Investimentos, Estudos, Ansiedade e Aumento de Renda

Meu chefe não veio ao trabalho nesta sexta-feira, então pude escrever mais do que o de costume, pois não haveria ninguém me reprimindo, ainda que tudo seja apenas coisa da minha cabeça. Tenho aprendido bastante sobre vários assuntos esses últimos tempos, porque estou sempre pensando, lendo experimentando e isso é bom.

O duro de tudo isso é que a ansiedade fica “topada” e isso gera um nevoeiro mental: dúvidas e mais dúvidas surgem, requerem mais conhecimento e geram mais dúvidas, requerem mais conhecimentos e mais tomada de decisão. É muito difícil ser ansioso e querer não errar nas decisões.

Passei os últimos anos estudando para concursos. Tive um bom retorno. Se não fosse isso, certamente eu e minha família estaríamos passando fome hoje, mas nossa situação é de estabilidade. Continuo estudando, mas os investimentos meio que estão dividindo a minha atenção. Toda hora eu olho o maldito home broker e o pior é que eu sei que isso é uma merda. Está me atrapalhando muito. É como se esse dinheiro fosse uma maldição, só mais um fator de ansiedade.

Para diminuir a ansiedade, parei de contar calorias (meu resultado físico piorou), parei de contar copos de água (meu resultado físico e mental pioraram), parei de estudar e resolver questões marcialmente (meu resultado nos concursos devem piorar). Agora, se eu conseguisse diminuir minhas idas ao home broker, meus questionamentos sobre minhas opções de quais ações escolher, certamente minha performance em todas as outras áreas irá melhor, até mesmo na área de investimentos, uma vez que vou parar de girar. É o melhor custo benefício de todos!

O pior que tenho plena ciência de que quanto menos se mexe, melhor. O foco tem que ser na seleção dos ativos e, depois, deixar os meninos performarem. Me recuso a aceitar que o preço não importa. Importa sim! Todavia, acho que o Bastter tem razão em boa parte do que diz, principalmente quando diz que devemos focar no aumento da renda, investir em valor e na família e coisas desse tipo. Cara, a vida ficou muito mais difícil com essa merreca que eu tenho investida. Isso deveria ser uma melhora de vida e não piora.

Preciso parar de dividir a minha atenção entre investimentos e o estudo para concursos. Estudar para concurso é que vai me trazer o maior retorno. Disso eu não tenho dúvidas. Quando eu conseguir ser auditor fiscal, consigo aumentar meu consumo mesmo poupando 50% da minha renda líquida. Já pensou? Viver melhor e ainda poupar 50%. Que sonho! Preciso largar grupos de investimentos, livros de investimento, pensamentos sobre investimentos e ficar no aumento da renda.

Poupando 50% do salário de um auditor, consigo dobrar o patrimônio investido em cerca de 1 ano. Não faz sentido dividir o meu tempo entre “cuidar dos investimentos” e aumentar a renda. Ora, se eu investir no ABEV3 terei preocupação? Se eu investir em GRND3 terei preocupação? ITSA3? BBDC3? ODPV3? QUAL3? Não quero ficar acompanhando demonstrações financeiros, releases, blá blá blá. Isso é coisa para quem não tem o que fazer. Agora, eu preciso aumentar a minha renda.

A partir do momento que eu for auditor, ai sim poderei me preocupar com os vários livros que sonho em ter tempo de ler: o investidor inteligente, ações comuns lucros extraordinários, ações para o longo prazo, margin of safety e outros tantos. Cara, será ótimo. Mas primeiro, aumentar a renda! Por enquanto, o que faço com esses tickers todos? Não tenho a mínima ideia. Só sei que preciso ficar leve pra focar nos estudos.

Mês que vem estarei de férias, preciso arrumar um jeito de focar 100% nos estudos. O concurso da receita deve sair em breve e não posso mais perder tempo. Temo que minha performance não seja suficiente, principalmente na redação. Um dos objetivos do blog foi o aprimoramento da escrita. Notei que dei um salto, embora ainda seja péssimo. Agora, falta adaptar o estilo de escrita para o mundo dos concursos: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Enfim, muitas coisas na cabeça. Preciso diminuir o ritmo do envolvimento com o mundo dos investimentos e deixar tudo no piloto automático, afinal, já tenho um trabalho, sou servidor público. Não posso arrumar outro de “analista de empresas”. Quando eu não precisar mais estudar para concursos, terei o prazer em focar mais e ter uma rentabilidade maior.

 

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Como analisar Balanço Patrimonial – Parte 1 – Estudo de caso VIVT3

Após o término de posts sobre demonstração de resultado do exercício, fiquei em dúvida sobre escrever sobre balanço patrimonial ou demonstração de fluxo de caixa. Cara, fiquei muito tentado por falar de caixa, mas percebi que, didaticamente, era melhor começar pelo balanço, uma vez que vários indicadores financeiros dependem de itens do balanço.

Esse primeiro post falarei um pouco do que é o balanço patrimonial, o que é ativo, passivo e patrimônio líquido e sobre a equação do balanço patrimonial. Mostrarei como analisar de forma básica no site fundamentus e, conforme formos avançando. Falaremos sobre tópicos mais avançados.

Conceito de Balanço Patrimonial

Balanço patrimonial é a demonstração contábil que evidencia os recursos controlados pela entidade, bem como a origem financeira para sua produção ou aquisição desses recursos. Que demais! Vou até dar uma acentuada nesse conceito.

Balanço patrimonial é a demonstração contábil que evidencia os recursos controlados pela entidade, bem como a origem financeira para sua produção ou aquisição desses recursos.

Os recursos controlados são os ativos e a origem de tais recursos formam os passivos totais da entidade. Um balanço patrimonial, visualmente, é representado da seguinte forma:

ATIVOS

Do lado direito são representados em forma de lista todos os recursos da entidade, incluindo: conta bancária, veículos, máquinas, aplicações financeiras, imóveis, investimentos em outras entidades e outros recursos.

PASSIVOS TOTAIS

Do lado esquerdo permanecem, também em forma de lista, a origem de todos os recursos utilizados para a aquisição dos ativos. Uma parte do passível pode ser cobrada da empresa e outra não, esta é conhecida como patrimônio líquido.

Aplicação – Estudo de Caso VIVT3

No primeiro momento, pensei em estender vários conceitos de forma bem detalhada. Todavia, para o investidor, pode não ser tão interessante. O foco é pegar a ideia geral para analisar as ações e a fim de analisar as ações. Então, vamos nessa. No site fundamentus, podemos abrir o balanço de VIVT3 de forma gráfica e evolutiva.

vivt3_ativo

Aqui é possível observar que o ativo deu saltos quantitativos nos anos de 2011 e 2015. Tal fato tende a levar a companhia a ter uma maior possibilidade de gerar riquezas, embora também necessite de mais recursos. A aquisição e manutenção desses ativos só é possível de três formas: aumento do patrimônio líquido, aumento de dívida (passivo) ou aumento do patrimônio líquido.

Em outras palavras, se o ativo aumento, ou houve aumento de dívida ou o aumento do patrimônio líquido. De outra forma, se os ativos diminuíram ou diminuíram-se as dívidas ou diminuiu o patrimônio líquido.

Essa certeza se deve ao fato de existir uma equação fundamental. Ela afirma que o ativo é igual a soma dos passivos (dívidas) com o patrimônio líquido (Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido). Ou seja, como eu havia dito, para subir o ativo, pelo menos um de seus componentes deve ter subido.

vivt3_pl

 Acima temos o patrimônio líquido daVIVT3. Mas que coincidência! Veja que aumentou nos mesmos moldes que o ativo. O fundamental é o entendimento de como o PL aumenta. Pois bem, as duas principais formas do PL aumentar é aumentando o lucro ou realizando novas emissões.

Isso se deve ao fato de que o pl é o patrimônio dos sócios da empresa e ele vem dos lucros e de novas emissões, fortalecendo a entidade. As dívidas são diferentes. Esse dinheiro terá que ser devolvido a terceiros que tem como única intenção lucrar juros com a empresa. Para descobri a dívida com terceiros basta subtrair do ativo o patrimônio líquido. Lembra da equação?

Passivo = Ativo – Patrimônio Líquido

Passivo é dívida. Utilizei o termo próprio para já familiar os não acostumados. Em nosso contexto, os passivos deVIVT3 somam cerca de R$ 30.000.000.000,00, uma vez que o ativo está em R$ 100.000.000.000,00 e o pl em R$ 70.000.000.000,00. No fundamentus consta uma dívida bruta bem menor, uma vez que nem todo passivo é uma dívida financeira, por que há outros tipos de passivos como salários, serviços a pagar e outras depesas.

Em outras palavras, nem todo passivo é uma dívida financeira e, portanto, nem sempre ensejará a cobrança de juros. A análise deve ter ciência do que se quer aferir dívidas financeiras ou dívidas em geral, que são chamadas de obrigações ou passivos.

Resumo

Bem, ativo é tudo que a empresa tem para gerar renda como carteira de clientes, imóveis, veículos, caixa, aplicações financeiras, máquinas, estoques e afins. Os recursos para a aquisição desses ativos devem vir de algum de dois lugares: patrimônio líquido ou passivo. O patrimônio líquido é o “dinheiro dos sócios”, enquanto que o passivo são obrigações, mas nem todas elas são financeiras. Então, fique atento.

Aporte #9/360 e Minhas Sardinhagens

Desculpem a ausência. Estou estudando muito para os concursos de auditor fiscal. Sinto que meu cérebro sairá por algum buraco no meio da minha cabeça. Depois que meu patrimônio aumentou, meu nível de ansiedade aumentou bastante. Fico com a sardinhagem de achar que vou ganhar mais com determinado papel e giro.

Sinto que fiz boas trocas até o momento e que agora a carteira está se estabilizando, ficando em um formato que me agrada. Sei analisar as demonstrações contábeis e, então, consigo perceber se uma empresa é saudável ou não, bem como sou capaz de alisar indicadores financeiros. Conjugo essa análise com os critérios do Bazin: empresas com dívidas em níveis aceitáveis e consistência na distribuição de dividendos. Também por isso gosto de FIIs: proventos.

Neste mês, meu aporte foi de pouco mais de R$ 600,00. Fiz a reserva do VISC11, que é um FII de shopping que possui participação em vários imóveis e uma boa diversificação geográfica. Com a queda da taxa de juros e uma boa perspectiva da economia, ainda que meramente subjetiva, espero bons proventos e um bom cap. rate. Estou ansioso para saber o quanto o fundo conseguiu captar e o que irá fazer com o recurso: se vai pagar dívidas ou adquirir mais imóveis. Caso performe bem, deve ser um dos principais ativos da carteira nos próximos anos.

Ativo Quantidade Preço Unitário(R$)
VISC11 6 100,10

É certo que estamos em um bull market, mas o problema é resolver a questão: até quando? A renda variável vem apresentando um desempenho amplamente superior ao CDI. Então, estou aumentando minha exposição paulatinamente, quando vejo oportunidades. Gostei bastante de Sanepar e quando caiu por causa da desmontagem de posição de tubarões, ele caiu e eu comprei. Afinal, a sardinha pode se alimentar dos restos dessas criaturas imensas e ainda sim se dar bem.

Até o próximo post, provavelmente, terei zerado minha exposição à renda fixa. Pretendo não me expor mais a esse tipo de ativo: é muito monótono para mim. No futuro, no máximo papéis atrelados ao IPCA. Selic servirá apenas para capitalizar o suficiente para comprar ativos de um valor incompatível com meus aportes.

Outrossim, percebo que venho performando bem. Acredito que o próximo passo é cotificar a carteira, pois utilizar a taxa interna de retorno daria um trabalho muito grande, coisa que não quero pra mim. Investir não só nos aproximas da liberdade real, como também nos diverte e nos entretêm. A cada dia aumenta a minha satisfação com investimentos.

Talvez alguém possa dizer: ele só pensa assim por que estamos em um bull market. Na verdade, não. Atualmente, foco em duas coisas: aumentar o número de papéis e a renda média mensal. Claro, ninguém aprecia ver seu patrimônio ser diminuído e adorei quando em questão de minutos minha carteira aumento R$ 2.000,00 pela subida de +8% de sapr3, mas não é o meu principal foco. De fato, mal posso esperar a próxima crise. Comprar papéis como GRND3 e QUAL3 próximos do valor patrimonial, já pensou?

Lembro quando GRND3 estava valendo a metade de agora: eu não tinha nenhum real no bolso e ficava olhando e orando para ter algum dinheiro antes que subisse, pois eu sabia do potencial. Infelizmente, não deu tempo. Ano retrasado, salvo engano, eu também olhava QUAL3 com olhos brilhantes. Não deu. Acredito, sem muita objetividade, que estamos em um bull market que permanecerá por alguns anos. Então, vamos surfando.

A carteira agora é o que está a baixo. Como disse, ainda estou formatando a carteira. Atualmente minhas dúvidas são: Pesando todos os fatores que acredito serem importantes, GEPA3 pode valer a pena? SAPR3 realmente é a opção que eu penso que é? Será que o EBITDA da UNIP3 vai explodir? Será que UNIP3 merece maior participação na carteira? Introduzo HGBS11 e HGLG11? Enfim, desculpe a minha sinceridade, mas é que sou sardinha todo.

Ativo Quantidade
Tesouro SELIC 2,51
ABCP11 59
FFCI11 16
FIGS11 24
FIIP11B 23
GEPA3 200
GGRC11 30
ITSA3 1.000
KNRI11 14
SAPR3 1.200
UNIP3 200

Como avaliar empresas pelas margens bruta e EBIT – CGRA3 – Análise de Demonstrações Contábeis #10/10

Chegamos ao último post da série sobre Demonstração do Resultado do Exercício com muita satisfação e conhecimento adquirido. Aprendi bastante escrevendo sobre o assunto. Com o conhecimento maturado, aprendi a avaliar se entraria ou não em uma empresa e me sinto satisfeito.

Outrossim, tenho plena ciência de que há muitos outros assuntos sobre tal temo que poderiam ser tratados, mas para que não fique enfadonho e mesmo para que possamos desenvolver outro tema, resolvemos dar seguimento e falar de outra demonstração contábil. Acredito que pedagogicamente o certo seria seguirmos para o Balanço Patrimonial, mas estou com muita vontade de seguir para a Demonstração de Fluxo de Caixa, tendo recebido até mesmo pedido de leitores para que eu fale sobre DFC. Dúvida cruel!

Bem, o tema do post é o impacto das despesas administrativas sobre as margens. Tive essa ideia quando fui analisar as margens da Grazziotin. O gráfico me chamou atenção e resolvi falar sobre o tema. O post é bem simples, como todos os outros. Todavia, entendo ser um ótimo para entender como as margens funcionam.

Conforme evidenciamos em vários de nossos posts, basicamente, a margem bruta leva em consideração o retorno com relação ao custo dos produtos, enquanto que na margem EBIT, o retorno com relação ao custo dos produtos e às depesas administrativas/operacionais. Ou seja, a diferença é que a margem EBIT leva em consideração as depesas administrativas e operacionais.

graficos3

As margens acima dizem respeito à Grazziotin (CGRA3). Perceba que enquanto a margem bruta está subindo, a margem EBIT está caindo. Após a explicação do parágrafo anterior, fica fácil imaginar o porquê. Ora, houve uma aumento da eficiência com relação ao custo dos produtos vendidos, mas as despesas administrativas encareceram seja por conta do aumento do número de pessoal, seja por aumento de salários, enfim.

Caso a margem bruto não tivesse aumentado, o impacto no lucro seria considerável. Na forma atual, houve um equilíbrio. A margem EBIT caiu, mas foi compensada pela subida da margem bruta. Situação equilibrada.

Agora, como forma de exercitar o entendimento. Vejamos a imagem abaixo. Tente interpretar o porquê dos comportamentos dessas margens e suas consequências. Lembrando que o traço azul é a margem bruta e o verde, a EBIT.

margens_tipos

Tentei ilustrar várias possibilidades nas evoluções das margens. O tipo (d) é o que está mais próximo às margens da Grazziotin. O tipo (c) me lembra bem a margem da Cielo. Enfim, podemos fazer uma comparação com várias empresas. Entretanto, mais importante é entender.

Em (a), (b) e (c), percebemos que não há uma dissociação das margens Bruta e EBIT. Isso quer dizer que houve uma alteração no preço do produto para cima (a) ou para baixo (c). Até mesmo a manutenção dos preços (b).

Já no caso de (d) e (e), temos uma discrepância. Em (d), temos o caso de aumento de despesas administrativas/operacionais somada a uma aumento do preço de venda dos produtos ou diminuição dos custos dos mesmos. Em (e), o cenário é inverso. Há uma diminuição do preço ou aumento dos custos conjugados com uma diminuição drástica das despesas administrativas/operacionais.

Outrossim, torno a reforçar: entenda e reflita! Assim, chegaremos à sabedoria. Obrigado por acompanhar a série até aqui. Em breve devo estar começando a séria de fluxo de caixa ou de balanço patrimonial. Espero aprender bastante. Obrigado!

Aporte #8/360

Olá! Quem acompanha o blog sabe que eu dei uma sumida. Estou resolvendo várias questões pessoais. Meu filho começou a ir pra escola, minha filha nasceu e agora está doentinha. Estou aprendendo a investir com um volume maior de dinheiro na marra, uma vez que recebi parte de uma ação que movi contra a seguradora Sul América por ter pagado o seguro, que eu era beneficiário, para a outra pessoa. Enfim, muita coisa acontecendo. Não estou conseguindo estudar, nem ir pra academia, nada…

A carteira aumentou um pouco justamente pela grana que recebi. Seguindo o Plano de Ação de 2017, paguei várias dívidas e deixei outras para serem finalizadas. Estou bem com o orçamento bem mais estável. Tenho ciência de que não consegui isso sozinho, essa ação judicial, fruto de um seguro que meu falecido pai me deixou me ajudou tremendamente. Entretanto, sei que se eu tivesse esse dinheiro antes, eu o teria gastado em vão.

Aporte #8

Como equilibrei minhas finanças, aumentei meu aporte para 10% da minha renda. Dessa forma, acredito conseguirei acelerar a chegada à terra prometida.

Ativo Quantidade Preço Unitário(R$)
FFCI11 3 176,51
ABCP11 5 17,20

Meu racional, no FFCI11, foi o simples fato de ele ter sido o único ativo da carteira que teve uma queda no dia. Já o ABCP11, eu o utilizo como uma espécie de reserva de valor. O que sobra, coloco lá. Quando preciso de algum trocado para inteirar a compra de algum ativo, recorro a essa reserva.

Agora a carteira está mais recheada. Já fiz o que todos recomendam não fazer: girei várias vezes. É quase inevitável. É mais forte que eu. Quando vejo uma valorização logo penso que vai desabar e realizo o lucro.

Segue a carteira simplificada. Não tenho tido tempo para firulas. No futuro, pretendo cotificar meu patrimônio, comparar com a inflação e fazer mais melhorias no post de aporte/fechamento.

Ativo Quantidade Preço Unitário (R$)
Tesouro SELIC 4,02 9.058,13
ABCP11 44 17,38
FFCI11 16 178,50
FIGS11 17 80,20
FIIP11B 23 187,99
GGRC11 30 119,29
KNRI11 14 150,55
EGIE3 190 36,94
GRND3 200 28,00
ITSA3 630 10,29
SAPR3 500 9,21

Outra coisa, resolvi tirar meu imóvel daqui por não ser um ativo financeiro. Abraço! Sigamos com fé!

Dívida Líquida/EBITDA. Um estudo sobre o nível de endividamento de empresas – DRE #9/10

Quando analisamos empresas, um ponto chave é o seu nível de endividamento, uma vez que o resultado financeiro pode transformar um bom desempenho operacional em prejuízo. Veremos um pouco de história para entender o porquê de  o múltiplo dívida líquida por EBITDA é o mais importante indicador endividamento. Coloquei este tópico junto com outros sobre DRE por utilizar o conceito de EBITDA.

Com a Revolução Industrial (1.760-1.840), tivemos uma revolução na produção de bens de consumo. Anteriormente, a produção era artesanal e acabava que cada um era dono do que produzia e podia comercializar por si. A partir da revolução, os donos do capital puderam adquirir maquinário e contratar pessoas para trabalhar. Só havia duas opções: produzir artesanalmente e vender por si, o que ensejaria uma renda imprevisível, ou trabalhar para os capitalistas.

Nessa época, o valor da empresa estava intrinsecamente ligada a seu ativo imobilizado: suas máquinas, galpões destinados à produção e veículos de transporte e, portanto, para se estudar o endividamento dessas indústrias, bastava comparar seu nível de endividamento com o seu valor patrimonial (VPA).

Entretanto, a última revolução transformou o patrimônio em algo, por vezes, secundário. Vivemos na era da revolução da informação. Uma época em que comumente a informação é o próprio patrimônio, a própria fonte de renda e o próprio recurso. Comparar a dívida de uma entidade com o seu patrimônio pode ser algo tolo de se fazer em certos contextos.

Nesses casos, o indicador mais utilizado certamente é o (Dívida Líquida)/EBITDA. No livro FAÇA FORTUNA COM AÇÕES, pág. 61, Décio Bazin afirma que aprendeu duas grandes lições em um livro chamado AÇÕES & PRECAUÇÕES – de Gerard Haentzschel:

  1. Para investir no mercado acionário ninguém precisa saber mais do que as quatro operações aritméticas; e
  2. Um investimento vale pelo rendimento que proporciona.

O indicador de endividamento proposto atende justamente essa ideia. Pois bem, vamos analisar a fórmula. A forma como se calcula o EBITDA já foi detalhada no post sobre o tema. No entanto, o cálculo da dívida líquida será explicado a seguir.

Dívida Líquida = Dívida Bruta – Caixa ou equivalente de caixa

Dívida Bruta é, em termos simples, tudo que entidade deve a seus fornecedores, investidores, debenturistas, empregados e outros interessados e é caixa ou equivalente todo dinheiro em caixa, valores em conta corrente, títulos imediatamente convertidos em dinheiro e similares. Ou seja, a dívida líquida é a dívida bruta menos as disponibilidades imediatas da empresa em termos matemáticos.

Não significa que para o conceito de dívida líquida ter validade, a empresa terá que realmente amortizar parte de suas dívidas com o seu caixa, mas apenas uma avaliação que atenua a dívida, pois há recursos para isso.

Como o próprio nome do múltiplo sugere, para se calcular esse indicador basta dividir a dívida líquida pelo EBITDA.

Nível de Endividamento = Dívida Líquida / EBITDA*

O EBITDA representa o resultado operacional da empresa, ou seja, o que ela conseguiu gerar de valor agregado. Então, o indicador representa quantos exercícios seriam necessários para pagar a dívida desconsiderando outros fatores, notadamente, os impostos. Agora, aplicaremos esse indicador a algumas empresas para fins de consolidação do entendimento. Alguns dos dados serão retirados do site OCEANS14, enquanto que outros do Fundamentus.

*Considera-se o EBITDA acumulado dos últimos 12 meses.

Estudo de endividamento de TRPL4 e TAEE11

É interessante ressaltar que os múltiplos são melhor aplicado na comparação intrassetorial, uma vez que comparar empresas de setores diferentes pode gerar um entendimento problemático do nível de endividamento da empresa. TRPL4 e TAEE11 foram os papéis escolhidos nesta seção e ambos são do subsetor de transmissão de energia elétrica.

Código Dív. Brt. Disp. Dív. Líq. EBITDA* Nv. End.
TRPL4 1.288 259 1.029 7.967 0,13x
TAEE11 3.412 84 3.328 883 3,76x

*Por questão de praticidade, utilizei o EBIT no lugar do EBITDA (não precisei fazer cálculos para obter).

No quesito endividamento, fica evidente que TAEE11 está em um nível de endividamento superior ao da TRPL4. Entretanto, sabe-se que ela não está em uma situação muito grave devido o seu contexto. Ademais, utilizamos o EBIT no denominador, que é menor que o EBITDA. Caso utilizado o EBITDA, o múltiplo de ambas as empresas seriam menores. Entretanto, para fins de comparação, mantivemos a simetria.

Considerações Finais

 É muito comum o entendimento de que um múltiplo dívida líquida / EBITDA se situa em faixas:

  • O endividamento <= 2x é confortável;
  • O endividamento > 2x e < 3,5x é aceitável; e
  • O endividamento > 3,5x é considerado preocupante.

No entanto, cada empresa tem o seu contexto, mais do que avaliar o nível de endividamento da empresa que está sendo estudada com as concorrentes do setor, é acompanhar o endividamento, os motivos dele, as aplicações dos recursos, bem como a composição da dívida.

No mundo dos investimentos, não há fórmulas infalíveis. Utilize o indicador com parcimônia. Abraço!

FAÇA FORTUNA COM AÇÕES antes que seja tarde (O que aprendi com Bazin)

Em 2016 comecei com alguns investimentos em renda fixa, mais precisamente comprei alguns Títulos Públicos. Tinha muito medo de perder todo o meu dinheiro, mas resolvi transferir uma mixaria para a corretora pela primeira vez. Desde então, venho aumentando meus aportes e meu conhecimento na área financeira/finanças pessoais.

Sei que existem várias obras clássicas do menor ao mais alto nível de complexidade, mas decidi ler Faça Fortuna com Ações do Bazin, obra nacional. Isso graças a recorrente propaganda da Suno Research fazendo uso da imagem e da filosofia de Luiz Barsi Filho, um dos maiores investidores pessoa física do país.

Lendo, percebi que Bazin era um cara como eu: cético e sem muito rodeios. Dei-me muito bem com a obra e escrevo este post aproximadamente um mês depois de ler, pois acho que assim trarei só o que ficou absorvido por mim. Aprendi demais e acabei por absorver seu estilo de visão e estratégia de investimentos.

Investidor Pessoa Física x Investidor Institucional

Para Bazin, o investidor Pessoa Física não precisa de patrimônio, mas de renda. Gostei muito dessa visão por que coincide com a de meu falecido pai e com fatos que presenciei na vida. Meu pai sempre dizia que lutava para aumentar a renda e não o patrimônio. Foi de fato o que ele fez. Depois, já com uma boa renda,  construiu um patrimônio.

Os investidores institucionais são diferentes, pois eles precisam é formar uma patrimônio para daqui a décadas, quando os beneficiários necessitarem desse dinheiro, ele vai poder ir derretendo esse patrimônio ou trabalhando como uma espécie de pirâmide financeira, repassando o dinheiro dos atuais trabalhadores para os atuais aposentados/beneficiários.

Um investidor institucional pode comprar milhões de MDIA3, que possui apenas 1% de Dividend Yield (26/08/2017), porque não precisa de renda, ou seja, ele está apenas custodiando recurso alheio. Quando alguém precisar de recursos que estão sob sua custódia, ele repassa o que outros estão lhe transferindo ou mesmo vende ações como essa para gerar liquidez e honrar o compromisso.

É dai que vem o polêmico 6% de Dividend Yield que tantos criticam. Para quem não sabe, Bazin escolhi ações pelo DY. Todavia, as pessoas confundem tal fato com ter como único critério. O que não é verdade. Tentarei Explicar como Bazin investia.

Empresas com Dividend Yield de pelo menos 6%

O Bazin dolarizava todas as compras e rendimentos das ações. O objetivo era sempre comprar ações com DY superior a 6%, pois afirmava que havia um entendimento mundial que essa era a taxa remuneratória anual mínima e que qualquer coisa abaixo disso seria um péssimo investimento. Nem precisa questionar sobre inflação, uma vez que ele dolarizava todos os investimentos e o dolar é uma moeda estável.

Além de o questionamento sobre inflação não ser válido devido a dolarização, o argumento de que o DY não ser um indicador confiável, também não procede na forma de investimentos do Bazin. Tal improcedência se deve ao fato de que haviam muitas empresas que apresentavam esse Yield, o que mitigava dramaticamente todos os riscos, já que a carteira era vasta. Se uma empresa quebrasse, o prejuízo seria mínimo. O fato era que ele era considerado um bom gestor, já que fez fortuna para seus clientes.

No próprio livro há um capítulo em que ele afirma que o investidor pessoa física irá sumir. Fiquei curioso para ler. A gênese era que ele aventou vários estudos sobre a bolsa americana e a brasileira sobre o número de empresas que apresentavam yield superior a 6%: era decrescente ano após ano. O que indicava que sua técnica seria inviável com o tempo. Tenho tentado aplicar a sua técnica, porém as empresas não distribuem de forma consistente e as que, pelo menos distribuem acima de 6%, são poucas. É, de fato, o pequeno investidor irá sumir.

Por que o preço subiu? Por que o preço caiu?

Achei muito interessante essa ideia. Bazin afirmou em seu livro que os preços não sobem ou caem, mas os preços são puxados ou derrubados por manipuladores ou investidores institucionais. Tanto os manipuladores quanto os investidores institucionais possuem muito dinheiro. A diferença é a intenção e a propriedade.

O manipuladores manipula o mercado com dinheiro próprio para tirar alguma vantagem, enquanto o institucional puxa um preço pelo simples fato de ter muito dinheiro e quando vai as compras, normalmente investe milhões. Em um mercado como o brasileiro, isso inflaciona qualquer preço.

Quero dizer que essa questão de fundamentos é meia verdade. Ora, se os fundamentos de um papel forem ruins, mas um institucional resolve comprar milhões desse papel por qualquer razão que seja, esse papel terá uma super valorização e seus fundamentos não terão qualquer relação com isso. O inverso também é verdade, por óbvio.

Essa visão me dá muita segurança na renda variável, pois sei que se o preço cai é por que estão vendendo mais barato e, se cai muito, é por que estão vendendo muito. Só isso. Acredito até que seja por isso que os papéis de fundos imobiliários sejam menos voláteis que os das ações: não parecem ser muitos os investidores institucionais que investem e ações. Afinal, acredito que eles não teriam a vantagem tributária, que é a única vantagem dos FIIs.

Considerações Finais

O livro apresenta várias reportagens escritas por Bazin, bem como várias histórias de sua lembrança que, por si só, já valem a pena. Consegui entender várias questões sobre o mercado lendo todo esse material.

Outro ponto importante são os investidores estrangeiros. Eles são como os investidores institucionais: trazem muito dinheiro. Assim, eles podem inflacionar qualquer papel como também desvalorizar qualquer deles.

Sou estudante de contabilidade então vejo todos os números e indicadores antes de investir em uma empresa. Todavia, essa questão do yield de 6% me abriu a mente para a questão de se der um critério. Agora, tento investir em empresas com esse nível de retorno. Se o yield é de 1% ou 2%, entendo que a empresa está cara. Se estiver próximo ou maior que 6%, entendo que estão em um bom preço. Isso me ajuda a ter segurança, mesmo sabendo que passado não é garantia de futuro e yield não seja o melhor do indicadores e blá blá blá.

Aprendi muito com o livro. É uma leitura que vale a pena. Abraço a todos.