Como se dividem os Ativos no BP – Balanço Patrimonial Parte 2

Quando as pessoas se reúnem com um objetivo específico, formam um grupo e seguem um ideal. Esse grupo possui uma organização. Com o desenrolar da economia, alguns grupos se especializaram em produzir benefícios aos seus participantes. Tais grupos são chamados de empresas ou organizações. Hoje, podemos ser sócios dessas empresas praticamente por meio do mercado de capitais.

Como visto no primeiro post desta série sobre o Balanço Patrimonial,  o patrimônio das empresas se divide em ativo e passivo. Os passivos representam a origem dos recursos, que podém advir dos próprios sócios, que subscrevem ações, ou por meio de endividamento (empréstimos). Tais recursos entram no caixa ou em algum item patrimonial e depois são distribuídos, comumente, na aquisição de ativos que manterão as atividades produtivas da entidade.

A estrutura ou A parte chata…

Em que pese os passivos evidenciarem muito sobre a perpetuidade do negócio, pondera acentuar que são os ativos que geram o valor para os proprietários, usuários, funcionários, diretores e todos que possuem participação no empreendimento. Basicamente, a legislação prevê a seguinte estrutura básica para o ativo:

1. ATIVO
1.1. ATIVO CIRCULANTE
1.2. ATIVO NÃO CIRCULANTE
1.2.1. REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
1.2.2. INVESTIMENTO
1.2.3. IMOBILIZADO
1.2.4. INTANGÍVEL

Essa enumeração funciona como uma grande estrutura de diretórios. Os seus usuários podem colocar subdiretórios dentro desses estabelecidos sem infringirem a legislação, mas entendendo o que está posto, entende-se o todo.

O ativo, como foi dito, é aplicação do rescursos: o maquinário, as marcas, os direitos ligados a propagandas, a concessões e a patentes, insumos, estoques, dinheiro em caixa, imóveis. Tudo que a empresa se utiliza para rodar.

O ativo divide-se em ativo circulante e ativo não circulante. Basicamente, a diferença é que o circulante é de curto prazo, enquanto que o não-circulante é de longo prazo. Veja, a marca Coca-cola é de longo prazo, mas o produto depende da marca. De outro lado, um dinheiro em caixa pode servir para pagar o salário mensal dos funcionários, evidenciando a sua natureza de curto prazo.

Dentro do ativo não circulante temos quatro sub-grupos: o realizável a longo prazo, o investimento, o imobilizado e o intangível. O realizável a longo prazo são, de forma genérica, direitos realizáveis após o exercício sub-sequente (depois do final do ano seguinte).

O intangível é todo ativo incorpóreo destinado à produção de riquezas da entidade como marcas e patentes. O ativo imobilizado possui a mesma função que o intangível, que é produzir riqueza, tendo como característica distinta o seu corpo, físico. Ou seja, o que produz riqueza é o imobilizado e o intangível.

A conta investimentos registra os investimentos em outras empresas, em lotes, imóveis não utilizados na produção de riquezas (não imobilizados), alguns ativos financeiros de longo prazo e outros itens que se espera uma rentabilidade real.

O caixa (Cash is king!!!)

O nome desta seção deveria ser disponibilidades, mas acho que caixa é muito mais clickbait. Sigo. Disponibilidade é todo o caixa e o equivalente ao caixa, que, em outras palavras, significa todo o recurso com liquidez imediata.

Deste modo, a denominação dada pela lei 6.404 de 1976, é usada para indicar dinheiro em caixa e em bancos, bem como valores equivalentes, como cheques em mãos e em transito, sendo estes recursos livres para aplicação imediata nas atividades da empresa. -Iudícibus

A conta caixa registra o dinheiro que há no caixa, mas há também a conta bancos, a conta títulos públicos e qualquer outra que se encaixe no conceito, pois, como visto, basta obedecer à estrutura básica. No caso do caixa e equivalentes, devem ser criadas estruturas próprias dentro do grande grupo de ativo circulante. Exemplo:

1. ATIVO
1.1. ATIVO CIRCULANTE
1.1.1. CAIXA
1.1.2. TÍTULOS PÚBLICOS
1.1.3. CONTAS CONRRENTES

Grande parte da movimentação da empresa gira em torno das disponibilidades. As disponibilidades são utilizadas para aquisição de mercadorias, de imóveis, veículos, pagar funcionários e honrar as obrigações com os credores. Literalmente, cash is king!

O estoque

Falei do caixa e agora das mercadorias por que a partir desses dois conceitos será possível introduzir uma série de posts ligados a indicadores. Estou ansioso para isso.

Acho até bobagem falar o que registra a conta estoques, mais vai lá. A conta estoques registra  o valor patrimonial das mercadorias disponíveis para venda e também pertence ao ativo circulante, pois é considerada de curto prazo.

O estoque representa o custo das mercadorias possuídas por uma empresa numa data especifica. – Álvaro G. de Oliveira

É na conta estoques que estão registrados todos os custos ligados a aquisição de insumos para produção, recursos para aquisição de produtos acabados, frete para transportá-los etc. Em suma, todos os custos incorridos na aquisição das mercadorias.

Como vimos nos estudos de DRE no site, o lucro bruto se dá da seguinte forma:

Receita Líquida
(Custo das Mercadorias Vendidas)
=Lucro Bruto

Como já dito anteriormente, o principal fundamento de uma empresa é o seu lucro e, se é pelo custo que, normalmente, conseguimos obtê-lo, é interessante entender seu conceito.

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ROI: Um estudo sobre o retorno sobre o patrimônio líquido e ao acionista

Estive pensando em investimentos e acho que agora é uma boa hora para me distrair escrevendo algo no blog, uma vez que meu filho foi internado e não posso sair de casa: estou cuidando de minha filha menor. Vou falar de algo interessante que aprendi apenas pensando sobre ROE. Isso vai me ajudar e pode servir ao entendimento de todos.

Sempre preferi empresas de alto ROE e, quanto maior o ROE, melhor eu achava que a empresa remuneraria o seu patrimônio. O ponto é que isso é de fato verdade. Qual a discussão então? O problema dessa ideia é que nem sempre pagamos o valor do patrimônio líquido no papel, ou melhor, praticamente nunca.

Estudo EGIE3 vs. SAPR11

Sempre uso o Fundamentus quando quero fazer uma análise inicial do papel e, quando quero aprofundar, utilizo os últimos releases. Estudemos o caso de EGIE3. Neste momento, a cotação é de R$ 37,64, o VPA é de R$ 11,21 e o ROE é de 27,9%. Wow! Mas que belo ROE!

Só que há um problema nessa tara por altos ROEs: o retorno é sobre o VPA e não sobre o preço que pagamos. Então, podemos acompanhar a sequência e analisar:

engie

Ano 1 -> VPA de R$ 14,34 (11,21×1,279)
Ano 2 -> VPA de R$ 18,34
Ano 3 -> VPA de R$ 23,45
Ano 4 -> VPA de R$ 30,00
Ano 5 -> VPA de R$ 38,37 (recuperamos o dinheiro em termos nominais)
Ano 6 -> VPA de R$ 49,07
Ano 7 -> VPA de R$ 62,76
Ano 8 -> VPA de R$ 80,27
Ano 9 -> VPA de R$ 102,66
Ano 10 -> VPA de R$131,31 (multiplicamos o nosso patrimônio em 11,7x)

Quando compramos uma ação por determinado preço, deixamos de possuir o dinheiro e passamos a possuir um patrimônio e o ideal é que esse patrimônio seja bem remunerado como o acima. Todavia, devemos perceber que, nominalmente, só tivemos o payback em 5 anos, uma vez que o P/VPA foi maior que 3x.

Agora vamos ver o caso de uma boa empresa que possua um ROE bem menor. Pokemom Cachorro, eu escolho você!!! (copiado do Viver de Construção). Brincadeiras a parte, escolho SAPR11 para comparar com EGIE3. A Sanepar está cotada a R$ 59,48, tem o VPA de 51,14 e possui um ROE de 13,3% (menos da metade de Engie).

sanepar

Ano 1 -> VPA de R$57,94 (51,14×1,133)
Ano 2 -> VPA de R$65,65 (recuperamos o dinheiro no início do ano 2)
Ano 3 -> VPA de R$ 74,37
Ano 4 -> VPA de R$ 84,27
Ano 5 -> VPA de R$ 95,47
Ano 6 -> VPA de R$ 108,18
Ano 7 -> VPA de R$ 122,57
Ano 8 -> VPA de R$ 138,87
Ano 9 -> VPA de R$ 157,33
Ano 10 -> VPA de R$  178,26 (multiplicamos o nosso patrimônio por x3,5)

O P/VPA (preço sobre valor patrimonial) de Sanepar (1,26x) é infinitamente menor que o de Engie (3,35x) e a consequência é que o payback da companhia de saneamento se dá pouco mais de 1 ano, enquanto que o da geradora, dá-se em 5. Percebemos que, matematicamente, há uma tendência de termos o retorno de um  investimento em tempo muito menor quando o múltiplo P/VPA é menor.

Todavia, no longo prazo, há uma tendência do retorno ser maior para a empresa com maior ROE. Percebemos que em 10 anos, Engie (11,7x) aumentou o patrimônio mais de 3 vezes que Sanepar (3,5x).

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Engie golpeando Sanepar no longo prazo

Certo. Isso significa que devemos apostar em altos ROEs ou baixos P/VPA? Bem, pagar um baixo P/VPA, ao meu ver, não significa que você é um gênio das finanças por ter achado o papel, mas que você está diminuindo o seu risco, uma vez que tende a ter um retorno em menos tempo mesmo com um ROE inferior a outras opções.

Já, ao escolher um ROE maior, está pensando em obter retorno patrimonial no longo prazo. Como sabemos, em tese, quanto maior o prazo do investimento, maior o risco. Cabe ressaltar que, no caso de renda variável, não há uma negociação das taxas e, caso as características da empresa comece a desagradar, basta vendê-la e encerrar a posição.

ROE, VPA e rentabilidade

Neste post, pudemos observar que o ROE possui uma relação muito grande com o P/VPA. Não que seja um indicador perfeito, mas, recentemente, descobri que é utilizado por ninguém menos que Luiz Barsi Filho, que é um dos heróis da bolsa brasileira.

Lembro que o Barsi comprou BBAS3 com P/VPA inferior a 1. Para mim (e para ele!!!) é óbvio que ele teria o retorno muito rapidamente. Só com essa jogada, ficou alguns milhões mais rico. Grande player!

Utilizei este critério apenas em dois calls: ITSA3 e SAPR3. Quer saber? Fui muito feliz as duas vezes. Haters do P/VPA a parte, funcionaram muito bem pra mim. Funciona sempre? Óbvio que não, pois caso contrário, seria fácil demais.

Lembro-me que tanto ITSA3, quanto SAPR3 estavam com o P/VPA menores que o ROE somado a 1 e isso me chamava muita atenção: compre-me!!! estou muito barato!!! O resultado foi os melhores que eu tive com relação aos outros critérios. Sorte? Talvez…

A minha visão foi a seguinte: se o ROE + 1 for superior que o P/VPA, o retorno é quase certo. Em ITSA3, tive um retorno, em termos patrimoniais, de cerca de 50% fora os vultuosas dividendos. Já, a agora, SAPR11, tive o retorno de cerca de 35% fora os dividendos. Ou seja, nas duas vezes que utilizei este critério performei excepcionalmente.

Além desses casos, não faz muito tempo, apliquei o mesmo critério em EZTC3. Não comprei o papel, que estava com P/VPA menor que 1!!! Para quem comprou o excelente call, o P/VPA já supera os 1,33x (valorização de quase 40% do P/VPA inferior a 1) e dividend yield de 17%.

Entendimento da comparação CDI vs. ROE

Vejo muitos colegas comparando o ROE com o CDI: há, o ROE é maior que o CDI, então passa nos meus critérios. Acho que pra quem leu o post até aqui será capaz de entender que somente será possível comparar o ROE com o CDI se o P/VPA for próximo de 1.

Caso o CDI seja de 7% ao ano, patrimonial e matematicamente, teríamos um retorno maior com uma empresa com o P/VPA igual a 1 e o ROE igual a 7%, uma vez que a renda fixa possui imposto de renda.

Agora, saber se vão pagar P/VPA maior que 1 é outra história. Afinal, estamos falando de renda variável. Neste mundo, nada é certo.

Empresas com o ROE+1 é superior ao P/VPA

Coloquei os seguintes critérios no Fundamentus:

  • P/L maior que 0;
  • EV/EVBIT maior que 0;
  • Liquidez maior que 10000;
  • P/VPA: maior que 1 e menor que 1,2; e
  • ROE: maior que 0.1.

Assim, obtive a seguinte lista: EALT4 (P/VPA 1,2x, ROE 33,89%), CCPR3 (P/VPA 1,18x, ROE 17,36%), SAPR4 (P/VPA 1,03x, ROE 13,32%), TRPL4 (P/VPA 1,01x, ROE 12,43%), SAPR11 (P/VPA 1,16x, ROE 13,32%), QGEP3 (P/VPA 1,04x, ROE 11,49%), CGRA3 (P/VPA 1,13x, ROE 12,02%) e CGRA4 (P/VPA 1,16x, ROE 12,02%).

Caso formos seguir o critério de preferência de ações ordinárias, as únicas candidatas seriam CCPR3, CGRA3 e QGEP3. No caso das duas primeiras, o payback em termos patrimoniais ocorreria em pouco mais de um ano, enquanto que no caso de QGEP3, seria em pouquíssimo tempo.

Conclusões

Não podemos achar que existe uma fórmula para entender a geração de riqueza no mundo, tampouco acreditar que podemos prever o futuro tendo em mãos apenas o passado. Porém, é interessante ter o entendimento de alguns indicadores para pelo menos diminuir a chance de erros em nossa vida de investidor. Até a próxima!

Regime de Caixa vs. Regime de Competência. Entenda as diferenças e semelhanças.

Sabemos que os homens eram nômades e viviam buscando comida e abrigo contra intempéries e ameaças temporais. Posteriormente, começaram a se estabilizar em grandes grupos, bem como a plantar para tirar o seu sustento da terra de forma programada e possibilitando a sua permanência em uma terra específica.

Essas sociedades não eram capazes de produzir tudo o que era necessário e começaram a realizar trocas entre si, participando do surgimento do que é conhecido como comércio. Quem produzia legumes, cedia legumes para quem produzir a carne, em troca desse produto. Ontem, vi um exemplo fantasioso dessa realidade: os episódios finais da sexta temporada de The Walking Dead. Um grupo conseguia produzir muitos alimentos, mas não eram guerreiros e, então, decidiram ceder metade de seus estoques a fim de que o grupo de Rick Grimes pudesse eliminar seus inimigos.

Há registros de atividade comercial desde os registros iniciais da história: no Egito, Mesopotâmia, Babilônia e outros. Dá pedra polida até os tempos atuais. Ou seja, registrar o patrimônio e a atividade econômica é uma necessidade social que sempre existiu. Os homens começaram a registrar seu patrimônio na pedra polida, passaram para o papiro, papel e, hoje, em sistemas computadorizados integrados com a produção, gestão de materiais e outros setores/processos organizacionais.

Um exemplo bem simples de contabilização do patrimônio no mundo antigo é a de um homem que possuía ovelhas. Uma vez por mês tal homem realizava a contagem de seu rebanho: para cada ovelha que ele separava, era jogada uma pedra em um cesto. Caso houvesse mais pedras que a contagem do mês anterior, seu patrimônio havia crescido. De outra forma, seu patrimônio teria diminuído ou até mesmo se mantido. Isso é patrimônio e não dinheiro. Todo dinheiro é patrimônio, mas nem todo patrimônio é dinheiro.

Existiram momentos em que o patrimônio era majoritariamente a terra e seu cultivo. Na revolução industrial, de 1.760 à 1.840, a terra certamente tinha o seu valor, bem como os galpões industriais, mas valor maior possuíam as máquinas à vapor que ditavam a marcha da produção. Atualmente, a informação e o conhecimento possuem valor descomunal. Tudo isso é patrimônio que, por vezes geram riquezas financeiras e por vezes representam apenas fatos econômicos.

Nessa introdução, tentei evidenciar a diferença entre dinheiro e patrimônio. Terras, cultivo, animais, construções, veículos, máquinas e até mesmo o dinheiro formam o patrimônio das organizações, enquanto o seu caixa aceita apenas dinheiro ou seu equivalente. É por isso que existe um regime diferente do de caixa: registrar eventos econômicos e não apenas financeiros.

O regime de caixa é o que usamos no dia a dia e até mesmo na gestão de pequenas empresas. Funciona assim, o dinheiro sai, a saída é registrada, o dinheiro entra, a entrada é registrada. Simples assim. A gestão da sua conta bancária provavelmente é feita pelo regime de caixa. Cada salário ou benefício que recebemos representa uma entrada, enquanto que cada gasto ou pagamento que fazemos representa uma saída do caixa.

Já o regime de competência, registra eventos econômicos. Quando alguém entrega leite em troca de feijões para outra pessoa, está realizando um fato econômico, mesmo que não exista dinheiro envolvido, ou seja, não representa um fato financeiro. Agora, caso alguém troque cerveja por alguns reais, estamos frente a um evento econômico com impacto no caixa.

Enquanto o regime de caixa registre apenas a movimentação do dinheiro, o de competência evidencia todos os eventos patrimoniais. Um exemplo que utilizei para explicar para meus colegas de curso como funciona o regime de competência foi o abastecer de um carro. Quando enchemos o tanque, entregamos dinheiro e recebemos o tanque de gasolina cheio.

Desse evento, percebemos que há uma diminuição imediata no caixa: pagamento do posto de gasolina. Todavia, não houve diminuição do patrimônio: parte do patrimônio que era dinheiro se transformou em gasolina. Ainda temos o patrimônio, porém em outra forma que não dinheiro. Todavia, quando começamos a dirigir e o combustível é queimado, está ocorrendo um evento econômico, mas não um efeito no caixa.

Percebo a estranheza de muitos ao analisar as demonstrações contábeis de empresas que possuem em seu patrimônio concessões públicas. A concessão é um elemento patrimonial que vai diminuindo conforme o tempo passa, não importando a frequência de recebimento de valores. Se a concessão possuir duração de 20 anos, todo ano um vinte avos desse contrato era desaparecer. Porém, durante todo esse período, o caixa não é afetado. A empresa continua recebendo dinheiro.

Quando a concessão acaba, não há uma diminuição abrupta do patrimônio, mas há uma abrupta de caixa, haja vista o patrimônio ter sido diminuído sistematicamente, respeitando o regime de competência, enquanto o caixa não. Esse é o caso da RAP (Receita Anual Permitida) das concessionárias ligadas à transmissão de energia elétrica como ALUP11, TAEE11 e TRPL3.

Essas empresas tem o direito de serem remuneradas por transportar energia e esse fato econômico é remunerado financeiramente. Segundo a ANEEL,

A Receita Anual Permitida (RAP) é a remuneração que as transmissoras recebem pela prestação o serviço público de transmissão aos usuários. Paras as transmissoras que foram licitadas, a RAP é obtida como resultado do próprio leilão de transmissão e é pago às transmissoras a partir da entrada em operação comercial de suas instalações, com revisão a cada quatro ou cinco anos, nos termos dos contratos de concessão.

Esse RAP é previsto em contrato, que representa a concessão. Toda a remuneração é baseada nesse instituto e tem efeito caixa, enquanto que o passar dos anos diminui o valor patrimonial do RAP.

Num último esforço na tentativa de transmitir a diferença entre o regime de caixa e o regime de competência, enumerarei vários fatos econômicos e seus respectivos efeitos em ambos os regimes, comentando os efeitos e evidenciando as diferenças.

Cenário 1. Aquisição à vista e em dinheiro de um veículo por R$ 40.000,00.

Regime de Caixa: Saída de R$ 40.000,00.

Regime de Competência: Não há efeito quantitativa neste regime. O que há de verdade é uma modificação qualitativa no patrimônio: R$ 40.000,00 em dinheiro se transformam em R$ 40.000,00 em veículo. Caso a entidade planeje utilizar tal veículo por 5 anos, deverá registrar uma despesa anual de R$ 8.000,00 com a depreciação, até zerar o valor do veículo ou apurar um valor residual.

Cenário 2. Segundo ano do contrato de concessão (RAP anual da TAEE11)

Regime de Caixa: Entrada financeira relativa ao RAP.

Regime de Competência: Receita relativa ao RAP, bem como a amortização (minoração) da concessão, que é um elemento patrimonial. Se o contrato for de 20 anos, irá amortizar durante todo esse tempo até zerar.

Cenário 3. Venda de mercadorias a prazo

Regime de caixa: zero de entrada e zero de saída.

Regime de Competência: Receita relativa à venda a prazo de mercadorias, haja vista ter ocorrido o fato econômico, embora não tenha ocorrido, ainda, a entrada de de dinheiro em caixa.

Comentários finais

Espero que tenha ficado clara a diferença entre os dois regimes. Entender a diferença nos ajuda a entender por que as vezes a empresa distribui mais do que o lucro, por exemplo. Isso pode ocorrer por que pode se ter recebido bastante caixa, mesmo sem ter ocorrido o fato econômico ainda. Por isso ocorrem distribuições, por vezes, maiores que o próprio lucro.

Quando uma empresa possui um lucro grande, mas a maioria dele ainda não refletiu no caixa, a companhia pode registrar uma conta de Reserva de Lucros a Realizar para, quando ocorrer a realização financeira, distribuir e cumprir o payout definido pela lei ou instituído.

 

Como analisar Balanço Patrimonial – Parte 1 – Estudo de caso VIVT3

Após o término de posts sobre demonstração de resultado do exercício, fiquei em dúvida sobre escrever sobre balanço patrimonial ou demonstração de fluxo de caixa. Cara, fiquei muito tentado por falar de caixa, mas percebi que, didaticamente, era melhor começar pelo balanço, uma vez que vários indicadores financeiros dependem de itens do balanço.

Esse primeiro post falarei um pouco do que é o balanço patrimonial, o que é ativo, passivo e patrimônio líquido e sobre a equação do balanço patrimonial. Mostrarei como analisar de forma básica no site fundamentus e, conforme formos avançando. Falaremos sobre tópicos mais avançados.

Conceito de Balanço Patrimonial

Balanço patrimonial é a demonstração contábil que evidencia os recursos controlados pela entidade, bem como a origem financeira para sua produção ou aquisição desses recursos. Que demais! Vou até dar uma acentuada nesse conceito.

Balanço patrimonial é a demonstração contábil que evidencia os recursos controlados pela entidade, bem como a origem financeira para sua produção ou aquisição desses recursos.

Os recursos controlados são os ativos e a origem de tais recursos formam os passivos totais da entidade. Um balanço patrimonial, visualmente, é representado da seguinte forma:

ATIVOS

Do lado direito são representados em forma de lista todos os recursos da entidade, incluindo: conta bancária, veículos, máquinas, aplicações financeiras, imóveis, investimentos em outras entidades e outros recursos.

PASSIVOS TOTAIS

Do lado esquerdo permanecem, também em forma de lista, a origem de todos os recursos utilizados para a aquisição dos ativos. Uma parte do passível pode ser cobrada da empresa e outra não, esta é conhecida como patrimônio líquido.

Aplicação – Estudo de Caso VIVT3

No primeiro momento, pensei em estender vários conceitos de forma bem detalhada. Todavia, para o investidor, pode não ser tão interessante. O foco é pegar a ideia geral para analisar as ações e a fim de analisar as ações. Então, vamos nessa. No site fundamentus, podemos abrir o balanço de VIVT3 de forma gráfica e evolutiva.

vivt3_ativo

Aqui é possível observar que o ativo deu saltos quantitativos nos anos de 2011 e 2015. Tal fato tende a levar a companhia a ter uma maior possibilidade de gerar riquezas, embora também necessite de mais recursos. A aquisição e manutenção desses ativos só é possível de três formas: aumento do patrimônio líquido, aumento de dívida (passivo) ou aumento do patrimônio líquido.

Em outras palavras, se o ativo aumento, ou houve aumento de dívida ou o aumento do patrimônio líquido. De outra forma, se os ativos diminuíram ou diminuíram-se as dívidas ou diminuiu o patrimônio líquido.

Essa certeza se deve ao fato de existir uma equação fundamental. Ela afirma que o ativo é igual a soma dos passivos (dívidas) com o patrimônio líquido (Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido). Ou seja, como eu havia dito, para subir o ativo, pelo menos um de seus componentes deve ter subido.

vivt3_pl

 Acima temos o patrimônio líquido daVIVT3. Mas que coincidência! Veja que aumentou nos mesmos moldes que o ativo. O fundamental é o entendimento de como o PL aumenta. Pois bem, as duas principais formas do PL aumentar é aumentando o lucro ou realizando novas emissões.

Isso se deve ao fato de que o pl é o patrimônio dos sócios da empresa e ele vem dos lucros e de novas emissões, fortalecendo a entidade. As dívidas são diferentes. Esse dinheiro terá que ser devolvido a terceiros que tem como única intenção lucrar juros com a empresa. Para descobri a dívida com terceiros basta subtrair do ativo o patrimônio líquido. Lembra da equação?

Passivo = Ativo – Patrimônio Líquido

Passivo é dívida. Utilizei o termo próprio para já familiar os não acostumados. Em nosso contexto, os passivos deVIVT3 somam cerca de R$ 30.000.000.000,00, uma vez que o ativo está em R$ 100.000.000.000,00 e o pl em R$ 70.000.000.000,00. No fundamentus consta uma dívida bruta bem menor, uma vez que nem todo passivo é uma dívida financeira, por que há outros tipos de passivos como salários, serviços a pagar e outras depesas.

Em outras palavras, nem todo passivo é uma dívida financeira e, portanto, nem sempre ensejará a cobrança de juros. A análise deve ter ciência do que se quer aferir dívidas financeiras ou dívidas em geral, que são chamadas de obrigações ou passivos.

Resumo

Bem, ativo é tudo que a empresa tem para gerar renda como carteira de clientes, imóveis, veículos, caixa, aplicações financeiras, máquinas, estoques e afins. Os recursos para a aquisição desses ativos devem vir de algum de dois lugares: patrimônio líquido ou passivo. O patrimônio líquido é o “dinheiro dos sócios”, enquanto que o passivo são obrigações, mas nem todas elas são financeiras. Então, fique atento.

Como avaliar empresas pelas margens bruta e EBIT – CGRA3 – Análise de Demonstrações Contábeis #10/10

Chegamos ao último post da série sobre Demonstração do Resultado do Exercício com muita satisfação e conhecimento adquirido. Aprendi bastante escrevendo sobre o assunto. Com o conhecimento maturado, aprendi a avaliar se entraria ou não em uma empresa e me sinto satisfeito.

Outrossim, tenho plena ciência de que há muitos outros assuntos sobre tal temo que poderiam ser tratados, mas para que não fique enfadonho e mesmo para que possamos desenvolver outro tema, resolvemos dar seguimento e falar de outra demonstração contábil. Acredito que pedagogicamente o certo seria seguirmos para o Balanço Patrimonial, mas estou com muita vontade de seguir para a Demonstração de Fluxo de Caixa, tendo recebido até mesmo pedido de leitores para que eu fale sobre DFC. Dúvida cruel!

Bem, o tema do post é o impacto das despesas administrativas sobre as margens. Tive essa ideia quando fui analisar as margens da Grazziotin. O gráfico me chamou atenção e resolvi falar sobre o tema. O post é bem simples, como todos os outros. Todavia, entendo ser um ótimo para entender como as margens funcionam.

Conforme evidenciamos em vários de nossos posts, basicamente, a margem bruta leva em consideração o retorno com relação ao custo dos produtos, enquanto que na margem EBIT, o retorno com relação ao custo dos produtos e às depesas administrativas/operacionais. Ou seja, a diferença é que a margem EBIT leva em consideração as depesas administrativas e operacionais.

graficos3

As margens acima dizem respeito à Grazziotin (CGRA3). Perceba que enquanto a margem bruta está subindo, a margem EBIT está caindo. Após a explicação do parágrafo anterior, fica fácil imaginar o porquê. Ora, houve uma aumento da eficiência com relação ao custo dos produtos vendidos, mas as despesas administrativas encareceram seja por conta do aumento do número de pessoal, seja por aumento de salários, enfim.

Caso a margem bruto não tivesse aumentado, o impacto no lucro seria considerável. Na forma atual, houve um equilíbrio. A margem EBIT caiu, mas foi compensada pela subida da margem bruta. Situação equilibrada.

Agora, como forma de exercitar o entendimento. Vejamos a imagem abaixo. Tente interpretar o porquê dos comportamentos dessas margens e suas consequências. Lembrando que o traço azul é a margem bruta e o verde, a EBIT.

margens_tipos

Tentei ilustrar várias possibilidades nas evoluções das margens. O tipo (d) é o que está mais próximo às margens da Grazziotin. O tipo (c) me lembra bem a margem da Cielo. Enfim, podemos fazer uma comparação com várias empresas. Entretanto, mais importante é entender.

Em (a), (b) e (c), percebemos que não há uma dissociação das margens Bruta e EBIT. Isso quer dizer que houve uma alteração no preço do produto para cima (a) ou para baixo (c). Até mesmo a manutenção dos preços (b).

Já no caso de (d) e (e), temos uma discrepância. Em (d), temos o caso de aumento de despesas administrativas/operacionais somada a uma aumento do preço de venda dos produtos ou diminuição dos custos dos mesmos. Em (e), o cenário é inverso. Há uma diminuição do preço ou aumento dos custos conjugados com uma diminuição drástica das despesas administrativas/operacionais.

Outrossim, torno a reforçar: entenda e reflita! Assim, chegaremos à sabedoria. Obrigado por acompanhar a série até aqui. Em breve devo estar começando a séria de fluxo de caixa ou de balanço patrimonial. Espero aprender bastante. Obrigado!

Dívida Líquida/EBITDA. Um estudo sobre o nível de endividamento de empresas – DRE #9/10

Quando analisamos empresas, um ponto chave é o seu nível de endividamento, uma vez que o resultado financeiro pode transformar um bom desempenho operacional em prejuízo. Veremos um pouco de história para entender o porquê de  o múltiplo dívida líquida por EBITDA é o mais importante indicador endividamento. Coloquei este tópico junto com outros sobre DRE por utilizar o conceito de EBITDA.

Com a Revolução Industrial (1.760-1.840), tivemos uma revolução na produção de bens de consumo. Anteriormente, a produção era artesanal e acabava que cada um era dono do que produzia e podia comercializar por si. A partir da revolução, os donos do capital puderam adquirir maquinário e contratar pessoas para trabalhar. Só havia duas opções: produzir artesanalmente e vender por si, o que ensejaria uma renda imprevisível, ou trabalhar para os capitalistas.

Nessa época, o valor da empresa estava intrinsecamente ligada a seu ativo imobilizado: suas máquinas, galpões destinados à produção e veículos de transporte e, portanto, para se estudar o endividamento dessas indústrias, bastava comparar seu nível de endividamento com o seu valor patrimonial (VPA).

Entretanto, a última revolução transformou o patrimônio em algo, por vezes, secundário. Vivemos na era da revolução da informação. Uma época em que comumente a informação é o próprio patrimônio, a própria fonte de renda e o próprio recurso. Comparar a dívida de uma entidade com o seu patrimônio pode ser algo tolo de se fazer em certos contextos.

Nesses casos, o indicador mais utilizado certamente é o (Dívida Líquida)/EBITDA. No livro FAÇA FORTUNA COM AÇÕES, pág. 61, Décio Bazin afirma que aprendeu duas grandes lições em um livro chamado AÇÕES & PRECAUÇÕES – de Gerard Haentzschel:

  1. Para investir no mercado acionário ninguém precisa saber mais do que as quatro operações aritméticas; e
  2. Um investimento vale pelo rendimento que proporciona.

O indicador de endividamento proposto atende justamente essa ideia. Pois bem, vamos analisar a fórmula. A forma como se calcula o EBITDA já foi detalhada no post sobre o tema. No entanto, o cálculo da dívida líquida será explicado a seguir.

Dívida Líquida = Dívida Bruta – Caixa ou equivalente de caixa

Dívida Bruta é, em termos simples, tudo que entidade deve a seus fornecedores, investidores, debenturistas, empregados e outros interessados e é caixa ou equivalente todo dinheiro em caixa, valores em conta corrente, títulos imediatamente convertidos em dinheiro e similares. Ou seja, a dívida líquida é a dívida bruta menos as disponibilidades imediatas da empresa em termos matemáticos.

Não significa que para o conceito de dívida líquida ter validade, a empresa terá que realmente amortizar parte de suas dívidas com o seu caixa, mas apenas uma avaliação que atenua a dívida, pois há recursos para isso.

Como o próprio nome do múltiplo sugere, para se calcular esse indicador basta dividir a dívida líquida pelo EBITDA.

Nível de Endividamento = Dívida Líquida / EBITDA*

O EBITDA representa o resultado operacional da empresa, ou seja, o que ela conseguiu gerar de valor agregado. Então, o indicador representa quantos exercícios seriam necessários para pagar a dívida desconsiderando outros fatores, notadamente, os impostos. Agora, aplicaremos esse indicador a algumas empresas para fins de consolidação do entendimento. Alguns dos dados serão retirados do site OCEANS14, enquanto que outros do Fundamentus.

*Considera-se o EBITDA acumulado dos últimos 12 meses.

Estudo de endividamento de TRPL4 e TAEE11

É interessante ressaltar que os múltiplos são melhor aplicado na comparação intrassetorial, uma vez que comparar empresas de setores diferentes pode gerar um entendimento problemático do nível de endividamento da empresa. TRPL4 e TAEE11 foram os papéis escolhidos nesta seção e ambos são do subsetor de transmissão de energia elétrica.

Código Dív. Brt. Disp. Dív. Líq. EBITDA* Nv. End.
TRPL4 1.288 259 1.029 7.967 0,13x
TAEE11 3.412 84 3.328 883 3,76x

*Por questão de praticidade, utilizei o EBIT no lugar do EBITDA (não precisei fazer cálculos para obter).

No quesito endividamento, fica evidente que TAEE11 está em um nível de endividamento superior ao da TRPL4. Entretanto, sabe-se que ela não está em uma situação muito grave devido o seu contexto. Ademais, utilizamos o EBIT no denominador, que é menor que o EBITDA. Caso utilizado o EBITDA, o múltiplo de ambas as empresas seriam menores. Entretanto, para fins de comparação, mantivemos a simetria.

Considerações Finais

 É muito comum o entendimento de que um múltiplo dívida líquida / EBITDA se situa em faixas:

  • O endividamento <= 2x é confortável;
  • O endividamento > 2x e < 3,5x é aceitável; e
  • O endividamento > 3,5x é considerado preocupante.

No entanto, cada empresa tem o seu contexto, mais do que avaliar o nível de endividamento da empresa que está sendo estudada com as concorrentes do setor, é acompanhar o endividamento, os motivos dele, as aplicações dos recursos, bem como a composição da dívida.

No mundo dos investimentos, não há fórmulas infalíveis. Utilize o indicador com parcimônia. Abraço!

PEG Ratio – Quando comprar uma ação?

Primeiramente, quero registrar que este é um dos posts deste blog que valem a pena ser lidos. Então, leia até o final e, se possível, comente. Isso faz muita diferença. Seja avançado ou novato, dê uma forcinha comentando ou compartilhando. Gosto muito desse indicador e acho que pode ser útil pra você também. Vamos lá.

Eu, como estudante de ciências contábeis e amante do mundo financeiro, venho analisando demonstrações financeiras há um tempo razoável. Estou contabilidade há 2 anos e há um ano e meio estudo para ser auditor fiscal. Então, tenho uma noção, ainda que pequena, sobre demonstrações.

As demonstrações financeira dizem muito sobre a saúde financeira de uma empresa. Se as demonstrações são boas, a empresa deve ter feito o que é certo. Todavia, notei uma grande deficiência no meu conhecimento. Se você quer entender bem e não comprar errado é preciso ter a capacidade de entender de economia, do setor em que a empresa atua, analisar as demonstrações financeiras e, com isso, saber o que e quando comprar.

Quando percebi isso, até um comentário do Mestre dos Dividendos no post sobre preço médio (leia depois) acentuou essa percepção. Certo, sei avaliar se uma empresa é boa ou não, mas e por que preço comprar??? Sabe, mesmo que se compre um excelente ativo, se o preço for alto, você fez um péssimo investimento, haja vista o seu retorno ser pequeno.

Quando encontrei o PEG Ratio fiquei bastante feliz. Pela primeira vez tive a noção de um indicador que me mostrasse a luz no fim do túnel. Basicamente ele vai fazer uma avaliação sobre o potencial de retorno de uma ação, ou seja, se está na hora de comprar ou não.

O que é o PEG Ratio

PEG Ratio significa razão preço por lucro por crescimento. O famoso P/L (Preço/Lucro), em inglês, é P/E (Price/Earnings). Em outras palavras, o PEG leva em consideração três parâmetros: o preço, o lucro E a taxa de crescimento da receita e isso faz toda a diferença.

PEG = Cotação da ação / Lucro por ação / Taxa de Crescimento da Receita

Resumindo, um preço sobre o lucro baixo é interessante, mas é muito interessante levar em conta o crescimento ou decréscimo da receita. Ora, obviamente, quanto maior a taxa de crescimento da receita, maior tende a ser o lucro.

Veja, nem sempre um P/L de 10 vai ser interessante. Se a taxa de crescimento anual da receita for 0,5%, talvez essa ação não seja um bom negócio. Agora, se a taxa de crescimento for de 35%, essa pode ser uma grande compra. Veja, esse indicador não prevê o futuro, mas pode ajudar bastante.

Estudo de caso

Avaliei algumas empresas que acredito estarem saudáveis e depois apliquei esse indicador. Percebi que algumas empresas saudáveis seriam boas compras, outras nem tanto. Então, elaborei alguns exemplos. Interessante observar que todos os valores foram tirados do site fundamentus.com.br.

 Código Preço (R$) Lucro (LPA-R$) Tax. Cresc. (%) PEG Ratio*
 KROT3 14,75  1,08  39,5  0,34
 ABEV3  18,02 0,76 2,8  8,47
 ITUB3 32,28 3,10 10,2  1,02
 BBDC3 27,28 2,46 21,3  0,52
 WIZS3 18,90 0,99 16,6  1,15
 ALUP3 6,49 0,38 5,4 3,16

* O PEG foi calculado como exposto no tópico anterior.

Apenas para fins de estudo deste indicador e considerando apenas seu funcionamento e nada a mais, as melhores compras seriam KROT3 e BBDC3. Já ABEV3 e ALUP3 seriam as piores compras. Cabe registrar que escolhi somente empresas que considero excelentes. Porém, nem sempre o que queremos está no preço que acreditamos ser justo e é ai que o PEG pode ajudar na identificação dessas oportunidades.

Interessante é que quinta-feira o ITUB3 apresentava uma margem de segurança quase tão boa quanto a do BBDC3, porém essa margem desapareceu, restando apenas pagar o valor justo pela ação: quando o PEG está próximo de 1.

Enfim, enquanto não começo a estudar o valuation, pretendo fazer uso ostensivo desta ferramenta. Claro que utilizarei apenas em empresas excepcionais, ou seja, após um filtro aplicado nas demonstrações financeiras. Era isso, espero que tenha gostado. Deixe seu comentário!