PEG Ratio – Quando comprar uma ação?

Primeiramente, quero registrar que este é um dos posts deste blog que valem a pena ser lidos. Então, leia até o final e, se possível, comente. Isso faz muita diferença. Seja avançado ou novato, dê uma forcinha comentando ou compartilhando. Gosto muito desse indicador e acho que pode ser útil pra você também. Vamos lá.

Eu, como estudante de ciências contábeis e amante do mundo financeiro, venho analisando demonstrações financeiras há um tempo razoável. Estou contabilidade há 2 anos e há um ano e meio estudo para ser auditor fiscal. Então, tenho uma noção, ainda que pequena, sobre demonstrações.

As demonstrações financeira dizem muito sobre a saúde financeira de uma empresa. Se as demonstrações são boas, a empresa deve ter feito o que é certo. Todavia, notei uma grande deficiência no meu conhecimento. Se você quer entender bem e não comprar errado é preciso ter a capacidade de entender de economia, do setor em que a empresa atua, analisar as demonstrações financeiras e, com isso, saber o que e quando comprar.

Quando percebi isso, até um comentário do Mestre dos Dividendos no post sobre preço médio (leia depois) acentuou essa percepção. Certo, sei avaliar se uma empresa é boa ou não, mas e por que preço comprar??? Sabe, mesmo que se compre um excelente ativo, se o preço for alto, você fez um péssimo investimento, haja vista o seu retorno ser pequeno.

Quando encontrei o PEG Ratio fiquei bastante feliz. Pela primeira vez tive a noção de um indicador que me mostrasse a luz no fim do túnel. Basicamente ele vai fazer uma avaliação sobre o potencial de retorno de uma ação, ou seja, se está na hora de comprar ou não.

O que é o PEG Ratio

PEG Ratio significa razão preço por lucro por crescimento. O famoso P/L (Preço/Lucro), em inglês, é P/E (Price/Earnings). Em outras palavras, o PEG leva em consideração três parâmetros: o preço, o lucro E a taxa de crescimento da receita e isso faz toda a diferença.

PEG = Cotação da ação / Lucro por ação / Taxa de Crescimento da Receita

Resumindo, um preço sobre o lucro baixo é interessante, mas é muito interessante levar em conta o crescimento ou decréscimo da receita. Ora, obviamente, quanto maior a taxa de crescimento da receita, maior tende a ser o lucro.

Veja, nem sempre um P/L de 10 vai ser interessante. Se a taxa de crescimento anual da receita for 0,5%, talvez essa ação não seja um bom negócio. Agora, se a taxa de crescimento for de 35%, essa pode ser uma grande compra. Veja, esse indicador não prevê o futuro, mas pode ajudar bastante.

Estudo de caso

Avaliei algumas empresas que acredito estarem saudáveis e depois apliquei esse indicador. Percebi que algumas empresas saudáveis seriam boas compras, outras nem tanto. Então, elaborei alguns exemplos. Interessante observar que todos os valores foram tirados do site fundamentus.com.br.

 Código Preço (R$) Lucro (LPA-R$) Tax. Cresc. (%) PEG Ratio*
 KROT3 14,75  1,08  39,5  0,34
 ABEV3  18,02 0,76 2,8  8,47
 ITUB3 32,28 3,10 10,2  1,02
 BBDC3 27,28 2,46 21,3  0,52
 WIZS3 18,90 0,99 16,6  1,15
 ALUP3 6,49 0,38 5,4 3,16

* O PEG foi calculado como exposto no tópico anterior.

Apenas para fins de estudo deste indicador e considerando apenas seu funcionamento e nada a mais, as melhores compras seriam KROT3 e BBDC3. Já ABEV3 e ALUP3 seriam as piores compras. Cabe registrar que escolhi somente empresas que considero excelentes. Porém, nem sempre o que queremos está no preço que acreditamos ser justo e é ai que o PEG pode ajudar na identificação dessas oportunidades.

Interessante é que quinta-feira o ITUB3 apresentava uma margem de segurança quase tão boa quanto a do BBDC3, porém essa margem desapareceu, restando apenas pagar o valor justo pela ação: quando o PEG está próximo de 1.

Enfim, enquanto não começo a estudar o valuation, pretendo fazer uso ostensivo desta ferramenta. Claro que utilizarei apenas em empresas excepcionais, ou seja, após um filtro aplicado nas demonstrações financeiras. Era isso, espero que tenha gostado. Deixe seu comentário!

LPA, P/L e PSR: como analisar dre #8/10

Estamos rumo ao final da séria ligada ao desempenho das ações. Estamos no oitavo post sobre o tema. Pulei um número na sequência por que não numerei o primeiro post da série. Portanto, não se preocupe em achar o post de análise de DRE número 7. Os conceitos que se seguem são fruto de pesquisa. Durante as pesquisas para escrever este post, aprendi bastante. Leia até o final, pois deve haver algo útil.

Os investidores no afã de tomar decisões de investimento de forma racional buscam indicadores para dar suporte as suas decisões. O LPA, o P/L e o PSR são alguns deles, que serão apreciados neste post. A sequência é a mesma da apresentação.

LPA

O LPA ou lucro por ação é, como o nome sugere, o lucro da entidade dividido pelo seu número de ações. Se uma entidade possuir o lucro de R$ 1.000,00 e seu capital for composto por 1000 ações, a entidade possui um LPA de R$ 1,00. Esse valor, em si, não é bom, tampouco ruim. Significa única e exclusivamente o LPA é de R$ 1,00.

LPA = Lucro Líquido do Período / Número de Ações da Empresa

Uma ação com LPA maior que outra é uma opção melhor? Não. Reflita que se cada entidade tivesse o dobro de ações que possui, o LPA cairia pela metade. Resumindo, não serve nem mesmo para comparar empresas de um mesmo setor por esse indicador, haja vista cada empresa emitir o número de ações que achar mais interessante. Abaixo, o LPA de alguns bancos.

ITUB3 BBAS3 BBDC3 SANB3
R$ 3,10 R$ 2,80 R$ 2,46 R$ 0,81

O lucro por ação, normalmente, é utilizado como parâmetro para outros indicadores como o próprio P/L.

P/L

O P/L ou preço por lucro é a atual cotação de uma ação dividida pelo LPA. A atual cotação da BBAS3 é de R$ 27,84. Então, o seu P/L é de 9,94 (=27,84/2,80). Quase a totalidade dos investidores interpretam que tal indicador representa a quantidade de exercícios que levará para obter o retorno do que foi investido. No caso da compra da BBAS3, seria de quase 10 anos.

P/L = Preço da Ação / LPA

Cabe registrar que, embora seja  a ideia seja plausível, esse indicador utiliza dados do passado e, portanto, não reflete, de fato, o prazo em que o investidor terá o retorno do que foi investido. Além disso, não é por que a entidade obteve determinado LPA que irá distribuir tudo para os acionistas ou mesmo que as cotas serão corridas proporcionalmente pelo mercado, questão completamente imprevisível.

Isso posto, encontrei um artigo interessante do Instituto Assaf (http://www.institutoassaf.com.br/downloads/ANALISE_24_NOVEMBRO_2010_v2.pdf) que traz uma visão interessante sobre o indicador. Afirma que embora o indicador P/L não possa ser utilizado como payback (tempo que o investimento levará para trazer o retorno para o acionista), fornece duas informações interessantes:

  1. Quanto maior o P/L, menor é o risco. O indicador representa a inversão da rentabilidade frente o preço e, portanto, é um indicador de risco invertido. Segundo o instituto, “O P/L, em verdade revela duas importantes conclusões. Quanto mais
    baixo for o índice, mais alto é o seu risco. P/L mais alto revelam menor risco ao investidor”. Assim, para indicar o risco de forma direta podemos utilizar o L/P;
  2. Em um determinador setor, quanto maior for o P/L de uma empresa com relação às suas concorrentes, maior é a projeção da capacidade de criação de valor que o mercado atribui para a entidade.

Então o indicador oferece duas grandes informações: RISCO e CAPACIDADE DE GERAÇÃO DE VALOR, o que vai de encontro com o pensamento de vários investidores. Quando comecei a investir, um colega me disse: é o “prazo para a ação se pagar”. Além disso, em pesquisas mais frágeis, foi o que encontrei na internet. Portanto, talvez valha a pena comprar ações de empresas com um P/L alto se ela demonstrar, por exemplo, crescentes market share, lucro, patrimônio líquido, ativos etc.

Dentre várias diferenças, as mais marcantes entre ações ordinárias e preferenciais, temos que as ações ordinárias possuem TAG ALONG, enquanto que as ações preferenciais possuem um direito superior em relação à dividendos. Gurus como o Bastter dão preferencia a ações do tipo ON, porém, isso deve ser avaliado pelo investidor, uma vez que as ações PN podem ter um TAG ALONG tão alto quanto às ações ON.

ITUB3 ITUB4 ITSA3 ITSA4
10,51 11,52 7,9 8,12

Acima, o P/L de alguns empresas do setor bancário. Levando em conta a posição do Instituto Assaf, percebe-se que o mercado dá preferência as ações preferenciais nos casos acima (P/L mais altos). Analisando mais atentamente, os quatro títulos acima possuem TAG ALONG de 80%, porém divergem no Dividend Yield: as ações preferenciais apresentam um yield maior. Ou seja, as ações PN levam vantagem quando observados esses dois quesitos.

Enfim, não é por que o P/L está baixo ou alto que a ação está barata ou cara, haja vista algo ser caro ou barato vai depender do referencial, do investidor (Like Dilma). A ideia que se deve ter em mente é a de que se esta comprando um pedaço de uma grande infraestrutura com um potencial de geração de capital. Cabe a cada investidor avaliar avaliar a liquidez, o retorno e o risco.

PSR

O Price to Sales Ratio (PSR) representa o preço de aquisição da cota pelas vendas da entidade, sua receita líquida. Funciona similar ao P/L, mas utiliza a receita líquida no lugar do lucro. Algo como P/R, onde R representa a receita líquida. Cabe ressaltar que esse indicador não é utilizado em empresas do setor financeiro, uma vez que não há receita líquida.

GRND3  LAME3 WEGE3 EZTC3
3,61 1,1 3,23 5,69

Quem acompanha os posts da série análise de DRE já tem conhecimento razoável da estrutura desse relatório. É uma demonstração vertical na qual a primeira linha é a receita bruta e a última, o lucro líquido. Entre essas linhas há uma séria de deduções e acréscimos como custos, despesas e receitas até se chegar ao lucro. Ao final, dividi-se o lucro líquido do exercício pelo número de ações emitidas para se chegar ao LPA.

Embora o PSR seja menos popular que o P/L, acredito ser mais confiável, haja vista sofrer menos influência de questões pontuais como a venda de algum ativo de valor relevante. Hipoteticamente, se a Coca-cola vender a própria marca, certamente terá um dos maiores resultados da história em números absolutos, ensejando um P/L tendendo a zero (considerando um preço estático).

Por outro lado, a receita advinda da comercialização de seus produtos permanecerá inalterada. Dessa forma, o PSR é um indicador mais constante e confiável que o P/L. Todavia, não pode ser utilizado de forma isolada, pois desconsidera o efeito financeiro no resultado, que fica em linhas intermediárias da demonstração. Ou seja, uma empresa pode apresentar um PSR pequeno (ótimo), mas um gigantesco P/L.

Considerações

Além dessas há outros indicadores que serão vistos em outros posts. Porém, estes já auxiliam bastante na tomada de decisão. Outros indicadores interessantes são os ligados ao endividamento da entidade, resultados financeiros, indicadores de crescimento e outros. Se tiver ciência de algum indicador interessante, pode deixar uma comentário que poderemos fazer alguns comentários e, quem sabe, sai um outro post.

Obrigado pela visita!

Kroton – Estudo de Caso – Como funciona a demonstração de resultado de exercício #6/10

Bom dia. Seguindo no ICON, temos a Kroton com 7,6% da composição do índice. Depois de passarmos por vários posts explicando a teoria e aplicações em estudos de caso, chegou a hora de dar uma geral no resultado do exercício de alguma empresa. Aqui, para facilitar, utilizarei os gráficos do site Fundamentos, haja vista ter um certo grau de confiança e já exibir os gráficos de maneira instantânea. Segue o link.

Receita Líquida

Entre 2008 e 2009 a receita se manteve estável e, em 2011 inicia o crescimento que explode 2014, se mantendo estável desde 2015. No primeiro trimestre de 2017 segue estável em mais de 5 bilhões de reais. Aparentemente, a crise não afetou muito o setor de educação.

kroton_receita

Margens

As margens bruta e EBIT cresceram de 2010 até 2014 e seguem estáveis. Acompanhando a queda da receita no terceiro trimestre de 2016, as margens também caíram. Em tese, mesmo com uma menor quantidade de alunos, os custos de uma instituição de ensino não cai muito, uma vez que são mantidas as estruturas físicas e o pessoal, implicando diminuição das margens. A margem bruta atingiu 60%, exibindo a viabilidade do negócio. Descontando os gastos operacionais e administrativos, temos a margem EBIT com 30%.

kroton_margem

EBIT

O resultado operacional também se mantém estável acima do R$ 1,5 bilhão de reais. O resultado EBIT em si não é tão interessante para se olhar quando não se conhece a instituição ou a empresa, haja vista não ser possível identificar se os valores são interessantes ou não. Todavia, as margens acima suprem essa lacuna. O EBIT se mantém estável, com a receita e as margens. Além disso, as margens estão interessantes. Uma dica é comparar com as margens da Estácio. Adianto que a margem EBIT dessa instituição está em 15%.

kroton_ebit

Financeiro

O resultado financeiro da Kroton também está agradando, ainda mais se comparado com a Estácio, que tem uma piora progressiva nesse resultado. A Kroton, desde 2016, vem tendo uma grande performance financeira. Crescimento bem interessante. No entanto, será que continuará com esse pique? Pouco provável. Todavia, se não tendo dívida, já está em um bom patamar.

kroton_financeiro

Lucro Líquido

O lucro líquido da entidade tem se mantido, como a maior parte dos indicadores, estável. Os proventos, talvez por não se ter muito onde investir, continuam a crescer. Alguns investidores têm como primeiro ponto o lucro líquido. Não se importando muito com as operações da entidade, nem se o lucro é mais financeiro ou operacional. Selecionam empresas que possuem bons lucros para posteriormente fazerem uma segunda peneirada.

kroton_lucro

Comentários

Como empresa, a Kroton me parece muito saudável. Agora, didaticamente não mostrou muita surpresa, pois seus números são bons e constantes. Não vejo do que reclamar. Analisando unicamente o desempenho, eu teria duas preocupações: a) a taxa de crescimento da Kroton e de sua receita, que não apresenta recuperação; b) O preço que se vai comprar a ação se for o caso de comprar tudo de uma vez e não fazer preço médio. Enfim, espero ter sido útil para se aprender.

EBIT, EBITDA e a relação com o Lucro Operacional – Análise de DRE #5/10

Além dos mais utilizados lucro bruto e lucro líquido, os investidores sempre buscam uma forma de extrair das demonstrações contábeis a capacidade de geração de caixa das entidades tomadoras de recursos, haja vista objetivarem  ter retornos sob condições adequadas de risco. Embora o nome lucro operacional seja tentador, não há consenso sobre seu cálculo entre analistas e, sob o ponto de vista exclusivamente contábil, esse lucro visa atender a Fazenda Pública.

No post anterior sobre demonstração de resultado do exercício, descrevi o cálculo do que eu considero lucro operacional e não do que a legislação considera, pois para a legislação fiscal até o resultado financeiro faz parte do lucro operacional e, normalmente, separa-se o que é financeiro do que é operacional no contexto de investimentos.

Lucro Operacional = Resultado Operacional +/- Outros Resultados Operacionais +/- Resultado Não Operacional

Para saber mais detalhes dos componentes do cálculo, visite o referido post. O investidor poderá também remover um ou mais componentes e deixar apenas o resultado operacional como sendo o lucro operacional, por exemplo. No entanto, estará analisando valores fora do padrão do mercado. Ademais, por vezes, não haverão dados suficientes para esse tipo de análise, mas apenas o termo lucro operacional já calculado. As chances desse lucro operacional ter o resultado financeiro internamente é grande.

A solução para este problema pode ser a utilização de indicadores como o EBIT, que significa Earnings Before Interest and Taxes (ganhos antes do resultado financeiro e impostos), ou seja, uma ideia interessante de lucro operacional e mais, é reconhecida mundialmente. O cálculo é exatamente o descrito na fórmula acima. Provavelmente irá surgir a dúvida sobre se o EBIT é o mesmo que lucro operacional. Na verdade, não. A doutrina e a legislação divergem quando o assunto é lucro operacional, mas há um consenso sobre o que é EBIT. Logo, é mais interessante que o LO.

Outro lucro talvez mais interessante que o EBIT é o EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation/Depletion and Amortization). Em Português, lucro antes dos juros (resultado financeiro), impostos, depreciação, exaustão e amortização. Resumindo, além de desconsiderar o resultado financeiro e os impostos, desconsidera também o desgaste do imobilizado (amortização, depreciação e exaustão), haja vista não implicarem efeitos no caixa da entidade.

Segundo Kassai, “o mérito desta medida é a possibilidade de seu uso como um indicador financeiro globalizado, pois, como se sabe, o tratamento aplicado ao imposto de renda e ao cálculo das despesas de depreciações, exaustões e amortizações pode diferir bastante de um país para outro”. Assim, o entendimento desse indicador gera benefício no entendimento de demonstrações de empresas em vários lugares do mundo, incluindo os EUA.

Avançando no estudo da DRE, chegamos aos últimos lucros perfazendo o seguinte conjunto: lucro bruto, lucro operacional, lucro EBIT, lucro EBITDA e lucro líquido. Também vimos o que significa e como representar os diversos tipos de margens: basta dividir o lucro desejado pela receita líquido. Por exemplo, a margem EBIT é obtida dividindo-se o lucro EBIT pela receita líquida.

Abraço e até a próxima.

Demonstração do Resultado do Exercício – O que é e como calcular o lucro bruto, o operacional e o líquido #4/10

Na série de posts ligados à demonstração do resultado do exercício, além de ter introduzido noções iniciais, passamos por alguns estudos de caso como Brasil Foods, AmBev e JBS. Neste post, será demonstrado como é feito o cálculo de vários tipos de lucros: bruto, operacional e líquido.

Como se sabe, a demonstração de resultado de exercício é um relatório verticalizado cujo resultado em determinada linha impacta na linha seguinte, ou seja, os cálculos possuem uma sequência pré-determinada (a mesma do título). Nesse contexto, o estudo dos tipos de lucros também seguirá a sequência. Posteriormente, será demonstrado como se calcular as respectivas margens.

Cálculo e significado do Lucro Bruto

Basicamente, o lucro bruto é a receita líquida deduzido o custo da mercadoria vendida ou do serviço prestado. Isso significa que para calcular o lucro bruto, faz-se necessário dois componentes: a) a receita líquida de vendas; e b) o custo da mercadoria vendida ou serviço prestado.

Lucro Bruto = Receita Líquida de Vendas – Custo da Mercadoria ou do Serviço

O leitor há de se atentar para a primeira linha da demonstração contábil que estará sendo analisada, haja vista o cálculo do lucro bruto necessidade da receita líquida e não da receita bruta. Na maioria das demonstrações encontradas nos hot sites da relação com investidores das empresas da B3 já consta na primeira linha a receita líquida, embora não seja identificada dessa forma. Para diferenciar essas receitas, basta observar a linha que se segue. Caso seja o custo do produto ou serviço, trata-se da receita líquida. Isso se deve ao fato da receita líquida ser a receita bruta deduzida de descontos, impostos e abatimentos. No caso desses itens não estarem exposto, conclui-se pela receita já líquida deles.

O lucro bruto representa qual o retorno da empresa sob o exclusivo ponto de vista da venda da mercadoria. Em outras palavras, quanto os produtos ou serviços da entidade retorna para a entidade. Utilizando os dados da JBS, última empresa estudada, temos a receita líquida de R$ 170.380,50 e o custo da mercadoria vendida de R$ 149.066,70 (em milhões). Assim, o lucro bruto é igual a R$ 170.380,50 menos R$ 149.066,70 que resulta em R$ 21.313,80. Observa-se pela pequena margem bruta, uma vez que R$ 21.313,80 dividido por R$ 170.380,50 resultando em 0,125, ou seja, 12,5%. Aparentemente, não há muito espaço para erros operacionais.

Cálculo e significado do lucro operacional

O lucro operacional é obtido em estágio posterior ao do lucro bruto, uma vez que sua fórmula faz uso do lucro bruto. O operacional tem esse nome por que considera apenas o resultado operacional contra o lucro bruto. Dessa forma, acaba sendo mais realista que o lucro bruto quando se trata de resultados, haja vista deduzir das receitas líquidas, além dos custos do produto ou serviço, o resultado operacional.

Todas as vezes que se trata de resultado,  subentende-se que há o confronto de receitas e despesas, ou seja, devemos subtrair das receitas, as despesas. Portanto, resultado operacional é a receita operacional menos as despesas operacionais.

Lucro Operacional = Resultado Operacional +/- Outros Resultados Operacionais +/- Resultado Não Operacional

O ponto em que há uma complicação é determinar o que são esses três componentes. O artigo 11 do decreto lei 1598 que é “lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica”. Já a lei 6404, que trata das demonstrações contábeis, não menciona tal lucro. Enfim, não entraremos em discussões doutrinárias, mas registramos que não há consenso do conceito na legislação brasileira e, por isso, as demonstrações contábeis variam tanto de forma.

Nesse contexto, apenas para fins didáticos, conceituamos resultado operacional a receita operacional menos as despesas operacionais. O resultado operacional é o lucro bruto menos as despesas operacionais: as administrativas e as com vendas.

Resultado Operacional = Lucro Bruto – Despesas Administrativas – Despesas com Vendas

Os outros resultados operacionais possuem a mesma dinâmica do resultado operacional, porém advêm das atividades secundárias das empresas. Já o resultado não operacional é o resultado, confrontação de receitas e despesas, que é fruto de transações não incluídas na atividade principal ou acessória da entidade como a venda de um ativo imobilizado.

Com vistas a ilustrar, a Grendene comercializa calçados e essa é a sua atividade principal: ela compra matéria prima e vende esses produtos (atividade principal). Recentemente, comprei um calçado para o meu filho e acabei por adquirir, também da Grendene, uns brinquedinhos de algum material borrachudo. Tal produto, certamente, é uma atividade secundária da empresa, pois havia uma vinculação entre o brinquedo e o calçado. Como exemplos de receita não operacional temos a venda de algum equipamento utilizado na produção dos calçados, a venda de uma marca e o resultado de equivalência patrimonial. Tal resultado será estudado em post específico.

Calculo e significado do lucro líquido

O lucro líquido é o último que será encontrado nas demonstrações de resultado do exercício. Esse lucro representa o retorno financeiro das vendas da entidade após a dedução dos custos da produção dos produtos ou serviços, do resultado das operações e do resultado financeiro.

Lucro Líquido = Lucro Operacional +/- Resultado Financeiro

O Brasil vem passando por um cenário de grande desemprego, corrupção generalizada no setor público e crescimento desconsiderável. Estamos sob o domínio do crime. Nesse contexto, a economia não consegue o desenvolvimento esperado e há consequências para o setor privado. Boa parte das entidades negociadas na B3 está endividada e, por isso, é interessante a análise do lucro operacional, do resultado financeiro e do lucro líquido para vislumbrar a situação financeira da entidade.

Mesmo que o lucro operacional da entidade seja expressivo, se houver endividamento, o lucro líquido poderá ser até mesmo negativo, ou seja, pode haver prejuízo. Como já deve fácil se supor, o resultado financeiro é a diferença entre as receitas financeiras e as despesas financeiras. Os principais símbolos das receitas ou despesas  financeira são os juros.  Como os juros do país são altos, as despesas financeiras que começam a progredir merecem extrema atenção.

O lucro líquido é dividido em dois momentos: antes dos impostos (IR e CSLL) e depois deles. A margem líquida, normalmente, é calculada com o lucro líquido depois dos impostos. Alguns investidores compram ações apenas de empresas que possuam margem líquido superior a 20%. Obrigado pela visita e até a próxima.

 

 

 

 

Como analisar DRE – Estudo de caso #3/10 – JBS

Olá, bom dia. Neste post quero acentuar o caráter vertical da demonstração de resultado de exercício. Tal característica é meramente teórica e, provavelmente, devo ter falado sobre isso no primeiro post da série. Registro que este post é para iniciantes e, se você já tiver conhecimento, talvez não haja o que aproveitar. Em todo caso, espero que lhe seja útil.

Seguindo o ICON, agora é a vez da JBS, haja vista ser a terceira maior empresa. A AmBev é a maior, seguida da Brasil Foods. Bem, tirei as informações da tabela que segue este parágrafo da página 14 de um documento chamado resultado consolidado de 2016, no site do RI da JBS. Recomendo a leitura dos outros posts e uma visita ao documento de resultado a fim de ter um contato inicial. No arquivo é possível ter um contato com o próprio negócio da empresa, bem como com sua estratégia. Os números estão em milhões.

Receita Líquida 170.380,50
Custo dos Produtos Vendidos (149.066,70)
Lucro Bruto 21.313,80
Despesa com Vendas (9.849,70)
Despesas Administrativas e Gerais (4.861,30)
Resultado Financeiro Líquido (6.311,30)
Resultado de Equivalência Patrimonial 17,50
Outros Receitas e Despesas 127,30
Resultado Operacional 436,40
Imposto de Renda e Contribuição Social 271,10
Participação de acionistas não controladores (331,50)
Lucro Líquido/Prejuízo 376,00
EBITDA Ajustado 11.286,90
Lucro por ação (R$) 0,14

Observe que, economicamente, a origem do desempenho da empresa vem de sua receita. Dá receita é que são retirados todos os custos. A contabilidade, com a finalidade de dar sentido aos dados, organizou a dedução dos custos e despesas. O primeiro é o custo das mercadorias vendidas, ensejando o lucro bruto. Ou seja, o lucro bruto considera apenas a dedução do custo das mercadorias da receita líquida.

Seguindo, há a dedução de várias despesas e resultados intermediários: despesa administrativa, com vendas, outras despesas, além do resultado financeiro e de equivalência patrimonial. Estes dois últimos são interessantes, pois podem e devem ser positivos. São chamados de resultado por que há o confronto das receitas e das despesas.

O resultado financeiro é fruto de todas as receitas financeiras, por exemplo, de títulos públicos em confronto com todas as despesas com empréstimos, por exemplo. Já o resultado de equivalência patrimonial, advém de um investimento específico: capital social de outras entidades. Se esse investimento for positivo, o resultado de equivalência patrimonial é positivo. O inverso é verdadeiro também.

O lucro bruto deduzido de todas essas despesas e resultados enseja o lucro líquido. Perceba que há uma progressão. Começa-se com a receita bruta, passa-se pela receita líquida, seguimos para o lucro bruto e, por fim, o lucro líquido. O resultado operacional é intermediário entre o lucro bruto e o líquido. Após tal resultado, deduz-se o IRPJ, a CSLL e a participação de beneficiários. Por fim, chegamos ao lucro. O lucro por ação (LPA) é o o lucro líquido da empresa dividido pelo número de ações no mercado.

É isso. Vale a pena ver o documento. Ele dá várias explicações sobre o resultado. Isso, por si, é uma aula. Espero poder continuar com essa séria até ir para outras demonstrações financeiras e ir aprofundando. Segue uma parte do relatório para provocar.

ebitda_jbs
Ebitda JBS 2016

Como analisar DRE – Estudo de caso #2/10 – Brasil Foods

Aprendi muito no estudo de caso Ambev e espero que esse aprendizado se reflita na maior precisão desta análise. Está sendo um grande aprendizado e me sinto feliz por poder compartilhar com pessoas interessadas. Se você já tem conhecimento em análise de demonstrações contábeis, provavelmente este texto não é para você.

Neste post estudaremos a demonstração de resultado de exercício da Brasil Foods (BRF), que corresponde a mais de 12% do índice consumo (ICON). A BRF é uma empresa global com sede no Brasil que possui toda uma cadeia produtiva de proteína advinda de aves e suínos. A empresa compra grãos como milho e soja de milhares de fornecedores, produz sua própria ração, cria os animais, abate e distribui para o varejo.

brfoods1

Atualmente, mais da metade de sua receita vem do exterior, mormente Áfria e Oriente Médio. Os números deste estudo são do relatório anual de 2015, porque o de 2016 ainda não está disponível. Porém, tudo que aqui for visto, será aplicável aos outros relatórios também.

Valores em R$ milhões 2011 2012 2013 2014 2015
 Receita Líquida 23.167 25.975 27.787  29.007 32.197
 Custo dos Produtos Vendidos  –
 Lucro Bruto 6.112  5.902 6.910 8.509 10.089
 Margem Bruta  26,4% 22,7% 24,9% 29,3% 31,3%

Nesta primeira parte da DRE constante do relatório anual da BRF, podemos notar a crescente receita líquida (receita já descontados as devoluções, impostos e abatimentos nas vendas) da entidade. Não consta no relatório o custo dos produtos, mas basta subtrair da receita o lucro que se obtém o custo.

Lucro bruto sempre crescente, assim como a margem bruta. A margem bruta representa quanto a entidade obtém de retorno sobre a venda de seus produtos. Ou seja, (preço de venda/custo do produto) -1, multiplicado por 100. Lembrando que a margem bruta não considera custos indiretos na fabricação, nem a mão de obra empregada.

Valores em R$ milhões 2011 2012 2013 2014 2015
 Lucro Bruto  6.112   5.902  6.910  8.509  10.089
 Despesa Operacional
Lucro Operacional 2.026 1.360 1.896 3.478 4.228
 Margem Operacional 8,7% 5,2% 6,8% 12,0% 13,1%

O lucro operacional é aquele gerado única e exclusivamente pela operação do negócio. As despesas operacionais consideram as despesas com vendas, as despesas administrativas e as operacionais. Em síntese, o lucro operacional é o lucro considerando apenas as operações da empresa, desprezando resultado financeiro e o resultado de empresas coligadas e controladas, bem como excluindo receitas não operacionais e derivadas do método de equivalência patrimonial. Exclui-se qualquer movimentação financeira. Entretanto, considera-se no cálculo, as receitas financeiras.

Lucro Operacional = Lucro Bruto – Despesas com Vendas – Despesas Administrativas – Despesas Operacionais + Receitas Operacionais

Quero acentuar que receitas operacionais são receitas que são ligadas ao negócio da empresa como a receita advinda de aluguéis ou receita decorrentes de reversão da conta de perdas estimadas com devedores duvidosos.

Devido às características intrínsecas do lucro operacional, a margem operacional evidencia o que a entidade tem de retorno quando produz. Embora essa margem seja baixa comparada a outros setores, dentro do setor de proteínas, esta dentro da normalidade.

Valores em R$ milhões 2011 2012 2013 2014 2015
Lucro Operacional 2.026 1.360 1.896 3.478 4.228
*
 Lucro Líquido 1.367 770 1.062 2.225 3.111
Margem Líquida 5,9% 3,0% 3,8% 7,0% 9,3%

A margem líquida já possui em si o custo dos produtos, das operações, o resultado financeiro, impostos, depreciação e amortização. Ou seja, é o resultado final da entidade considerando todos os frutos de suas decisões em seu contexto.

Analisando exclusivamente a demonstração da entidade, não investiria nela. Todavia, se o mercado continuar tendendo ao aumento do consumo, todas as empresas do índice de consumo devem se valorizar e esta é a segunda maior participação no índice, ficando atrás apenas da AmBev.

As margens posteriores dependem diretamente das anteriores. A BRF tem sentido o encurtamento de suas margens nos últimos meses devido ao aumento dos grãos utilizados na fabricação da ração dos animais, bem com o aumento do câmbio, que aumenta o preço das proteínas para os países estrangeiros que compram do Brasil.

Neste cenário de alta, que já está saturado, talvez o mais prudente seja esperar. Todavia, quem já tiver comprado, caso a alta continue, o cenário interno demonstre aumento nos níveis de emprego e consumo, talvez esta seja uma das empresas que recebam as maiores altas. Vamos aguardar pra ver.

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