Estamos rumo ao final da séria ligada ao desempenho das ações. Estamos no oitavo post sobre o tema. Pulei um número na sequência por que não numerei o primeiro post da série. Portanto, não se preocupe em achar o post de análise de DRE número 7. Os conceitos que se seguem são fruto de pesquisa. Durante as pesquisas para escrever este post, aprendi bastante. Leia até o final, pois deve haver algo útil.

Os investidores no afã de tomar decisões de investimento de forma racional buscam indicadores para dar suporte as suas decisões. O LPA, o P/L e o PSR são alguns deles, que serão apreciados neste post. A sequência é a mesma da apresentação.

LPA

O LPA ou lucro por ação é, como o nome sugere, o lucro da entidade dividido pelo seu número de ações. Se uma entidade possuir o lucro de R$ 1.000,00 e seu capital for composto por 1000 ações, a entidade possui um LPA de R$ 1,00. Esse valor, em si, não é bom, tampouco ruim. Significa única e exclusivamente o LPA é de R$ 1,00.

LPA = Lucro Líquido do Período / Número de Ações da Empresa

Uma ação com LPA maior que outra é uma opção melhor? Não. Reflita que se cada entidade tivesse o dobro de ações que possui, o LPA cairia pela metade. Resumindo, não serve nem mesmo para comparar empresas de um mesmo setor por esse indicador, haja vista cada empresa emitir o número de ações que achar mais interessante. Abaixo, o LPA de alguns bancos.

ITUB3 BBAS3 BBDC3 SANB3
R$ 3,10 R$ 2,80 R$ 2,46 R$ 0,81

O lucro por ação, normalmente, é utilizado como parâmetro para outros indicadores como o próprio P/L.

P/L

O P/L ou preço por lucro é a atual cotação de uma ação dividida pelo LPA. A atual cotação da BBAS3 é de R$ 27,84. Então, o seu P/L é de 9,94 (=27,84/2,80). Quase a totalidade dos investidores interpretam que tal indicador representa a quantidade de exercícios que levará para obter o retorno do que foi investido. No caso da compra da BBAS3, seria de quase 10 anos.

P/L = Preço da Ação / LPA

Cabe registrar que, embora seja  a ideia seja plausível, esse indicador utiliza dados do passado e, portanto, não reflete, de fato, o prazo em que o investidor terá o retorno do que foi investido. Além disso, não é por que a entidade obteve determinado LPA que irá distribuir tudo para os acionistas ou mesmo que as cotas serão corridas proporcionalmente pelo mercado, questão completamente imprevisível.

Isso posto, encontrei um artigo interessante do Instituto Assaf (http://www.institutoassaf.com.br/downloads/ANALISE_24_NOVEMBRO_2010_v2.pdf) que traz uma visão interessante sobre o indicador. Afirma que embora o indicador P/L não possa ser utilizado como payback (tempo que o investimento levará para trazer o retorno para o acionista), fornece duas informações interessantes:

  1. Quanto maior o P/L, menor é o risco. O indicador representa a inversão da rentabilidade frente o preço e, portanto, é um indicador de risco invertido. Segundo o instituto, “O P/L, em verdade revela duas importantes conclusões. Quanto mais
    baixo for o índice, mais alto é o seu risco. P/L mais alto revelam menor risco ao investidor”. Assim, para indicar o risco de forma direta podemos utilizar o L/P;
  2. Em um determinador setor, quanto maior for o P/L de uma empresa com relação às suas concorrentes, maior é a projeção da capacidade de criação de valor que o mercado atribui para a entidade.

Então o indicador oferece duas grandes informações: RISCO e CAPACIDADE DE GERAÇÃO DE VALOR, o que vai de encontro com o pensamento de vários investidores. Quando comecei a investir, um colega me disse: é o “prazo para a ação se pagar”. Além disso, em pesquisas mais frágeis, foi o que encontrei na internet. Portanto, talvez valha a pena comprar ações de empresas com um P/L alto se ela demonstrar, por exemplo, crescentes market share, lucro, patrimônio líquido, ativos etc.

Dentre várias diferenças, as mais marcantes entre ações ordinárias e preferenciais, temos que as ações ordinárias possuem TAG ALONG, enquanto que as ações preferenciais possuem um direito superior em relação à dividendos. Gurus como o Bastter dão preferencia a ações do tipo ON, porém, isso deve ser avaliado pelo investidor, uma vez que as ações PN podem ter um TAG ALONG tão alto quanto às ações ON.

ITUB3 ITUB4 ITSA3 ITSA4
10,51 11,52 7,9 8,12

Acima, o P/L de alguns empresas do setor bancário. Levando em conta a posição do Instituto Assaf, percebe-se que o mercado dá preferência as ações preferenciais nos casos acima (P/L mais altos). Analisando mais atentamente, os quatro títulos acima possuem TAG ALONG de 80%, porém divergem no Dividend Yield: as ações preferenciais apresentam um yield maior. Ou seja, as ações PN levam vantagem quando observados esses dois quesitos.

Enfim, não é por que o P/L está baixo ou alto que a ação está barata ou cara, haja vista algo ser caro ou barato vai depender do referencial, do investidor (Like Dilma). A ideia que se deve ter em mente é a de que se esta comprando um pedaço de uma grande infraestrutura com um potencial de geração de capital. Cabe a cada investidor avaliar avaliar a liquidez, o retorno e o risco.

PSR

O Price to Sales Ratio (PSR) representa o preço de aquisição da cota pelas vendas da entidade, sua receita líquida. Funciona similar ao P/L, mas utiliza a receita líquida no lugar do lucro. Algo como P/R, onde R representa a receita líquida. Cabe ressaltar que esse indicador não é utilizado em empresas do setor financeiro, uma vez que não há receita líquida.

GRND3  LAME3 WEGE3 EZTC3
3,61 1,1 3,23 5,69

Quem acompanha os posts da série análise de DRE já tem conhecimento razoável da estrutura desse relatório. É uma demonstração vertical na qual a primeira linha é a receita bruta e a última, o lucro líquido. Entre essas linhas há uma séria de deduções e acréscimos como custos, despesas e receitas até se chegar ao lucro. Ao final, dividi-se o lucro líquido do exercício pelo número de ações emitidas para se chegar ao LPA.

Embora o PSR seja menos popular que o P/L, acredito ser mais confiável, haja vista sofrer menos influência de questões pontuais como a venda de algum ativo de valor relevante. Hipoteticamente, se a Coca-cola vender a própria marca, certamente terá um dos maiores resultados da história em números absolutos, ensejando um P/L tendendo a zero (considerando um preço estático).

Por outro lado, a receita advinda da comercialização de seus produtos permanecerá inalterada. Dessa forma, o PSR é um indicador mais constante e confiável que o P/L. Todavia, não pode ser utilizado de forma isolada, pois desconsidera o efeito financeiro no resultado, que fica em linhas intermediárias da demonstração. Ou seja, uma empresa pode apresentar um PSR pequeno (ótimo), mas um gigantesco P/L.

Considerações

Além dessas há outros indicadores que serão vistos em outros posts. Porém, estes já auxiliam bastante na tomada de decisão. Outros indicadores interessantes são os ligados ao endividamento da entidade, resultados financeiros, indicadores de crescimento e outros. Se tiver ciência de algum indicador interessante, pode deixar uma comentário que poderemos fazer alguns comentários e, quem sabe, sai um outro post.

Obrigado pela visita!

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