Os equipamentos que as Indústrias Romi comercializam têm me chamado muito a atenção. Considerando a retomada da economia, que em algum momento tem que sair, a demanda por tais insumos e equipamentos devem crescer conforme a confiança dos investidores for crescendo e a realidade reforçar essa confiança.

Tendo em mente a premissa de “investir apenas naquilo que conheço”, resolvi estudar os resultados da empresa dos últimos 10 anos. O que percebo é que quando a receita aumenta, há a dissolução dos custos fixos e o lucro cresce em uma proporção bem maior.

Pretendo estudar e reportar trimestre por trimestre neste post em ordem crescente. Seguem os trimestres de 2009, sendo os últimos os trimestres de 2019. Dessa forma, será possível pular os trimestres em que não há interesse. Espero que o post seja útil e economize algum tempo do leitor.

1T09

Na época, depois da crise mundial de 2008, mesmo o presidente, à época se referir a ela como uma “marolinha”, a Romi sentiu o impacto, haja vista os pedidos de seus produtos terem caído drasticamente e boa parte da carteira de clientes originarem do exterior.

A empresa se situa no início da cadeia produtiva e exibe um gráfico da Fiesp que registra a queda de demanda de artigos ligados à metalurgia básica, veículos automotores, artigos de plástico e borracha, máquinas e equipamentos, bem como de produtos de metal.

Com a retração da atividade econômica e de pedidos, a companhia revisa as perspectivas para 2009 para baixo.

2T09

Em que pese tenha havido um aumento de encomendas das máquinas-ferramentas e máquinas-sopradoras em comparação ao trimestre anterior, em comparação ao trimestre do ano anterior, há uma quena de cerca de 100% do lucro.

Aparentemente, devido a, à época, recente crise financeira internacional, os pedidos das máquinas e fundidos tiveram redução, explicando o comportamento do lucro.

Após a análise desses dois releases, já é possível perceber a grande sensibilidade das Indústrias Romi no que tange ao nível de confiança da indústria. A suspeita sobre aumento ou retração da economia impacta imediatamente os resultados da instituição, que está no início da cadeia.

Também é interessante notar a modificação dos países de destino das vendas. Tal modificação deve-se, provavelmente, devido à Crise do Subprime. A receita do mercado exterior caiu cerca de 40% e se modificou dramaticamente.

Em que pesem tais questões, o caixa da companhia iniciou o trimestre com (em mil) 73.260 e finalizou em 94.676.

3T09

Aqui, novamente a carteira de pedidos cresce em relação ao trimestre anterior, mas diminui em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Exceto as máquinas para plástico que tiverem crescimento em ambas as comparações.

4T09

O quarto trimestre de 2009 evidenciou que houve um aumento da demanda por seus produtos, registrando alta da carteira de pedidos trimestre após trimestre.

O grande destaque do trimestre foi o crescimento de 727,4% de pedidos de máquinas para plástico – em relação à 4T08, devido, segundo à empresa, ao aquecimento do setor de consumo da economia doméstica, bem como à política de financiamento de bens de capital.

Em que pesa a recuperação do lucro em 2009, que foi ligeiramente inferior à 2008, a entrada de pedidos ficou muito aquém, exceto para as máquinas para plástico, cujo o principal demandante é o setor de embalagens.

Por fim, registra-se que o caixa terminou o trimestre com quase o triplo de seu início.

1T10

Finalmente, comparando se trimestre contra trimestre, os pedidos registraram um crescimento de 91,5%. Consequentemente, o EBITDA avançou 287% em relação à 1T09.

No gráfico acima, a Fiesp projeta a recuperação da atividade econômica, bem como da atividade industrial. A entrada de pedidos vai confirmando os indicadores.

No que tange à distribuição dos pedidos em carteira, nota-se um aumento da importância do negócio máquinas para plástico.

É notável o aumento da margem bruta da unidade de negócios máquinas-ferramentas, que atingem 41%. Nas máquinas para plástico, a mesma margem atinge cerca de 36%. Porém, é o tipo de máquina que mais tem crescido a demanda. Já os fundidos, quase commodities, possuem margem bruta de um dígito.

2T10

Novamente a receita tem um bom crescimento tanto em comparação a o trimestre anterior, quanto ao mesmo trimestre do ano anterior.

As máquinas para plástico, novamente, tem um forte crescimento, que é de quase 90% em relação ao trimestre anterior.

Devido a essa crescente demanda por suas máquinas e fundidos, houve uma diluição dos custos fixos para a produção. Além disso, houve, segundo a companhia, um rígido controle das despesas operacionais. O resultado é o que se segue.

3T10

Neste trimestre, todas as unidades de negócio da Romi tiveram crescimento, evidenciando que robustez da entidade. O lucro totalizou quase 3 vezes o obtido no mesmo trimestre do ano anterior.

Interessante notar que os pedidos advindos dos EUA começa a aumentar e se aproximar à quantidade de demanda da Europa. O EBITDA também cresceu este trimestre.

4T10

Comparando 2010 com 2009, era possível notar que a economia estava supostamente se aquecendo. O resultado foi muito bom para a Romi que está no início da cadeia produtiva, haja vista o resultado ano a ano ter sido animador.

1T11

Não percebi nem uma diferença além da variabilidade costumeira. Das três fontes de receita, as vezes uma sobe, as vezes outra cai e por ai vai.

A única coisa notável foi a queda notável do EBITDA.

2T11

Novamente, o maior destaque foi a queda do EBITDA.

3T11

Nenhum destaque.

4T11

O grande destaque do trimestre foi, sem dúvidas, a aquisição da fabricante alemã de máquinas-ferramentas Burkhardt + Weber. Nos próximos trimestres a empresa alemã deve evidenciar seus resultados.

Não notando tanta variação entre trimestres, começarei analisar apenas o último release do ano.

4T12

Aqui, já é possível perceber os efeitos da B + W no consolidado das Indústrias Romi.

4T13

Notei que o relatório ganhou uma formatação mais interessante. Porém, o que chamou atenção foi a notícia da liquidação da Romi Itália. Sinal de que vender na Europa não é sinal de sucesso.

A entradas de pedidos finalmente tiveram melhora em todos as linhas das Indústrias Romi.

4T14

Em 2014, tudo era péssimo no contexto mundial, mas a Romi…

Interessante notar que a Europa, nos últimos releases, tem sido a maior cliente Romi. No entanto, em 2014, ano da crise global, o Brasil salvou a empresa.

4T15

Nada demais ocorreu além da alienação de imóveis não estratégicos.

4T16

Resultado líquido de R$ 20 milhões.

4T17

Neste trimestre o caixa voltou a quase ficar no positivo.

4T18

O volume de receitas progrediu nas unidades de negócio Máquinas Romi e B + W, enquanto reduziu na unidade fundidos e usinados.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial voltou as altos patamares novamente, o que possibilita a expectativa do aumento da carteira de pedidos.

Ademais, a utilização da capacidade média instalada também volta a subir (2018 em verde).

A receita operacional líquida apresenta uma melhoria de pouco mais de 10%.

E o Brasil continua sendo o principal cliente.

O caixa líquido, novamente, piorou.

Enfim

Antes de começar a estudar, acreditei que veria uma evolução, mas o que as Indústrias Romi realmente passam é uma montanha russa.

O que ela vem tentando fazer é, na verdade, sobreviver. Porém, acredito que em uma ou duas décadas, mesmo ocorrendo crises globais, a empresa terá um grande potencial de aparelhar a indústria.

Considerando que a expansão e a retração econômicas fazem parte de um grande ciclo, em algum momento, a Romi terá a chance de mostrar o seu valor.

Porém, por enquanto, o que há é promessa.

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