Tenho recebido vários e-mails da Suno Research, que vem fazendo uma bela campanha de marketing. Apropriando-se da imagem de Luiz Barsi para incutir a ideia de que os dividendos são a cereja do bolo, de que investindo em empresas de dividendos o retorno é bem maior. O interessante é que o trabalho não é só marketing, acredito ter aprendido coisas interessantes em seus materiais gratuitos. Para os mais avançados, no final das contas, talvez seja só mais “material de manada”. Enfim, li e gostei de algumas coisas que li. Talvez eu assine.

Conforme fui avançando nos estudos sobre empresas, negócios, ações, fundos e outros títulos privados ou públicos, fui deixando essa tara de dividendos de lado e fui atrás de entender como formar uma carteira. Trabalho cujo esforço ainda é inicial, mas um dia alcanço o nirvana.

Agora, “depois de velho”, voltei a me interessar pelo assunto de dividendos, DY, payout etc. A minha incipiente carteira é formada, atualmente, por FIIs. Isso, por si só, já é um bom indicador de que prezo por uma renda mensal, de que sou rentista. Acho que é natural a dúvida de quem inicia no mundo dos investimentos: qual aplicação? qual prazo? qual índice? Quanto diversificar? O certo é que a chama dos dividendos reacenderam em mim, assim como a dúvida: é possível viver de dividendos?

O desempenho de uma empresa é o resultado da confrontação de todas as receitas, despesas e custos. Após a tributação do resultado, temos o lucro líquido antes do IR, que será tributado pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e, por fim, temos o lucro líquido do exercício. A legislação obriga as empresas de capital aberto a distribuírem, no mínimo, 25% desse lucro. Se essa for a política de dividendos da entidade, diz-se que o seu payout é de 25%. Por exemplo, se a empresa lucrar R$ 1.000.000,00 e distribuir R$ 500.000,00, o seu payout é de 50% e os acionistas recebem esse valor a título de dividendos.

A política de dividendos revela a decisão dos controladores sobre o efeito da distribuição dos dividendos e o futuro da entidade. Alguns acreditam que quanto maior o payout, maior será o preço de suas ações e menor será o custo do capital próprio no caso de novas emissões.Outros acreditam que os dividendos não influenciarão o preço dos ativos. Alguns distribuirão mensalmente, outros trimestralmente, semestralmente ou, comumente, uma vez por ano.

A TAEE11 distribui, com certa frequência, payout superior a 100% inclusive se endividando para isso. Por ser uma transportadora de energia, creio não haver muito o que fazer com os lucros retidos além de distribuí-los. Essa postura, que considera até mesmo o endividamento, mostra a preocupação da Taesa com seus acionistas.

O Bastter, um cara que admiro e aprendo muito com ele, em um de seus vídeos afirma que o dividendo representa um pedaço do valor da empresa sendo distribuído. Nada além disso. Embora eu não concorde com isso, tenho que respeitar a visão desse cara. Pelo nome do vídeo, dá pra entender sua visão sobre o assunto.

Na prática, na fase de acumulação de patrimônio, qualquer investidor abriria mão de um grande payout para ter um aumento da receita, o que enseja a valorização dos papéis. Todavia, as vezes, não é possível aumentar essa receita. Nesse contexto, cabe a análise do controlador sobre qual a melhor destinação do recurso: aplicar em ativos financeiros ou distribuir para aplicação direta por parte do investidor.

Um dos arduos defensores de empresas com alto yield está Luiz Barsi Filho cuja opinião, também não devemos descartar. Ele acumulou toda a sua riqueza escolhendo empresas saudáveis que possuem alto yield.

Alguns teóricos indicam a busca por empresas ditas High Yield, Low Payout como a mais vantajosa, uma vez que evidenciam o comportamento das empresas que regularmente trazem os melhores benefícios aos acionistas. Isso posto, falemos de DY (Dividend Yield). Enquanto o payout representa a proporção dos lucros que será distribuído, o yield representa a proporção entre o preço pago pela ação e o dividendo recebido. Por exemplo, se eu pagar R$ 20,00 por uma cota e receber R$ 10,00 por ano, meu yield é de 50%. Assim, em tese, empresas que apresentam um grande yield e um pequeno payout, são vantajosas para o investidor. Além de estar retendo o lucro com a finalidade de crescimento futuro da receita, ainda trazem um bom retorno financeiro ao investidor.

O  payout e os dividendos são definidos na política de dividendos da entidade, mas o yield sofre uma forte influência do investidor, haja vista quanto maior o preço pago pela cota, menor será o yield e quanto menor, maior será o yield. O yield de uma ação que retorna R$ 10,00 anuais vai depender do preço pago por ela. Se pagar R$ 100,00, temos um yield de 10%. Se pagar R$ 50,00, teremos um yield de 20%. Com esses conceitos, uma possível estratégia seria encontrar empresas com um payout razoável por um preço justo (deixar a ordem de compra até ser fisgada).

Considero que os dividendos são um retorno mais seguro que um futuro aumento do valor da cota, já que o prazo influencia o risco de mercado: quanto maior o prazo, maior o risco. Todavia, não desejo ser sócio de entidades com a receita estagnada. Entre uma empresa com uma boa distribuição de dividendos com a receita estagnada e um fundo de investimento imobiliário, prefiro um FII. Dessa forma, “sigo os relatores” e tenho preferência por ações de grande yield e pequeno payout. Ou seja, empresas que mantêm o equilíbrio entre a distribuição e a retenção dos lucros, mas que me tragam um bom retorno frente ao valor justo pago.

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