Cortei o Cartão de Crédito ou Como a Semana Santa Destruiu Minhas Finanças

Hoje tomei uma decisão drástica: cortar o cartão de crédito. A sua morte está agendada para hoje. Como disse em um dos posts anteriores, precisava pagar as contas da faculdade de minha esposa, mas não havia vendido o gado ainda. Então, por falta de reserva, coloquei esse valor de R$ 3.500,00 no crédito, pois era só vender o gado pra pagar…

O problema foi que eu não lembrava que na semana santa, ninguém como carne e, portanto, ninguém vende carne, e, portanto, ninguém compra gado pra vender. Aconteceu que meu sogro não conseguiu vender o gado e o cartão venceu há uns 4 dias. Pensei: okay, acabei de pagar um empréstimo, o jeito vai ser dar um passo pra traz e pegar outra para pagar o cartão.

Meu Deus! No aplicativo, o menor custo efetivo total era de 200%. Ou seja, R$ 3.500,00 teria que se tornar R$ 10.500,00 para poder parcelar. Prefiro a morte. Então, pensei: vou ficar inadimplente uns 20 dias e, quando vender o gado, pago. Em aproximadamente uma semana de atraso já consta que a dívida se tornou R$ 4.400,00.

Hoje recebi meu salário, vou destinar tudo para pagar essa conta, não vou aportar e vou pedir a Deus misericórdia para que comprem meu gado, pois só assim minha família não passará necessidade. Não pego empréstimos! Não uso mais cartões! Não tenho limite! As coisas terão que andar nos trilhos.

Quando comecei este blog no ano passado eu tinha dois objetivos: aprender a me expressar por meio das palavras e ficar rico. Logo descobri que para ser rico é preciso ter uma saúde financeira impecável e não esquecer a regra número um: Nunca perca dinheiro.

Qual a forma mais fácil de perder dinheiro? Pegar empréstimos: incluind5 dias de atrasoo limite, cartão de crédito, consignado e tudo o mais. Os empréstimos são um vetor de força muito grande para que gastemos mais do que ganhamos.

Depois de hoje, nunca mais uso cartão. Apenas sacarei com a digital. Adeus cartão, foi péssimo de conhecer!

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Os melhores conselhos sobre finanças pessoais (espero que gostem)

“Há apenas uma maneira de evitar críticas: não fazer, não falar e não ser nada” Aristóteles

Estou, por alguma razão, a quase três dias sem dormir direito. Também não estou conseguindo trabalhar. O pior é que não sei o porquê ao certo. Já que não consigo trabalhar, decidi escrever um post que tenho vontade há tempos. Uma compilação de conselhos sobre finanças pessoais.

Todos sabemos que se conselho fosse bom não seria dado, mas vendido. Entretanto, meu objetivo é transcrever algumas ideias sobre eventos que me levaram ao desequilíbrio financeiro para revisitação e posterior consulta. Creio que pode ser interessante. Vou enumerar e ordem decrescente de importância.

1. Não tome empréstimos

As minhas finanças não são um primor, mas tem melhorado QoQ (trimestre a trimestre de um jeito chique). Eu vivia pegando empréstimos, parcelando o pagamento de produtos e e utilizando o cartão de crédito. Agora, evito ao maximo.

Eu pegava empréstimo por que devido à falta de gestão dos meus recursos, acabava ficando sem dinheiro e a solução mais fácil era pegar empréstimos. E se eu quisesse reduzir a parcela? Refinanciaria com prazos mais longos, é claro!!! Mas que idiota…

idiota

Como fui tão ignorante por tanto tempo? Eu sei a resposta, eu não tinha ouvido falar sobre independência financeira até então. Essa ideia entrou na minha vida como uma luz nas trevas.

Parcelar produtos? Jamais! Sou radical. Quando digo sem empréstimos é sem empréstimos mesmo. Cartão de crédito? Putz. Só se não existir alternativa mesmo. Ou tenho o dinheiro para comprar ou não compro. É simples assim.

Como não peguei mais empréstimos, meu individamente vem caindo e minha saúde financeiro subindo e, consequentemente, minha saúde mental e física também, pois agora tenho paz.

Jamais tome empréstimos, porque eles são a manifestação do poder dos juros compostos a seu desfavor. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos. Não tome empréstimos.

2. Gaste menos do que ganha

Este é o mais clássico de todos e, provavelmente, deve ser o mais popular também. Eu mesmo já tinha ouvido falar várias vezes isso, mas pra mim não faria sentido. Afinal, o que eu faria com o resto do dinheiro? Certamente, em outros tempos, compraria uma cervejinha e uma picanha na chapa. Para o bem ou para mal, já não mais.

Até que então, um amigo, que já poupava e investia me deu um livro que mudou definitivamente a minha vida. As ideias escritas no eBook foram como um grão de mostarda. É por isso que já não pego empréstimos, tento gastar menos do que ganho, poupo e invisto. O nome do livro é 11 Segredos para a Construção da Riqueza de Mark Ford. Vou até reler e falar mais sobre o que aprendi nele em outro post.

Ford não me transmitiu nada sobre matemática financeira, dividendos, CAPEX, OPEX, CAGR ou qualquer outro desses termos. Ele revelou o seu próprio mindset. O sistema mental de um verdadeiro vencedor no mundo das finanças. Isso começou a ficar muito claro quando ele começou a falar sobre os baldes de renda, gastos, poupança e investimentos.

baldes

A água, que simboliza todo dinheiro que recebemos, nasce de dois poços: o poço da renda ativa (emprego) e o poço da renda passiva (investimentos geradores de renda) e seguem para o balde dos gastos. Toda a nossa renda irá direto para o balde dos gastos, mas não irá parar nele.

O balde dos gastos funciona como um despachante de recursos. Ele destina a “água” para três destinos: o balde da poupança, o balde dos investimentos e para o contas a pagar. A poupança seria onde estão os recursos ligados à reserva de emergência (estou falhando nesse ponto, mas em breve estará formada). Os investimentos podem ser os mais variados tipos e que conformarão o poço da renda passiva. Já as contas a pagar, tudo o que a gente precisa para viver.

Quanto mais a água é armazenada nos baldes de poupança e investimentos, menos água vaza para as contas a pagar. Quanto mais compromissos assumimos com, por exemplo, empréstimos, mais a água desaparecerá e menos ficará nos baldes de poupança e investimentos.

Ideia lúdica e simples que me fez ouvir o click mágico da saúde financeira. A prova mais evidente é que no último mês aumentei meu “payin” para 20% da minha renda. Vitória!

3. Tenha uma reserva de emergência

Lembra do balde da poupança? Pois é, ele simboliza a reserva de emergência. Tal montante serve para equalizar a necessidade de pagamentos com a renda. Quero dizer que, por mais que tenhamos renda suficiente para assumir compromissos, nem sempre temos dinheiro em mãos e é esse problema que a reserva de emergência resolve.

A falta de reserva de emergẽncia é que nos faz descumprir a regra número 1 de não tomar empréstimos. Todos os momentos que eu tinha, me dei bem e nos que não tinha, a coisa ficou feia.

Hoje mesmo tenho um pensamento martelando na minha cabeça: amanhã  vence uma obrigação (ainda bem que é sábado) e somente irei receber o dinheiro para quitá-la depois da semana santa. Tenho 5 cabeças de gado para vender, mas os açougues somente irão comprar depois da semana santa, uma vez que agora ninguém vai comprar carne, mas peixe.

Meus inquilinos da sala comercial não têm pagado o condomínio, que tem sobrado para eu pagar. Ocorre que eles sempre pagam de tempos em tempos. Então, fica claro que há um descasamento entre o que tenho para receber e o que tenho para pagar. É esse o tipo de problema que poderia ser resolvido se eu tivesse uma reserva de emergência.

Bastaria eu pagar minhas obrigações com os fundos da reserva de emergência e quando vendesse o gado ou recebesse os condomínios atrasados de meus inquilinos, eu devolveria ao balde de poupança. Só que não, tenho que refazer minhas reservas! Não gosto de descupas, mas quem comeu essa grana foi a minha filha mais nova com suas fraldas, remédios e objetos requeridos. Pequeno serumaninho!!

4. Invista somente naquilo que você entende

Minha esposa tem um velho e rico tio que sempre fala de gado. Gado bom por isso, gado é bom por aquilo. “Gado é dinheiro vivo, é só abrir a boca e vender”. “Gado é bom por que a vaca dá um bezerro por ano” (yield de 100% anual!!! só que não…). Ele falou tanto de gado por tanto tempo que eu disse:

– Vou criar gado também.

– Não faça isso.

– Qual o problema? Não é o melhor investimento do mundo??

– A gente tem que mexer apenas com aquilo que a gente conhece.

Esse foi um conselho valioso que veio de um homem rico, que eu não escutei. Há dois anos encontrei 8 vacas estimados (ainda confiava na precificação alheia) em R$ 1.000,00 que estavam sendo vendidas por R$ 800,00. Ao todo, compraria 8 vacas que valiam R$ 10.000,00 por R$ 8.000,00. Não tinha como dar errado! O mais legal é que eu peguei um empréstimo para comprar, porque era fácil demais. Afinal, era só esperar 1 ano que eu teria mais 8 animais, no pior caso, alguns morreriam, mas ainda sim teria lucro.

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Acontece que, a teoria é diferente da prática. Hoje, dois anos depois, graças a Deus terminei de pagar o empréstimo (aquele que eu disse lá em cima). Nem calculei, mas provavelmente paguei quase o dobro do dinheiro que peguei; O gado come muito capim, precisa de vacina e sal; Nenhuma vaca pariu um maldito bezerro que seja nesses dois anos. PREJUÍZO TOTAL! Aniquilação!

Não importa o quão simples algo possa parecer, invista somente se você compreende o s custos, os benefícios e os riscos dessa operação. Se você conseguir entender essa tríade e estiver disposto, invista.

Era isso!

Foco: Como se manter focado e conseguir qualquer coisa

Comumente pessoas me chamam de focado e eu acho que eles tem razão. Não conheço muitas pessoas, mas das que eu conheço, sou a mais focada, sem dúvidas. Então, me perguntei como fiz pra ser como sou, além disso, pretendo abordar um pouco mais da minha história de vida e, o principal, vou enumerar ideias que ajudariam até o mais tolos dos tolos a ter foco. Começo contando parte de minha vida, se não se interessar, você pode pular para o próximo tópico.

Quando meu pai morreu há 1 década atrás, eu tinha uma vida excelente. Eu poderia passar o dia vendo documentários, lendo livros literários, sem me preocupar com renda, pois meu pai cuidava de tudo. No posto, eu só pedia pra abastecer e podia ir embora, pois eles anotavam e, posteriormente, meu pai pagava. Igualmente no mercado, na faculdade e em todos os outros lugares. Eu nem mesmo precisava pegar no dinheiro.

O dinheiro era tão desnecessário que se tornava desinteressante pra mim. Meu pai dizia que queria me dar dinheiro e eu respondia: não precisa. Eu vivia em minha própria matrix. Ela me fazia permanecer distante deste mundo onde as pessoas destroem qualquer um por alguns trocados ou até mesmo por diversão.

Quando ele morreu, percebi que minha vida iria mudar drasticamente, cheguei a trabalhar como pedreiro e minha especialidade era cavar buracos. Eu adorava cavar buracos. Pena que pagavam muito pouco por isso. Era um trabalho muito simples, eu cavava até chegar à profundidade exigida. Quando alguma pedra atrapalhava, eu pegava uma haste de metal e batia nela até que se quebrasse e eu pudesse continuar a cavar.

Não sei se já disse isso antes, mas a única coisa ruim era o chefe. Um canalha como os que existem aos montes por ai. Não entro em detalhes, mas digo que foi, talvez, a única vez que a convivência com alguém perverso me beneficiou. Digo isso por que certa vez me disse o seguinte: “Este não é um lugar pra você. Se você quiser algo da vida, lute por isso agora, porque quanto mais o tempo passa, mais difícil será”. Pensei sobre isso muito tempo. E decidi ir para a casa de minha mãe.

Para resumir, eu já havia tentado a iniciativa privada e já havia tentado empreender: ambos muito difíceis. Só me restava ser como meu pai: servidor público. Eu não dependeria de outras pessoas e nem precisaria puxar o saco de ninguém. A partir dessa decisão, percebi que estudar para concurso exigiria foco. Eu não tinha nada e havia passado muito necessidade e eu já tinha também tido uma vida boa. Escolhi a segundo e eu precisava passar em um concurso mesmo nunca tendo estudado antes e até mesmo reprovado duas vezes na escola. Resumindo, eu era um péssimo aluno e eu tinha uma missão difícil. Eu precisava de foco e, nesses 5 anos de estudo aprendi muito sobre e conto o que aprendi nos próximos tópicos.

1. Objetivo – Defina onde se quer chegar

Parece óbvio e é mesmo. Acontece que existem pessoas que dizem: “queria ser focado como você”. Entretanto, não sabem dizer no que tem foco claramente e dizem algo como: “passar em um concurso”, “ter um corpo legal” ou “juntar algum dinheiro”. É preciso definir com clareza um objetivo. O meu target atual é ser Auditor Fiscal que ganhe o dobro do que eu ganho atualmente.

Tenho estudado diariamente desde 2012 e já tive muitos focos. Atingi todos eles, tendo passado pela polícia federal, ministério público federal, ganhei 10 quilos em 1 ano com o exame de bioimpedância dizendo: uau! Tudo isso por que eu sabia onde queria chegar. Não sou esperto, mas sou tão focado que pareço ser: ninguém vê o esforço que é feito. meu amigo, defina claramente onde você quer chegar.

2. Resiliência – Acredite que é possível e tenha fé

Em que pese possa parecer bobagem, não o é. As pessoas, por vezes, sabem o que querem, mas não acreditam que possam ser capazes de conseguir. Esse é um erro crucial. A ideia é perceber que, se uma pessoa pode, todos podem. Certamente, alguns conseguirão alcançar o mesmo objetivo com mais facilidades a depender de seu background e de suas habilidades, mas ninguém pode se tornar outra pessoa. O jeito é se adaptar.

Fracassos no caminho são esperados. Muitos mais são os que desistem dos que os que não conseguem atingir seus objetivos. Resiliência é o nome da moda justamente por que é o que faz com que o competidor continue sua peleja dia após dia. Acredite e tenha fé, incluindo a fé religiosa. Havia 4 horas que tentava entender uma teoria da estatística, mas quando pedi a Deus para que me fizesse entender por que precisava dar uma vida melhor a minha família, ele atendeu as minhas preces de pronto.

3. Planeje – Crie metas e mantenha-se firme

Esse ponto é extremamente importante, pois é o dia a dia em direção ao objetivo. As metas precisam ser pequenas e, de preferência, possam ser executadas diariamente. Isso facilita a criação do hábito, que é essencial para se manter no caminho por longos períodos. Além disso, por serem metas pequenas e diárias, são fáceis de ser mensuradas, bastante apenas comparar com o desempenho dos outros dias.

Tenho algumas metas diárias:

  • Revisar x tópicos das disciplinas ligadas aos concursos da área fiscal diariamente. Todos os dias, com raras exceções eu faço isso de forma que já tenho esse hábito e sei quando vou bem e mal. No fim das contas, se eu for resiliente, sei que vou conseguir ser auditor fiscal;
  • Academia e Ingestão de 1,5 gramas de proteína por quilo corpóreo, ambas diariamente. No longo prazo, tendo a ter menos gordura, uma vez que a saciedade trazia pela proteína encerra em si uma diminuição da busca por alimentos menos saudáveis, também tendo a ter mais massa muscular, haja vista a junção da alimentação correta somada ao exercício de hipertrofia trazem esses resultados.

Essas metas me levam dia após dia ao atingimento de meus objetivos. Lembro sempre de um provérbio chinês que diz que “toda jornada começa com um primeiro passo”. Certos objetivos desejados parecem ser de muito difícil alcance e isso se deve ao fato de realmente serem. Todavia, com pequenas metas vamos alimentando a sensação de estarmos cada vez mais próximos de nossos objetivos. Veremos o sucesso de maneira cada vez mais clara, um passo de cada vez.

4. Estude e Pratique – Aprenda e treine o máximo possível

Duas de suas metas devem obrigatoriamente ser estudar e praticar. Despiciendo é falar que a instrução é a base de qualquer coisa, mas não resisto. Reforçando, a instrução é a base de qualquer tipo de sucesso, ainda que adquirida sem a leitura de um livro. Sem instrução não há como se desenhar o caminho. Sem instrução, por vezes, acreditamos estar com as metas corretas, mas na verdade, elas nos levam à direção oposta, o que é péssimo e desanimador.

Pratique! Sem a prática, o conhecimento perece. Certa vez, li num livro do Paulo Coelho que o conhecimento sem prática é como uma espada que nunca sai da bainha e, quando for necessário o seu uso, provavelmente ela estará enferrujada. Pratique! Se a meta for passar numa prova, faça questões. Se for ficar musculoso, vá à academia. Se for ficar rico, invista. A mera leitura não fará ninguém atingir seus objetivos práticos.

5. Afinando. Livre-se de seus vícios

O que me fez escrever este post foi um outro sobre o foco: 10 ways to stay ridiculously focused on your goals. Em que pese a abordagem seja no formato de dicas, pondera recomendar a leitura. Nesse post aprendi uma coisa só, o que é excelente. Adoro aprender algo e isso é muito preciso. Aprendi um conceito de vício: vício é aquilo que a gente faz quando não quer fazer o serviço pesado.

Detecte os seus vícios. Eu, quando me deparava com uma questão de concurso que fosse complexa, automaticamente ia checar o e-mail, ver um vídeo ou começava a viajar na maionese. Quando eu tinha que pensar em algo difícil e tomar uma decisão, comprava uma cerveja e relaxava. Esses são meus vícios e me atrapalham. Conhecendo meus inimigos, terei aumentado minhas chances de sucesso. Agora, quando surge a vontade de fazer algo, digo pra mim mesmo: só depois de resolver essa questão; só depois de resolver esse problema. Liberte-se!

Comentários finais

Sempre quando houver dúvidas sobre se uma meta está lhe ajudando ou não, reflita. Altere suas metas se for necessário, aumente o tamanho das metas se for possível, diminua também se for necessário. Adapta-se e não desiste. A glória nos espera. 🙂

Espero que tenha gostado do post. Tentei me esforçar pra refletir em um texto a ideia geral. Levou umas duas horas pra escrever, então, por favor, comente! 🙂

A regra 50-15-35 de orçamentação. Minha situação atual. Planejando a virada.

Quem acompanha o blog já sabe que eu passei por várias dificuldades como a busca e apreensão de meu carro, gastar mais que receber, despesas gerais com família e até mesmo falta de controle de despesas supérfluas. A despeito disso, tenho conseguido levar a minha vida e honrar a maioria dos meus compromissos, mas sempre colocando em risco o pouco que tenho investido, haja vista ainda não possuir uma reserva de emergência. Por isso, venho procurando uma saída séria e definitiva para a estruturação de minhas finanças.

Tenho percebido que quando há complicações demais, registros demais ou mesmo detalhes demais, o controle tende a não funcionar. Estudo contabilidade. Talvez seja estranho eu ser contra o controle moeda por moeda, mas o fato é que somos diferentes de uma empresa. Em uma corporação, há profissionais específicos para escriturar e acompanhar as demonstrações financeiras. Eu como pessoa física não teria essa disponibilidade. Mesmo com aplicativos que registram tudo automaticamente como o GuiaBolso, tenho que classificar e acompanhar tudo o que é gasto para, por fim, não ter o resultado esperado.

Então, aumentei as minhas buscas para responder a seguinte questão: como controlar minhas contas? Afinal, este é o primeiro passo para quem quer ser um investidor. Me lembrei que há alguns anos atrás eu havia lido sobre uma regra de três números que definia percentuais para cada categoria de gastos. Bom Google. Encontrei a regra e ela se chama 50-15-35.

A regra 50-15-35

A regra 50-15-35 é composta por três números que somados totalizam 100, ou seja, eles representam 100% do seu orçamento. As despesas devem ser obrigatoriamente ser divididas em Essencial (50%), Financeira (15%) e Estilo de Vida (35%). Observe a sequência, pois ela possui um significado. Primeiro, devemos pagar as despesas essenciais como água, energia, aluguel, transporte, educação, saúde e similares. Posteriormente, pagar as dívidas financeiras e, caso não haja dívida, constituir o colchão de liquidez. E, por último, mas não menos importante, 35% para “viver”.

Obviamente, esses valores podem variar de pessoa para pessoa. Alguém com uma renda mensal de R$ 40.000,00 não precisa gastar a metade com despesas essenciais e poderia aumentar a despesa financeira para 20%, 30% ou mais. No meu caso, vou começar com os valores indicados no nome da regra. Esse será o meu ponto de partida.

A minha situação atual

Não objetivo me expor, até por que não me identifico pelo nome. Desejo apenas registrar minha vida financeira “do desastre ao triunfo” sem utilizar caminhos fáceis como vender isso ou aquilo para pagar. Enfim, vou enumerar minha dívidas atrasadas, despesas, investimentos e aferir o quanto minhas despesas são aderentes à regra.

Seguem meus recursos que estão 100% sob meu controle. Além desses há outros que depende de decisão judicial e serão acrescentados conforme forem sendo realizados. Elas são: uma sala comercial inacabada de R$ 120.000,00, fundos imobiliários e ETFs no valor aproximado de R$ 1.000,00 e
carro popular no valor (tabela FIPE) de R$ 35.000,00, R$ 8.000,00 em gado. Meus recursos controlados totalizam aproximadamente R$ 164.000,00.

As dívidas atrasadas são: R$ 1.500,00 na Dívida Ativa, R$ 3.000,00 na caixa econômica, R$ 1.700,00 com uma imobiliária (comprei um lote em 2008 e ainda não terminei de pagar), R$ 800,00 na faculdade. Tais dívidas totalizam R$ 7.000,00.

Meu salário líquido é de aproximadamente R$ 7.200,00. Aplicando a regra temos R$ 3.600,00 para despesas essenciais, R$ 1.080,00 para finanças e R$ 2.520,00 com estilo de vida. Pelos meus cálculos, viver com R$ 3.600,00 para despesas essenciais é tranquilo. Porém, R$ 2.520 para estilo de vida e R$ 1.080,00 para a questão financeira é difícil.

O problema prático e a quase solução teórica

Seguindo a regra, tenho disponível R$ 1.080,00 para despesa financeira. Porém, tenho dois empréstimo que já abocanham 100% desse montante. Ou seja, em tese não teria margem para pagar as dívidas atrasadas e, na prática, é o que acontece. Ademais, quanto mais o tempo passa, os valores aumentam devido aos juros e às multas.

Assim, a única forma que vejo de quitar essas dívidas atrasadas seria a venda de algum recurso controlado, porque com os 15% não seria possível salda-las. Seria estupidez vender o apartamento, uma vez que o mercado imobiliário está péssimo. Seria perda de tempo perder meus títulos privados, já que perfazem um montante muito pequeno. O carro, esse eu não vendo :). Sobrou o gado. R$ 8.000,00 (valor de custo do início do ano passado) seria ideal para sumir com as dívidas atrasadas. Pena que estamos sofrendo com a liquidez do gado por esses tempos e não estou conseguindo vender.

Esse problema de liquidez do gado choca com a minha urgência no caso da imobiliária, uma vez que o lote corre o risco de ser revendido caso não quite esse saldo urgentemente. Enfim, são muitos os problemas. O mais importante foi feito: enumerar dívidas, enumerar despesas, orçamentar, ter consciência e ter vontade.

Acompanhamento

Analisarei uma forma de publicar o acompanhamento de minhas despesas. A intenção é me estimular a dar uma virada. Não uma virada fácil, mas uma virada técnica na vida financeira. Com essa análise de cenário, plano traçado, agora falta a execução. Em breve saberei de que sou feito.

Pelo andar da carruagem, este ano será o ano da virada. Será o pontapé inicial composto por conhecimento, paz e a fuga da corrida dos ratos. Desculpe a exposição e opiniões em demasia, mas o blog serve pra isso mesmo. 🙂

Os perigos financeiros da racionalização do emocional

Neste post teço alguns comentários sobre erros que cometemos ao comprar algo por impulso. Falo um pouco de teoria do nosso processo de decisão e sobre ideias próprias.

Emoção vs. Razão

Livros e textos diversos dividem nossa mente em duas partes: a racional e a emocional. Alguns deles até acentuam que essa divisão é meramente didática, pois essa separação de fato não existe. A parte racional é aquela que planeja, que realiza ações procedimentais, que busca a melhor decisão. A parte emocional é aquela responsável por fechar nossas pálpebras quando o perigo se aproxima, por aumentar os batimentos cardíacos a fim de nutrir os músculos para facilitar a fuga.
Essas duas partes convivem harmoniosamente, uma vez que cada situação de nossa vida exige resposta mais ou menos elaborada, mais ou menos rápida, mais ou menos automatizada. Por vezes, fazemos coisas sem pensar. Outras vezes, precisar estimar prazo, a forma e outros detalhes.
Foco, um livro de Daniel Goleman, explicita que várias questões de nossa vida cotidiana são introduzidas através da porção racional de nossa mente e, conforme o tempo passa e nos adaptamos àquela situação, quanto mais automatizada está, mais ela vai sendo repassada à porção irracional.
Um caso bem notável para mim foi quando aprendi a dirigir. Tudo era difícil e exigia bastante atenção. As setas, a marcha, a direção, os outros carros, a sinalização, o momento de dobrar etc. Com o tempo, tudo foi se automatizando. Era repetitivo demais para se dar atenção. Hoje dirijo e não penso em nada. Cada item necessário para se conduzir um veículo é manuseado automaticamente. Isso significa que começou completamente no racional, mas hoje já está automatizado. A minha porção rápida tomou conta dessa questão.
No mesmo livro, o autor acentua que a porção emocional foi fundamental na evolução humana, haja vista ser ideal para nos livrar de perigos como ataque de animais, ataque de outras tribos e outras situações que nos causariam dano. Ou seja, a emoção é rápida na decisão, enquanto que a razão é lenta.

A racionalização do emocional

O grande perigo está quando, por alguma razão, queremos algo por impulso. No fim, o emocional é que manda em nossas ações. A emoção busca no emocional argumentos racionais para convencer a outra porção do cérebro. Ou seja, nós buscamos convencer a nossa parte racional que aquela decisão não racional é racional.
Como a mãe de um criminoso busca argumentos para inocentar o filho marginal, nós sabotamos a razão com argumentos racionais que são fruto do emocional. Péssimo. Por vezes, acabamos por ceder aos argumentos fruto da emoção sob o pretexto de ser uma “boa compra”.
Me lembro como se fosse hoje. Eu tinha um carro hatch com 4 anos de uso e eu havia acabado de ter um filho. Acreditava precisar de um automóvel com traseira para carregar as tralhas dele. Carregar malas, afinal, eu tinha uma família. Comprei, financiado. Nem fiz os cálculos. O cara me disse que esse carro custa R$ 40.000,00. Essas parcelas cabem no meu bolso. Pronto, o carro é meu.
Ainda não quitei esse carro. Devo fazê-lo em breve. Como é duro sentir o efeito bola de neve contra suas próprias finanças. Todavia, esse erro do passado me trouxe o aprendizado deste post. Nunca confie em seu emocional quando o assunto for finanças pessoais. Ele vai querer vários objetos, porque quem se preocupa com as contas é a parte racional. Se você se deixar vencer, você estará em maus lençóis.

Comentários

Antes de comprar qualquer coisa preste bastante atenção quem está no controle. O racional ou o emocional? Os argumentos para a compra são realmente os melhores, os mais adequados, os mais matematicamente precisos?
A atenção deve ser redobrada no caso de assinatura de contratos e, mais ainda, quando esse contrato envolver empréstimos. Como no financiamento do meu carro, pareceu um bom negócio, mas até hoje pago pelo meu erro.
Meu antigo carro estaria bem até hoje. Agora só compro carro pra utilizar 10 anos. Esse meu vou utilizar por 10 anos e quando for trocar, vou comprar um usado por 1 ou 2 anos. Enfim, o post não é sobre financiamento de carros, mas um alerta. Cuidado com os perigos da racionalização do emocional. Abraço.

O carro deu prego. E se eu tivesse uma reserva de emergência?

Desculpe-me o excesso de pessoalidade, mas a ansiedade me pegou de jeito hoje. Percebo que quando o dia começa ruim, tende a terminar ruim. O carro deu prego e eu sabia que não conseguiria chegar ao trabalho. Fazia anos que eu não pegava um táxi, mas foi o jeito. Cheguei ao trabalho em segurança e, como o esperado, o dia foi horrível. Vários sistemas em pane e eu nunca consigo terminar algum ticket por que simplesmente não me deixam focar em algo: estou sempre “apagando fogo”. Enfim, aprendi bastante hoje.

Reserva de emergência é o nome clássico, porém prefiro colchão de liquidez. Despiciendo conceituar, mas sua utilidade é gigantesca para qualquer pessoa, principalmente para o pequeno investidor. Tive que substituir algumas peças do meu carro e não foi nada barato. Custeei todas as despesas com o dinheiro de pagar outras contas. E agora, de onde sairá o dinheiro para quitar meus débitos? Espero que não seja de meus investimentos, mas não estou vendo saída.

Desta última lição que a vida me deu, aprendi sobre a relevância do colchão de liquidez: emergências acontecem e não é possível prevê-las. Novamente, desculpe-me se isso for óbvio demais. Estou saboreando a minha Eisenbahn. Não pretendo inovar. Só quero dizer que se você deseja ser um investidor sério, aprenda com o erro alheio. Tenha uma reserva de emergências.

Deve haver uma camada de gordura para se queimar antes de se chegar aos investimentos. Veja, ainda bem que eu tenho pelo menos investimentos, porque caso contrário, eu estaria condenado a emprestar dinheiro de bancos, especialistas em sugar nossa essência vital.

Conta Corrente Colchão de Liquidez Investimentos Tomar Empréstimos

Da esquerda para a direita, o caminho que seguimos no consumo. Toda essa estrutura deve existir. Se uma faltar, você pode estar em problemas. A primeira é a do dia a dia. Farmácia das crianças, supermercado, combustível, serviços essenciais, a segundo Eisenbahn etc. Caso ocorra alguma emergência, the second stage: o colchão de liquidez. Alguns investimentos sofrem com a volatilidade, então recorrer a eles em caso de necessidade é uma péssima ideia. Com lágrimas, acabaram os valores investidos. Segue-se para o empréstimo. Aqui é o final da linha. Dead end.

Por experiência própria, quando se chega aos bancos. Você está ferrado. Então, a velha dica de sempre: registre receitas e despesas. E depois? Projete um sistema de consumo que faça alguma grana sobrar pra montar o colchão de liquidez, depois invista. Uma possibilidade é investir em renda fixa e usar como possível colchão de liquidez e investimento ao mesmo tempo. Enfim, não quero entrar em tantos detalhes óbvios. Só quero registrar o impacto que a falta de um colchão de liquidez causou. Creio que já deu pra perceber.

Registro que farei o máximo para não consumir meus investimentos e vou tentar esticar as contas até o salário. Vai virar uma bagunça, mas no post de aporte deve ficar evidente o que ocorreu. Próximo projeto: colchão de liquidez de 3 salários líquidos. Outra coisa, o carro já foi consertado. Abraço.

 

 

 

 

 

Consumir vs. Poupar

Tenho a impressão de que os 10 últimos anos da minha vida foram planejados para que eu aprendesse. Passei por muitos problemas, mas estou aqui. São, salvo e com as lições aprendidas. Uma das principais foi como lidar melhor com o dinheiro e como tenho demonstrado certo conhecimento financeiro, as pessoas começaram a me perguntar sobre. Alguns desses questionamentos me despertam vários outros. A pergunta que tento responder neste post é sobre o momento e o quanto aportar. Considerando que a construção do patrimônio depende dos aportes, essa pergunta se torna importantíssima.

Quanto consumir e quanto poupar? É claro que a resposta deve ser individual (proporcional). Atualmente, poupo R$ 350,00 por mês. Pouco, muito pouco. Todavia, é o que estou podendo guardar. Em uma situação ideal, acredito que devemos definir percentual do quanto poupar alinhado com nossas metas financeiras, refletindo sobre alguns pontos. O que espero do dinheiro? Complementar a renda, dobrar a minha renda ou não depender da renda fruto de meu trabalho? Em que momento da vida quero alcançar esse objetivo? Como quero viver agora? Sem usufruir de nada, aproveitando um pouco ou consumindo “topado”? Na jugular! Essas são as perguntas que vão nos levar a onde queremos!

O que espero do dinheiro?

Percebo que a maioria dos blogueiros querem o que chamam geralmente de independência financeira ainda na juventude. Não tenho clara essa ideia. Sei que espero poupar, mas não creio que o volume de meus aportes façam com que eu não precise mais trabalhar. Pelo menos, não na minha juventude. Então, o mais sensato é definir que quero algo intermediário como dobrar a minha renda. Não serei livre do trabalho, mas terei bastante grana pra gastar (essa parte eu gosto). Quero que num feriado prolongado, eu compre, sem antecedência, passagem para a Austrália para mim, esposa e filhos e nem me preocupe com p**** nenhuma. Pensando assim, não preciso sacrificar minha cerveja, a diversão da minha família nem outros prazeres matrixianos. Uma fuga paulatina da corrida dos ratos.

Em que momento da vida quero alcançar essa renda financeira?

Quero alcançar esse objetivo daqui uns 15 anos. Alguns colegas, mais jovens, certamente acharão um objetivo modesto demais. Porém, já não tenho a juventude ao meu lado. Então, é o que tem pra hoje. Muito melhor do que fazer vários consignados, financiar a casa própria e financiar um carro atrás do outro. Isso sim é prejuízo. Meu atual e pequeno conhecimento já me empurrou a pílula vermelha: 1. É proibido utilizar dinheiro de terceiro; 2. Devemos poupar para construir um patrimônio.

Como quero viver agora?

Sinceramente, não tenho grandes pretensões no presente. Apenas obedecer ao meu simples sistema de consumo. Quando eu conseguir ser aprovado no concurso de auditor fiscal, vou poder ampliar meu consumo e ainda aportar bem mais. Proporcionalmente, vou aumentar mais o destinado ao sistema de investimento, que ao sistema de consumo. Isso fará com que o meu nível de consumo não suba tanto, bem como vai encurtar o prazo para dobrar a minha renda, uma vez que os aportes serão muito maiores.

Comentários

Me sinto aliviado com as respostas :). Tenho a certeza que devemos definir o percentual que vamos poupar/aportar com base em respostas de perguntas como essas. Caso contrário, será algo sem sentido e arbitrário demais. Algo penoso, quase irracional. Não acredito que devamos gastar tudo que ganhamos. Também tenho certeza de que não devemos poupar de maneira a tornar nosso presente desgraçado, “lutando diariamente contra a Matrix”. Cara, posso morrer amanhã. Não deve ser diferente a “vida” pós-morte de um milionário da de um miserável.

Sigo minha estratégia para aumentar a renda, aportando pouco enquanto não consigo mais. Curtindo a minha família e alguns prazeres mundanos. Se algo acontecer comigo, minha família terá alguma segurança financeira para prosseguir. É isso.

Amigo, eu acharia muito interessante se nos comentários você respondesse essas três perguntas:
O que espero do dinheiro?
Em que momento da vida quero alcançar essa renda financeira?
Como quero viver agora?
Abraço!