Neste post teço alguns comentários sobre erros que cometemos ao comprar algo por impulso. Falo um pouco de teoria do nosso processo de decisão e sobre ideias próprias.

Emoção vs. Razão

Livros e textos diversos dividem nossa mente em duas partes: a racional e a emocional. Alguns deles até acentuam que essa divisão é meramente didática, pois essa separação de fato não existe. A parte racional é aquela que planeja, que realiza ações procedimentais, que busca a melhor decisão. A parte emocional é aquela responsável por fechar nossas pálpebras quando o perigo se aproxima, por aumentar os batimentos cardíacos a fim de nutrir os músculos para facilitar a fuga.
Essas duas partes convivem harmoniosamente, uma vez que cada situação de nossa vida exige resposta mais ou menos elaborada, mais ou menos rápida, mais ou menos automatizada. Por vezes, fazemos coisas sem pensar. Outras vezes, precisar estimar prazo, a forma e outros detalhes.
Foco, um livro de Daniel Goleman, explicita que várias questões de nossa vida cotidiana são introduzidas através da porção racional de nossa mente e, conforme o tempo passa e nos adaptamos àquela situação, quanto mais automatizada está, mais ela vai sendo repassada à porção irracional.
Um caso bem notável para mim foi quando aprendi a dirigir. Tudo era difícil e exigia bastante atenção. As setas, a marcha, a direção, os outros carros, a sinalização, o momento de dobrar etc. Com o tempo, tudo foi se automatizando. Era repetitivo demais para se dar atenção. Hoje dirijo e não penso em nada. Cada item necessário para se conduzir um veículo é manuseado automaticamente. Isso significa que começou completamente no racional, mas hoje já está automatizado. A minha porção rápida tomou conta dessa questão.
No mesmo livro, o autor acentua que a porção emocional foi fundamental na evolução humana, haja vista ser ideal para nos livrar de perigos como ataque de animais, ataque de outras tribos e outras situações que nos causariam dano. Ou seja, a emoção é rápida na decisão, enquanto que a razão é lenta.

A racionalização do emocional

O grande perigo está quando, por alguma razão, queremos algo por impulso. No fim, o emocional é que manda em nossas ações. A emoção busca no emocional argumentos racionais para convencer a outra porção do cérebro. Ou seja, nós buscamos convencer a nossa parte racional que aquela decisão não racional é racional.
Como a mãe de um criminoso busca argumentos para inocentar o filho marginal, nós sabotamos a razão com argumentos racionais que são fruto do emocional. Péssimo. Por vezes, acabamos por ceder aos argumentos fruto da emoção sob o pretexto de ser uma “boa compra”.
Me lembro como se fosse hoje. Eu tinha um carro hatch com 4 anos de uso e eu havia acabado de ter um filho. Acreditava precisar de um automóvel com traseira para carregar as tralhas dele. Carregar malas, afinal, eu tinha uma família. Comprei, financiado. Nem fiz os cálculos. O cara me disse que esse carro custa R$ 40.000,00. Essas parcelas cabem no meu bolso. Pronto, o carro é meu.
Ainda não quitei esse carro. Devo fazê-lo em breve. Como é duro sentir o efeito bola de neve contra suas próprias finanças. Todavia, esse erro do passado me trouxe o aprendizado deste post. Nunca confie em seu emocional quando o assunto for finanças pessoais. Ele vai querer vários objetos, porque quem se preocupa com as contas é a parte racional. Se você se deixar vencer, você estará em maus lençóis.

Comentários

Antes de comprar qualquer coisa preste bastante atenção quem está no controle. O racional ou o emocional? Os argumentos para a compra são realmente os melhores, os mais adequados, os mais matematicamente precisos?
A atenção deve ser redobrada no caso de assinatura de contratos e, mais ainda, quando esse contrato envolver empréstimos. Como no financiamento do meu carro, pareceu um bom negócio, mas até hoje pago pelo meu erro.
Meu antigo carro estaria bem até hoje. Agora só compro carro pra utilizar 10 anos. Esse meu vou utilizar por 10 anos e quando for trocar, vou comprar um usado por 1 ou 2 anos. Enfim, o post não é sobre financiamento de carros, mas um alerta. Cuidado com os perigos da racionalização do emocional. Abraço.

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7 comentários em “Os perigos financeiros da racionalização do emocional

  1. Isso aí, MI, muitas vezes a gente fica cego e não faz a melhor escolha por sermos influenciados pela emoção que é tomada. Por isso acho importante não comprar produtos mais caros num curto período de tempo; acho adequado esperar ao menos um mês pois nesse período dá pra gente perceber se estamos entrando numa enrascada.

    Abraços.

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