maior para a empresa com maior ROE. Percebemos que em 10 anos, Engie (11,7x) aumentou o patrimônio mais de 3 vezes que Sanepar (3,5x).

whitegorilla-c
Engie golpeando Sanepar no longo prazo

Certo. Isso significa que devemos apostar em altos ROEs ou baixos P/VPA? Bem, pagar um baixo P/VPA, ao meu ver, não significa que você é um gênio das finanças por ter achado o papel, mas que você está diminuindo o seu risco, uma vez que tende a ter um retorno em menos tempo mesmo com um ROE inferior a outras opções.

Já, ao escolher um ROE maior, está pensando em obter retorno patrimonial no longo prazo. Como sabemos, em tese, quanto maior o prazo do investimento, maior o risco. Cabe ressaltar que, no caso de renda variável, não há uma negociação das taxas e, caso as características da empresa comece a desagradar, basta vendê-la e encerrar a posição.

ROE, VPA e rentabilidade

Neste post, pudemos observar que o ROE possui uma relação muito grande com o P/VPA. Não que seja um indicador perfeito, mas, recentemente, descobri que é utilizado por ninguém menos que Luiz Barsi Filho, que é um dos heróis da bolsa brasileira.

Lembro que o Barsi comprou BBAS3 com P/VPA inferior a 1. Para mim (e para ele!!!) é óbvio que ele teria o retorno muito rapidamente. Só com essa jogada, ficou alguns milhões mais rico. Grande player!

Utilizei este critério apenas em dois calls: ITSA3 e SAPR3. Quer saber? Fui muito feliz as duas vezes. Haters do P/VPA a parte, funcionaram muito bem pra mim. Funciona sempre? Óbvio que não, pois caso contrário, seria fácil demais.

Lembro-me que tanto ITSA3, quanto SAPR3 estavam com o P/VPA menores que o ROE somado a 1 e isso me chamava muita atenção: compre-me!!! estou muito barato!!! O resultado foi os melhores que eu tive com relação aos outros critérios. Sorte? Talvez…

A minha visão foi a seguinte: se o ROE + 1 for superior que o P/VPA, o retorno é quase certo. Em ITSA3, tive um retorno, em termos patrimoniais, de cerca de 50% fora os vultuosas dividendos. Já, a agora, SAPR11, tive o retorno de cerca de 35% fora os dividendos. Ou seja, nas duas vezes que utilizei este critério performei excepcionalmente.

Além desses casos, não faz muito tempo, apliquei o mesmo critério em EZTC3. Não comprei o papel, que estava com P/VPA menor que 1!!! Para quem comprou o excelente call, o P/VPA já supera os 1,33x (valorização de quase 40% do P/VPA inferior a 1) e dividend yield de 17%.

Entendimento da comparação CDI vs. ROE

Vejo muitos colegas comparando o ROE com o CDI: há, o ROE é maior que o CDI, então passa nos meus critérios. Acho que pra quem leu o post até aqui será capaz de entender que somente será possível comparar o ROE com o CDI se o P/VPA for próximo de 1.

Caso o CDI seja de 7% ao ano, patrimonial e matematicamente, teríamos um retorno maior com uma empresa com o P/VPA igual a 1 e o ROE igual a 7%, uma vez que a renda fixa possui imposto de renda.

Agora, saber se vão pagar P/VPA maior que 1 é outra história. Afinal, estamos falando de renda variável. Neste mundo, nada é certo.

Empresas com o ROE+1 é superior ao P/VPA

Coloquei os seguintes critérios no Fundamentus:

  • P/L maior que 0;
  • EV/EVBIT maior que 0;
  • Liquidez maior que 10000;
  • P/VPA: maior que 1 e menor que 1,2; e
  • ROE: maior que 0.1.

Assim, obtive a seguinte lista: EALT4 (P/VPA 1,2x, ROE 33,89%), CCPR3 (P/VPA 1,18x, ROE 17,36%), SAPR4 (P/VPA 1,03x, ROE 13,32%), TRPL4 (P/VPA 1,01x, ROE 12,43%), SAPR11 (P/VPA 1,16x, ROE 13,32%), QGEP3 (P/VPA 1,04x, ROE 11,49%), CGRA3 (P/VPA 1,13x, ROE 12,02%) e CGRA4 (P/VPA 1,16x, ROE 12,02%).

Caso formos seguir o critério de preferência de ações ordinárias, as únicas candidatas seriam CCPR3, CGRA3 e QGEP3. No caso das duas primeiras, o payback em termos patrimoniais ocorreria em pouco mais de um ano, enquanto que no caso de QGEP3, seria em pouquíssimo tempo.

Conclusões

Não podemos achar que existe uma fórmula para entender a geração de riqueza no mundo, tampouco acreditar que podemos prever o futuro tendo em mãos apenas o passado. Porém, é interessante ter o entendimento de alguns indicadores para pelo menos diminuir a chance de erros em nossa vida de investidor. Até a próxima!

FIIP11B, VPA, yield, diversificação e outras elucubrações

Recentemente, assisti a um batepapo no Youtube entre dois personagens conhecidos no mundo dos fundos imobiliários: Baroni e Bacci. Fiquei impressionado com a visão e o nível de conhecimento do Bacci, porque o cara é o verdeira investidor em FII raiz. Segue a entrevista.

 

Nesse vídeo tal mito fala uma coisa que eu nem de longe imaginava (sou iniciante na jogada). O VPA é estimado por auditores com base, principalmente, nos contratos de locação, no fluxo de caixa (que decorrem do contrato) ou nos contratos dos pares. Assim, o que manda é o preço dos contratos.

Caso o contrato seja atípico, com o passar do tempo, os valores dos contratos podem estar descasados da realidade. Ora, um contrato assinado há 10 anos estará certamente condizente com a relidade? Wow! Meu conhecimento no que tange avaliação de um FII cresceu muito com essa informação.

Veja, este é exatamente o caso do FIIP11B. Eu comprei as cotas desse FII em meados de 2017. Nesses tempos (já faz muito tempo pra mim rs…), eu conseguia ser mais ingênuo que hoje na avaliação dos FIIs. Em poucas linhas, eu pensava: o FII é multi-imóveis, multi-inquilino e tem um Yield alto, logo é uma excelente opção! Pobre de mim! Segue outro vídeo que nos ajuda a entender mais sobre yield.

Com essa informação passada pelo Mestre Bacci, pude vislumbrar que o FIIP11B pode ser uma grande furada, uma vez que ele possui basicamente contratos atípicos e muitos deles estão prestes a vencer. Em outras palavras, o FII pode valer muito menos ou muito mais, patrimonialmente falando.

Nesse aspecto, os shoppings devem ter uma precisão muito maior de seu VPA uma vez que constantemente estão sendo assinados contratos de locação, municiando muito bem os auditores em sua avaliação.

Novamente falando do FIIP11B, outro ponto que não gosto é que não encontro relatórios sobre a evolução da gestão, bem como o RI (se é que podemos chamar assim) não responde. Depois de pensar bastante e me sentir incomodado também com as pequenas participações no imóveis: 7% aqui, 14% ali. Decidi sair do FIIP11B (papel ruim). Depois de aprender, perceber e refletir sobre tudo isso percebi que evolui como investidor em FII e me senti em um submarino Russo avisado de que americanos estariam próximo: RED ALERT!

Olhando o relatório, levantei que 53% dos contratos atípicos vencem ainda em 2018. Implica dizer que FIIP11B pode variar seu VPA drasticamente, bem como pode variar seu preço no mercado. Não sou patrimonialista, mas isso não significa que quero perder patrimônio. Além disso, quero ficar tranquilo.

Tem um fundo que vem me chamando atenção: FIIB11. Vi uns vídeos ontem, li seu relatório. Fiquei impressionado. Além disso, embora seja considerado mono-imóvel, há vários prédios dentro desse imóvel, bem como bastante infraestrutura, quase um centro comercial. Então, estou pensando em aumentar posição devagar.

O yield do FIIB11 gira em torno de 6% anual, enquanto que do FIIP11B, 9%. É muito importante refletir o porquê de tal diferença, já que o Perini Business Park (FIIB11) parece ser um imóvel muito melhor que as várias participações do que o do RB (FIIP11B).  Já o P/VPA do RB gira em torno de 1,14x, enquanto que o do Perini, em 1,06x. Há uma contradição: embora o RB esteja com um Yield bem maior, seu ágil sobre o VPA é maior.

Enfim, essa diferença pode ser resumida em poucas palavras: maior risco. Fico triste em trocar um yield maior por um menor, mas é isso que está me fazendo sentido agora. Estou com mais de R$ 4.000,00 parado na corretora derivados da venda das cotas de FIIP11B. Dinheiro na pedra é camarão que dorme.

Enquanto penso no que vou alocar a grana, vou falar um pouco sobre diversificação. O que é melhor, a ou b?

a) 100% FIIB11;

b) 50% FIIB11 e 50% FIIP11B?

A é concentrado enquanto b é mais diversificado, mas isso significa que b seja melhor? É claro que não. Não tenho visto sentido em diversificar com o que não presta e então percebo que já fiz muita merda. Ora, tenho que investir apenas em ativos de alta qualidade. O que está mais barato, um ativo 0,5x do VPA ou outro que está 1x? Não sei. Foi só o fluxo que imprimiu essa diferença ou é realmente o preço que o mercado está disposto a pagar?

O que seria melhor que 100% FIIB11? Tenho várias respostas e uma, óbvia, seria 100% EGIE3. Adoro esse ativo. Adoro itsa3 também. Nessa bagunça de ideias, o que quero dizer é que, preciso optar pela qualidade. Não pretendo mais comprar com o pensamento: “vou comprar por que está barato”. Afinal, não vejo algo realmente bom que esteja realmente caro, bem como não vejo algo ruim que está realmente barato.

Queria terminar o post afirmando o que fiz com o dinheiro, mas ainda não o fiz. No próximo aporte explico o que foi feito.  Você poderia comentar?? Abraço!

Dívida Líquida/EBITDA. Um estudo sobre o nível de endividamento de empresas – DRE #9/10

Quando analisamos empresas, um ponto chave é o seu nível de endividamento, uma vez que o resultado financeiro pode transformar um bom desempenho operacional em prejuízo. Veremos um pouco de história para entender o porquê de  o múltiplo dívida líquida por EBITDA é o mais importante indicador endividamento. Coloquei este tópico junto com outros sobre DRE por utilizar o conceito de EBITDA.

Com a Revolução Industrial (1.760-1.840), tivemos uma revolução na produção de bens de consumo. Anteriormente, a produção era artesanal e acabava que cada um era dono do que produzia e podia comercializar por si. A partir da revolução, os donos do capital puderam adquirir maquinário e contratar pessoas para trabalhar. Só havia duas opções: produzir artesanalmente e vender por si, o que ensejaria uma renda imprevisível, ou trabalhar para os capitalistas.

Nessa época, o valor da empresa estava intrinsecamente ligada a seu ativo imobilizado: suas máquinas, galpões destinados à produção e veículos de transporte e, portanto, para se estudar o endividamento dessas indústrias, bastava comparar seu nível de endividamento com o seu valor patrimonial (VPA).

Entretanto, a última revolução transformou o patrimônio em algo, por vezes, secundário. Vivemos na era da revolução da informação. Uma época em que comumente a informação é o próprio patrimônio, a própria fonte de renda e o próprio recurso. Comparar a dívida de uma entidade com o seu patrimônio pode ser algo tolo de se fazer em certos contextos.

Nesses casos, o indicador mais utilizado certamente é o (Dívida Líquida)/EBITDA. No livro FAÇA FORTUNA COM AÇÕES, pág. 61, Décio Bazin afirma que aprendeu duas grandes lições em um livro chamado AÇÕES & PRECAUÇÕES – de Gerard Haentzschel:

  1. Para investir no mercado acionário ninguém precisa saber mais do que as quatro operações aritméticas; e
  2. Um investimento vale pelo rendimento que proporciona.

O indicador de endividamento proposto atende justamente essa ideia. Pois bem, vamos analisar a fórmula. A forma como se calcula o EBITDA já foi detalhada no post sobre o tema. No entanto, o cálculo da dívida líquida será explicado a seguir.

Dívida Líquida = Dívida Bruta – Caixa ou equivalente de caixa

Dívida Bruta é, em termos simples, tudo que entidade deve a seus fornecedores, investidores, debenturistas, empregados e outros interessados e é caixa ou equivalente todo dinheiro em caixa, valores em conta corrente, títulos imediatamente convertidos em dinheiro e similares. Ou seja, a dívida líquida é a dívida bruta menos as disponibilidades imediatas da empresa em termos matemáticos.

Não significa que para o conceito de dívida líquida ter validade, a empresa terá que realmente amortizar parte de suas dívidas com o seu caixa, mas apenas uma avaliação que atenua a dívida, pois há recursos para isso.

Como o próprio nome do múltiplo sugere, para se calcular esse indicador basta dividir a dívida líquida pelo EBITDA.

Nível de Endividamento = Dívida Líquida / EBITDA*

O EBITDA representa o resultado operacional da empresa, ou seja, o que ela conseguiu gerar de valor agregado. Então, o indicador representa quantos exercícios seriam necessários para pagar a dívida desconsiderando outros fatores, notadamente, os impostos. Agora, aplicaremos esse indicador a algumas empresas para fins de consolidação do entendimento. Alguns dos dados serão retirados do site OCEANS14, enquanto que outros do Fundamentus.

*Considera-se o EBITDA acumulado dos últimos 12 meses.

Estudo de endividamento de TRPL4 e TAEE11

É interessante ressaltar que os múltiplos são melhor aplicado na comparação intrassetorial, uma vez que comparar empresas de setores diferentes pode gerar um entendimento problemático do nível de endividamento da empresa. TRPL4 e TAEE11 foram os papéis escolhidos nesta seção e ambos são do subsetor de transmissão de energia elétrica.

Código Dív. Brt. Disp. Dív. Líq. EBITDA* Nv. End.
TRPL4 1.288 259 1.029 7.967 0,13x
TAEE11 3.412 84 3.328 883 3,76x

*Por questão de praticidade, utilizei o EBIT no lugar do EBITDA (não precisei fazer cálculos para obter).

No quesito endividamento, fica evidente que TAEE11 está em um nível de endividamento superior ao da TRPL4. Entretanto, sabe-se que ela não está em uma situação muito grave devido o seu contexto. Ademais, utilizamos o EBIT no denominador, que é menor que o EBITDA. Caso utilizado o EBITDA, o múltiplo de ambas as empresas seriam menores. Entretanto, para fins de comparação, mantivemos a simetria.

Considerações Finais

 É muito comum o entendimento de que um múltiplo dívida líquida / EBITDA se situa em faixas:

  • O endividamento <= 2x é confortável;
  • O endividamento > 2x e < 3,5x é aceitável; e
  • O endividamento > 3,5x é considerado preocupante.

No entanto, cada empresa tem o seu contexto, mais do que avaliar o nível de endividamento da empresa que está sendo estudada com as concorrentes do setor, é acompanhar o endividamento, os motivos dele, as aplicações dos recursos, bem como a composição da dívida.

No mundo dos investimentos, não há fórmulas infalíveis. Utilize o indicador com parcimônia. Abraço!

Imposto de Renda em FIIs – Como declarar e pagar

Recentemente, vendi o fundo BRCR11 por R$ 106,00 quando o  havia comprado por R$ 96,66. Os fundamentos do FII, na minha visão, estavam péssimos. Senti um alívio, mas veio a ressaca: como declarar e pagar o IR da venda desse fundo de investimento imobiliário?

Encontrei várias alternativas na internet, das mais extensas, que chegavam a criar um monstro para vender solução, às mais concisas, que eram concisas demais. Então, optei por fazer um resumo, nem tão resumido assim, que me ajudasse nessas tarefas. Aqui vai.

Como declarar o Imposto de Renda nos FIIs

Eu conheço 3 formas de se ganhar dinheiro com FIIs: recebendo proventos, recebendo amortizações e vendendo a cota por preço superior ao de compra. Detalharei cada uma dessas formas. Porém, antes disso, acentuo que deve ser registrada a propriedade de FIIs quando da declaração anual do imposto de renda. No programa de declaração da Receita, declare as cotas com o código 73 – Fundo de Investimento Imobiliário no menu “Bens e Direitos”.

bens e direitos

Os rendimentos mensais, quando houver, devem ser declarados no menu Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Os valores e seus códigos serão encontrados nos informes de rendimento de cada fundo imobiliário enviados pelo administrador do fundo. O ideal é que o investidor destine algum tempo a essa atividade, pois esse é um ponto sensível e requer certa precisão.

rend-isentos

Já no caso de amortizações, o administrador do fundo retém o imposto de renda, mas ainda sim é preciso declarar. Para declarar, o contribuinte deve acessar o menu “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”. O código é o 6, “Rendimentos de aplicações financeiras”. Basta clicar naquele botão com um cifrão. Há dois campos para se preencher: Especificação e Valor. Especificação pode ser “Amortização do fundo tal”, enquanto que valor o montante amortizado.

rend_trib_nao_exclu

Como pagar o DARF na venda com lucro

No caso de venda com lucro, há a incidência de IR de 20% sobre o lucro independente de quanto ele seja. A União recolhe esses valores por meio de DARF cujo código é 6015. Para fazer o cálculo, faça o preço médio de venda menos o preço médio de compra. O valor, se positivo, deve ser declarado.

Em linhas gerais, o procedimento é o seguinte:

  1. Acessar a aplicação da receita;
  2. Selecione a opção “Pagamento”;
  3. Insira o código 6015;

No formulário há um campo de nome Principal. Aqui deve ser preenchido com o valor de imposto de renda devido. Para ter um detalhamento de como pagar o imposto, clique no link: http://blogdouo.blogspot.com.br/2014/07/como-preencher-darf-venda-de-fiis.html.

 

PEG Ratio – Quando comprar uma ação?

Primeiramente, quero registrar que este é um dos posts deste blog que valem a pena ser lidos. Então, leia até o final e, se possível, comente. Isso faz muita diferença. Seja avançado ou novato, dê uma forcinha comentando ou compartilhando. Gosto muito desse indicador e acho que pode ser útil pra você também. Vamos lá.

Eu, como estudante de ciências contábeis e amante do mundo financeiro, venho analisando demonstrações financeiras há um tempo razoável. Estou contabilidade há 2 anos e há um ano e meio estudo para ser auditor fiscal. Então, tenho uma noção, ainda que pequena, sobre demonstrações.

As demonstrações financeira dizem muito sobre a saúde financeira de uma empresa. Se as demonstrações são boas, a empresa deve ter feito o que é certo. Todavia, notei uma grande deficiência no meu conhecimento. Se você quer entender bem e não comprar errado é preciso ter a capacidade de entender de economia, do setor em que a empresa atua, analisar as demonstrações financeiras e, com isso, saber o que e quando comprar.

Quando percebi isso, até um comentário do Mestre dos Dividendos no post sobre preço médio (leia depois) acentuou essa percepção. Certo, sei avaliar se uma empresa é boa ou não, mas e por que preço comprar??? Sabe, mesmo que se compre um excelente ativo, se o preço for alto, você fez um péssimo investimento, haja vista o seu retorno ser pequeno.

Quando encontrei o PEG Ratio fiquei bastante feliz. Pela primeira vez tive a noção de um indicador que me mostrasse a luz no fim do túnel. Basicamente ele vai fazer uma avaliação sobre o potencial de retorno de uma ação, ou seja, se está na hora de comprar ou não.

O que é o PEG Ratio

PEG Ratio significa razão preço por lucro por crescimento. O famoso P/L (Preço/Lucro), em inglês, é P/E (Price/Earnings). Em outras palavras, o PEG leva em consideração três parâmetros: o preço, o lucro E a taxa de crescimento da receita e isso faz toda a diferença.

PEG = Cotação da ação / Lucro por ação / Taxa de Crescimento da Receita

Resumindo, um preço sobre o lucro baixo é interessante, mas é muito interessante levar em conta o crescimento ou decréscimo da receita. Ora, obviamente, quanto maior a taxa de crescimento da receita, maior tende a ser o lucro.

Veja, nem sempre um P/L de 10 vai ser interessante. Se a taxa de crescimento anual da receita for 0,5%, talvez essa ação não seja um bom negócio. Agora, se a taxa de crescimento for de 35%, essa pode ser uma grande compra. Veja, esse indicador não prevê o futuro, mas pode ajudar bastante.

Estudo de caso

Avaliei algumas empresas que acredito estarem saudáveis e depois apliquei esse indicador. Percebi que algumas empresas saudáveis seriam boas compras, outras nem tanto. Então, elaborei alguns exemplos. Interessante observar que todos os valores foram tirados do site fundamentus.com.br.

 Código Preço (R$) Lucro (LPA-R$) Tax. Cresc. (%) PEG Ratio*
 KROT3 14,75  1,08  39,5  0,34
 ABEV3  18,02 0,76 2,8  8,47
 ITUB3 32,28 3,10 10,2  1,02
 BBDC3 27,28 2,46 21,3  0,52
 WIZS3 18,90 0,99 16,6  1,15
 ALUP3 6,49 0,38 5,4 3,16

* O PEG foi calculado como exposto no tópico anterior.

Apenas para fins de estudo deste indicador e considerando apenas seu funcionamento e nada a mais, as melhores compras seriam KROT3 e BBDC3. Já ABEV3 e ALUP3 seriam as piores compras. Cabe registrar que escolhi somente empresas que considero excelentes. Porém, nem sempre o que queremos está no preço que acreditamos ser justo e é ai que o PEG pode ajudar na identificação dessas oportunidades.

Interessante é que quinta-feira o ITUB3 apresentava uma margem de segurança quase tão boa quanto a do BBDC3, porém essa margem desapareceu, restando apenas pagar o valor justo pela ação: quando o PEG está próximo de 1.

Enfim, enquanto não começo a estudar o valuation, pretendo fazer uso ostensivo desta ferramenta. Claro que utilizarei apenas em empresas excepcionais, ou seja, após um filtro aplicado nas demonstrações financeiras. Era isso, espero que tenha gostado. Deixe seu comentário!